Clarice Dall’Agnol

Literatura

Power

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imagem: José Calimero

Who will win this race?
Who is the strongest, kindest, wisest?
Is it me? Or you?
This invisible string between us
Which never untightens
Stop feeding it
Lay down your weapons
Next to mine
Let us have a truce before we begin again.
Let us live in this world the way it is.
Let us not change anything apart from ourselves.
I’ll tell you what:
I’ll let you win if you promise not to love me anymore.

Piras

Do final do ano

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imagem: Cassiano Rodka

Já diria a Simone: “Então é Natal e o que você fez?”. Sim, sou dessas que fica reflexiva com o final do ano. É doido isso porque, na real, esse “final de ano” é arbitrário: final pra quem? Estamos aqui, de boas, seguindo o calendário cristão e fingindo que ele é válido para todxs – sendo que nem pra nós mesmxs ele é válido, pois o final do ano é de cada um no seu aniversário. Mais louca ainda é essa necessidade do ser humano de ter um controle: precisamos saber quando as coisas começam e terminam – no caso, o ano – para que todo mundo siga a mesma batida, pra que todxs comemorem as mesmas coisas (por nós criadas) e todxs gastem em presentes como manda a tradição (também por nós criada). Lindo.

* Ok, voltando da minha breve viagem reflexiva problematizadora*

Não lembro o exato momento em que percebi que cada família tinha uma comemoração de final de ano particular, mas não faz muito tempo. Vou contar pra você a minha, que é centrada no Natal e na figura da minha avó, dona Colorinda (sim, esse é nome dela; true story). A vó Colô se dedica em manter a tradição do Natal como uma festa de união, trocas e celebração. Talvez pela decepção de sua mãe ao encontrar o padre bêbado num bar, a religião deixou de ser o mote e acabou se tornando um pretexto para uma reunião que se define em bagunça, choradeira e comilança e que hoje reúne católicos, espíritas, umbandistas, ateus, judeus e indefinidos.

Pra não receber o selo 100% religion free, há sempre uma reflexão, a maioria das vezes realizada pelo meu pai, seguida de uma oração e por um coro de “noite feliz” – isso eu nunca entendi o porquê. Todo ano se discute se primeiro comemos ou se fazemos o amigo secreto e, todo ano, decidimos trocar presentes antes de comer. Aí começa a choradeira na sequencia de declarações, abraços, lembranças e afeto. Logo após, vem o momento de caos generalizado, em que todos os subversivos que querem dar presentes fora do amigo secreto se encontram. Enfim, é chegado o momento de ataque ao peru de Natal feito pela vó (e com minha assistência, apesar de ser vegetariana) e a depressão após inúmeras sobremesas e Bowle (tipo um clericot) do tio. Como eu disse, bagunça, choradeira e comilança – que eu não trocaria por nada.

Esse breve relato é para compreender o que é o meu final do ano. Na minha história, o réveillon é uma festa que pode ser com a família, com os amigos ou até sozinho em lugar a determinar. O Natal não. Já tentamos fazer o Natal fora de Porto Alegre e foi estranho – não falamos muito sobre isso. Mas, mais que isso, ele é a festa que tem como objetivo unir a maior quantidade possível de pessoas (incluindo agregadxs, família dxs agregadxs, amigxs da família dxs agregadxs, amigxs, desgarradxs, entre outrxs), sendo comemorado na data que convém a maioria – e não me lembro de ter comemorado algum no dia 24 – e com transmissão ao vivo para os viajantes. Esse sentimento de encontro e de celebração define o meu final de ano e faz eu nem me importar com a montoeira de trabalho e estudos que ainda tenho que realizar.

Evitei, mas não vou deixar de ser piegas: gostaria que todo mundo tivesse um dia assim. Não digo com a família (que é um conceito bem relativo), com a bagunça, com os presentes, com a oração; isso cada grupo define como acha melhor. Mas, sim, um dia em que pudesse encontrar uma galera que você passou menos tempo do que gostaria durante o ano, trocasse umas energias boas e sentisse que tá tudo bem. Vamos combinar que, no nível que foi 2016, um dia com esse sentimento de *não tem ruim pra nós* deveria ser programa de saúde pública.

Literatura

Poeminha de amor imenso para Martina

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imagem: Cassiano Rodka

Martina, menina,
É chegada a hora:
te veste toda em purpurina,
E vem para nós.
Vem brincar de bailarina com a gente,
Vem sentir os beijos criativos da tua mami Livinha e do teu papi Pedro, que inventam mundos fantásticos pra ti desde o dia que souberam que virias pra nós,
Vem conhecer o amor gigante da prima Angelina, que te aguarda ansiosa pra te encher de carinhos e curtir deliciosos momentos como melhores amigas;
Vem provar as comidas gostosas e compartilhar a cultura da bisa Ruth,
Vem ver as roupinhas lindas de tricô que a vovó Gugu fez pra ti, e vem aprender essa arte com ela (e outras delícias mais!),
Vem ver os desenhos tri legais do vovô Jorge, e jogar videogame e comer pipoca com ele, rindo das suas palhaçadas sem igual,
Vem ganhar um apelido carinhoso do tio-vô Tonico, e comer seu inigualável churras,
Vem provar os merengues gostosos da tia-vó Neca, e conversar sem parar com ela,
Vem ouvir as risadas gostosas da tia-vó Lorena, e rir com ela,
Vem aprender Pilates e a fazer bijuterias e dançar a noite toda com a tia-prima Cami,
Vem tocar, cantar e gravar músicas com o tio-primo Cassi, e curtir seu bom humor único e seus escritos,
Vem ouvir as palmas bem fortes e as histórias engraçadas da tia Luísa, que gosta de se levantar para falar,
Vem brincar por horas e horas e horas com a tia Laura, e rir bem alto com ela,
Vem jogar videogame com a tia Bel, e ouvir os poemas dela, que são quase canções de ninar.
Vem para aprender a levantar pesos bem pesados com o primo Márcio, e provar as delícias que ele cozinha pra nós nos divertidos encontros familiares,
Vem para saber tudo de rock e ciências com o primo Vito,
Vem para ir assistir jogos de futebol com o fã emocionado que é o tio Bruno,
Vem para aprender a surfar em Santa Catarina com o primo Tiago, e a pular com ele (na verdade, um dia a Angelina te explica, nos sonhos das crianças ele é um Coelho!)
Vem para tocar bateria e tirar fotos engraçadas com o primo Diego,
Vem para curtir os cuidados da prima Aline,
Vem para ter momentos super divertidos com teu primeiro amiguinho, o primo Lucas,
E, finalmente (mas não menos importante!),
Vem para conhecer esta que ora escreve este poema pra ti: bem-vinda, Martina, eu sou a prima “madi-vóvi” Clarice, e gosto de traduzir sentimentos por escrito.

Literatura

Lastro

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imagem: José Calimero

To get back up to the shining world from there
My guide and I went into that hidden tunnel,

And Following its path, we took no care
To rest, but climbed: he first, then I-so far,
through a round aperture I saw appear

Some of the beautiful things that Heaven bears,
Where we came forth, and once more saw the stars.”
― Dante Alighieri, Inferno

O balão pertence agora ao céu. A faísca ao ar. O vento navega o barco pelo mar de nuvens. Maçãs flutuam maduras. As palavras escritas se desgrudam do papel e levitam por sobre a tela. O som das palavras se dissolve em sílabas, depois em letras, até por fim silenciar. As ideias emanam de nós e se suspendem, planando no ar. Gotas de água chovem dos oceanos e rios e inundam o paraíso. Nosso limbo está quase pronto. À sua margem nos enxergamos por inteiro – como somos – hoje. Daqui partiremos buscando encontrar nosso lastro. Alguns a pé, outros alçando voo.

Quadrinhos

Demolidor: do Diabo da Guarda a Mark Waid (parte 2)

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Continuando a série sobre o Demolidor, agora vamos dos anos 90 até os dias de hoje, passando pelas inspiradas histórias de Brian Michael  Bendis e Ed Brubaker…

1. O Diabo da Guarda e o Demolidor pós-Miller.

No final dos anos 1990 o sucesso do selo Vertigo, da DC, destinado a um público mais adulto, fez com que a Marvel criasse o “Marvel Knights”, um selo para publicar histórias para um público mais adulto onde temas como sexo e violência pudessem aparecer com uma liberdade maior. O roteirista Kevin Smith e o desenhista Joe Quesada fizeram, em 1998, sob o selo Knights, o arco “Diabo da Guarda” (Guardian Devil), que explorava a fé católica do personagem e terminava de maneira dramática, com a morte de Karen Page pelas mãos do Mercenário, sendo a segunda namorada do herói a ter o mesmo destino.

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O Demolidor de Joe Quesada

Os anos 90 em geral não foram generosos com o Demônio Ousado. Tirando fora “Diabo da Guarda” e uma ou outra minissérie com “Demolidor: Amarelo”, de Jeph Loeb e Tim Sale, o personagem (como quase toda Marvel, nessa época) passou por maus bocados, reinvenções ruins, repetições pálidas e mudanças pavorosas de uniforme, usando inclusive uma armadura cinza e vermelha com joelheiras.

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Demolidor dos anos 90: ombreiras e joelheiras. Milagre não ter uma pochete.
  1. Bendis, sempre ele. E Brubaker.

Em 2001 Brian Michael Bendis, que estreara na Marvel no ano anterior escrevendo o universo Ultimate, foi convidado pelo editor Joe Quesada para assumir o título do Demolidor, que vinha mal das pernas. Bendis permaneceu no título entre 2001 e 2005, revitalizando o herói e respeitando o cânone criado por Miller. O Rei do Crime está lá, mas já no primeiro arco ele é assassinado por uma rebelião de seus capangas, abrindo um cenário novo no complicado teatro das gangues e facções de Nova Iorque. Também estão lá Foggy Nelson, Ben Urich, Viúva Negra e até Mary Tiphoyd. Como novidades temos Milla Donovan, o novo par romântico de Matt que é cega, assim, como ele (Bendis sempre gosta de colocar representatividade nos quadrinhos) e uma trama que lida, desde o início, com a identidade secreta do Demolidor tornada pública e as consequências disso na vida do herói e também na do advogado Matt Murdock. Milla é uma personagem bastante interessante e também é interessante ver como o fantasma de Karen Page assombra a relação dela com Matt (e qualquer relação, acho, que Matt viesse a ter).

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Matt Murdock, conheça Milla Donovan

Dando um passo além da revelação da identidade, Matt resolve tornar-se ele mesmo o Rei do Crime de Hell´s Kitchen, já que necessariamente alguém cumpriria esse papel. Por que um super-herói é sempre reativo e não faz as regras serem cumpridas rigidamente é uma pergunta que de vez em quando nos fazemos e que Bendis, pelo Demolidor, tenta responder nesse arco. As intervenções de Peter Parker, Luke Cage, Reed Richards e Stephen Strange, tentando chamar o Demolidor à razão, tornam a trama mais humana e mostram o tipo de interação entre os heróis que tornou Bendis um dos escritores mais interessantes dos dias de hoje.

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Alex Maleev é, para muitos (inclusive para mim), o desenhista definitivo do Demolidor

No arco “Decálogo”, Bendis narra as histórias através dos encontros de um grupo de ajuda que foi formado em Hell’s Kitchen para discutir a atuação do Demolidor. A discussão sobre o impacto do herói na vida das pessoas por esses pontos de vista diferentes faz com que o leitor se sinta parte da história, já que aquele ponto de vista, de observador, é o dele próprio. Após esse e outros arcos intimistas, Bendis fecha seu ciclo trazendo de volta o Rei do Crime como principal inimigo do Demolidor, mais perigoso do que nunca. E, é claro, não poderia faltar o confronto com o Mercenário.

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As capas de Demolidor: Decálogo

O trabalho de Bendis, durante esses anos todos, foi maravilhoso, é claro. Mas podemos dizer que boa parte do sucesso dele deve-se ao artista búlgaro Alex Maleev, que ilustrou as histórias. Seu traço, diferente do usual, casou com o estilo noir que Bendis deu ao seu Demolidor. As cenas de luta desenhadas por Maleev rendem páginas que poderiam ser emolduradas, sem que o desenhista deixe de conseguir dar a sutileza necessária para nuances de rosto em momentos diferentes das histórias. A sintonia entre escritor e desenhista é tão grande que temos algo raro nos quadrinhos mainstream: uma edição inteira muda, sem uma palavra sequer, onde só a arte de Maleev nos conduz (brilhantemente) pelo roteiro de Bendis.

Brian Michael Bendis foi sucedido pelo craque Ed Brubaker, que em sua parceria de longa data com Michael Lark estava acostumado a escrever histórias urbanas. Brubaker ficou no título entre 2005 e 2009 (e ganhou mais dois Eisner, fazendo com que o Demolidor ganhasse QUATRO prêmios em menos de dez anos). Brubaker mantém o estilo noir e amarra com cuidado as pontas deixadas soltas por Bendis. O roteiro dele, aliás, utiliza as mesmas estruturas narrativas do autor anterior, ao ponto que só percebemos que trata-se de coisa diferente em função da arte muito mais clara e definida de Lark em relação a Maleev (o que, para mim, é uma pena. Eu gosto muito de Maleev desenhando o Demolidor).

  1. Mark Waid e a virada necessária.

Mark Waid assumiu o título do Demolidor depois de Bendis e Brubaker. Se algo era difícil para um escritor, pensem em assumir um título que nos dez anos anteriores havia ganhado quatro prêmios Eisner (o Oscar dos quadrinhos), dois com Bendis e mais dois com Brubaker.  Waid matou a charada: sua abordagem do Demolidor foi completamente diferente. Se Bendis abraçou e aprofundou todo o cânone definido por Miller, podemos dizer que Waid foi no sentido oposto. Murdock e o Demolidor foram dissecados mentalmente e espiritualmente por Bendis e Maleev, então Waid resolveu escrever um bom gibi de herói. Num clima mais para cima e carregado nas cores (que muitas vezes ajudavam a experimentar a experiência sensorial do herói) Waid, volta a explorar o Demolidor super-herói. Ele enfrenta super-vilões e tem uma vida pessoal muito mais leve do que nos anos anteriores.

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O Demolidor de Waid tem outro tom

Apesar de completamente diferente das abordagens de Miller, Bendis e Brubaker, a pegada de Waid também funciona. Usando inimigos como Garra Sônica e o Mancha, o autor faz uma bonita homenagem aos quadrinhos mais clássicos de super-heróis e até mesmo à passagem de Stan Lee e Bill Everet pelo título. Adivinhem? Waid (como Bendis e Brubaker) levou um Eisner pela série, também.

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A arte do Demolidor de Waid é primorosa na exploração do radar
  1. Biblioteca Básica

Se você pretende começar a ler o Demolidor, está com sorte. A Panini, editora responsável pela Marvel (e pela DC) no Brasil tem MUITO material disponível. Foi lançado recentemente o volume 3 do Demolidor de Frank Miller e Klaus Janson, que congrega a passagem completa dos autores pelo título. Cada um dos 3 volumes custa cerca de R$90, mas é possível encontra-los frequentemente em sites das grandes livrarias por cerca de R$40. Eles estão publicados em capa dura, nas cores preta e vermelha, bem bacana. O arco “A Queda de Murdock”, de Miller e Mazzucchelli, foi publicado recentemente pela Salvat na coleção oficial de Graphic Novels da Marvel. Ainda é encontrada em algumas livrarias, por cerca de R$30. A fase de Bendis está sendo publicada em encadernados caprichados pela Panini na coleção Marvel Deluxe. O primeiro volume é “Demolidor: Revelado” e o segundo é “Demolidor: O Rei da Cozinha do Inferno”. Todos esses volumes valem muito a pena. Boa leitura, pessoal!

Literatura

Mensagem

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imagem: Isabel Dall’Agnol

Instante que
me corrói a alma,
queria destruir-te.

Pousaste
em mim,
descolorindo
o assoalho.
E me tomaste
a pureza.

Estás sufocando
os meus passos.
E desmontando
o pensamento.

Agora,
tu respondes
o tempo.
Mas és cruel.
E me cobres
de sombra.

És tormenta
em silêncio.
A calma
se esconde
sem jeito.
E se despede
no vento.

Instante que
me corrói a alma,
arranca o que resta de mim.
Estou sangrando
desvario.
E derramando
solidão.

Desmancha
essas pétalas.
Que choram.
E já nada
oferecem.

Deite-me
no teu leito.
E seque.
Partindo-me,
em vão.

Música

O último pesadelo do Black Sabbath

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Cruzes, anjos, demônios e um mar de camisetas pretas. A maior banda de metal do mundo havia anunciado o seu fim, portanto todos nós comparecemos no Estádio do Morumbi para presenciar esse grande funeral.

Às 20:30, as luzes se apagam e um enorme telão no fundo do palco mostra uma cidade em chamas. A câmera nos leva pelos corredores de um prédio onde nos deparamos com um ovo estilo Alien. A forma orgânica pulsa e se abre. De dentro, surge um demônio e a galera vibra. Com um pisão no chão, a cidade se destrói. A criatura cospe fogo e as labaredas escrevem BLACK SABBATH.

O show iniciou apropriadamente com a primeira faixa do primeiro disco do Black Sabbath, música que leva o nome da banda. Lenta e pesada, “Black Sabbath” é um bom exemplo do som que consagrou o grupo. A guitarra traz um riff arrastado contendo a famosa “nota do diabo”, um efeito dissonante muito usado no blues e que tornou-se uma característica na sonoridade do Black Sabbath.

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imagem: Cassiano Rodka

O guitarrista Tony Iommi declarou uma vez que a ideia da banda era fazer uma versão musical dos filmes de terror. Se as pessoas gostavam de se assustar assistindo filmes, por que não com música? Assim, os músicos desenvolveram uma forma de tocar que serviria perfeitamente como trilha de um pesadelo enquanto o baixista Geezer Butler se encarregava de escrever letras macabras para assustar os ouvintes na voz estridente do inigualável Ozzy Osbourne .

O show seguiu com o rock funkeado de “Fairies Wear Boots”, deixando claro que Tony Iommi é realmente o pai de todos os guitarristas. Seus riffs graves e solos de guitarra definiram o rock que escutamos hoje, desde Metallica a Queens of the Stone Age. O peso de “After Forever” e “Into the Void”, ambas do Master of Reality, deu continuidade ao desfile de bons riffs. A banda se mostrava afiadíssima e a mixagem da noite estava excelente!

Durante “Snowblind”, única canção tocada do álbum Volume 4, a chuva começou a apertar no Morumbi, o que só deixou o momento mais épico. Ozzy clamava por palmas durante a música: “Come on, let me see your fuckin’ hands!!”. Ao terminar a música, o vocalista vai até o microfone e brinca: “I’m siiiinging in the raaaain”. O apito de um trem deixa claro o que está por vir: a clássica “War Pigs”, uma das grandes músicas do rock de todos os tempos. A performance é certamente uma das coisas mais intensas que já vi ao vivo! O público acompanha a bateria com palmas, canta toda a letra e ainda entoa os solos no gogó em alto volume. Inesquecível!

Seguem dois clássicos do primeiro disco, “Behind the Wall of Sleep” e “N.I.B.” com o público acompanhando com coros de “hey” e palmas ritmadas. Ozzy é um excelente frontman e não deixa ninguém ficar parado por muito tempo. O baixista Geezer Butler é chamado para puxar um solo inicial para “N.I.B.” e faz todos cantarem o riff da música.

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imagem: Cassiano Rodka

A instrumental “Rat Salad” põe em evidência o talento de cada um dos músicos da banda, terminando em um solo de bateria de Tommy Clufetos. No fim do solo, o baterista mantém o som do bumbo anunciando que “Iron Man” está por vir. “I am Iron Man”, canta Ozzy e a galera entoa em uníssono o instrumental da música, que fecha apoteoticamente o set.

No bis, o grupo voltou com “Dirty Women”, única música do disco Technical Ecstasy a ser incluída na apresentação. “Children of the Grave” foi entoada em coro pela galera, o que me fez não perceber que Ozzy estava cantando a música meio fora do tom. Só fui conferir essa gafe após assistir o vídeo no YouTube. Dá nada, Ozzy! A galera ajudou. ;D

O bis final não poderia ser outro: o grande clássico “Paranoid”, uma das grandes músicas do metal, fechou a noite ao som de um dos riffs mais emblemáticos do gênero. Nada mais justo que a música que começou o heavy metal fosse a trilha do funeral mais foda que esse mundo já presenciou!

R.I.P. Black Sabbath!

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imagem: Vito Dall’Agnol Casado