Clarice Dall’Agnol

Música

Say hello to Heaven: Chris Cornell (1964-2017)

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Acordei hoje com a triste notícia da morte de Chris Cornell. Para a minha geração, o músico desempenhou um papel importante, sendo o frontman de uma das principais bandas da era grunge, o Soundgarden.

Como a maioria das pessoas, conheci o grupo através do clipe de “Outshined”, com aquele riffão pesado e a voz rasgada do cantor desfilando em um ambiente industrial em meio a fogo, areia e correntes. Simples e sujo, focando mais na música e na atitude do que em efeitos especiais, como viriam a ser a maioria dos vídeos dessa época.

Cornell se destacava por seu vocal rasgado e agudíssimo, na linha de cantores de rock como Robert Plant. Em contraponto aos riffs pesados e graves da era grunge, a sua voz era melodiosa e percorria grandes distâncias em termos de alcance, se diferenciando dos outros vocalistas da época.

Além de compor excelentes discos com o Soundgarden, o músico ainda despontou em outros projetos, como o clássico Temple of the Dog (como esquecer dos berros impossíveis de alcançar de “growing hungrryyyyyy” do vocalista em “Hunger Strike”?) e, mais recentemente, o Audioslave, ao lado dos músicos do Rage Against the Machine. Chegou a lançar-se em carreira solo, fazendo shows acústicos ao redor do mundo. Tive o prazer de assistir uma desses apresentações em Santiago e me surpreendi com o quanto o músico conseguia fazer apenas com um violão e sua poderosa voz. Sem as muralhas de guitarras, Chris Cornell apresentava suas composições desnudas e elas ganhavam grande força em sua fragilidade. Além de canções de toda a sua carreira, ele ainda mandou belíssimas versões de “Thank You” do Led Zeppelin, “Imagine” do John Lennon e “A Day in the Life” dos Beatles.

Em 2017, o músico havia iniciado uma turnê com o Soundgarden. Depois de um show no Fox Theatre em Detroit no dia 17 de maio, ele teria sido encontrado sem vida no banheiro de seu quarto de hotel. Aparentemente, a última música que ele cantou foi um trecho de “In My Time of Dying” (que ficou conhecida pela versão do Led Zeppelin) encaixada no final de “Slaves & Bulldozers”, cuja letra diz: “Meet me, Jesus, meet me/Meet me in the middle of the air/If my wings should fail me, Lord/Please meet me with another pair/Well, well, well, so I can die easy” (“Me encontre, Jesus, me encontre/Me encontre em pleno ar/Se as minhas asas falharem, Senhor/Por favor, me arranje um novo par/Para que eu possa morrer tranquilo”). Que assim seja. Descansa em paz, garoto!

Literatura

Um caminho

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imagem: José Calimero

Você sempre esteve aqui
Mesmo quando eu te perdi
Quanto mais eu crescia
Menos te reconhecia
Confesso que tive medo de esbarrar em ti
Via o teu rosto em pessoas na rua
Tu eras todos e, ao mesmo tempo,
nenhum
O teu vácuo ia deixando rastro pelo meu corpo
E eu seguia, sem olhar
Procurando por mim e por ti
Mas descobri que
Minha busca termina no mesmo lugar,
No centro de mim,

De onde ela partiu

Cinema

Guardiões da Galáxia vol. 2

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Guardiões da Galáxia vol. 2: A Marvel entrega o que promete

Em 2014 a Marvel já era bem sucedida na sua iniciativa cinematográfica. Os filmes do Homem de Ferro, do Thor e do Capitão América permitiam que a Casa das Ideias se permitisse alguma ousadia. E essa ousadia veio com “Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014). Fazer um filme com personagens completamente lado B da editora (sendo que um deles era um guaxinim e outro uma árvore!!) era ousado. James Gunn aceitou o desafio e o filme foi um tremendo sucesso. Leve, engraçado e colorido, é a apresentação do universo cósmico da Marvel e principalmente uma referência ao adorado Jack “The King” Kirby, talvez o segundo homem em importância na história do Universo Marvel. O sucesso do filme foi uma conjunção de fatores: um roteiro leve e despretensioso, referências pops aos borbotões, personagens carismáticos na medida certa, Chris Pratt na hora exata (até então ele era conhecido como um dublador de animações e pelas suas participações na série “Parks and Recreation”)… Todos deram risada com Drax, todos simpatizaram com Rocket mas, principalmente, todos se encantaram com o personagem de uma frase só: Groot (com a voz de Vin Diesel). Podia dar errado? A DC/Warner com seu “Esquadrão Suicida” que o diga. Mas deu certo. Muito certo. Um filme com potencial imenso de ser cult tornou-se um fenômeno pop.

O segundo filme dos Guardiões, ao contrário do primeiro, foi cercado de muita expectativa. O sucesso do filme anterior deixou James Gunn e sua turma com uma responsabilidade grande da qual, na minha opinião, eles deram conta. “Guardiões da Galáxia vol 2” entrega aquilo que você espera. O elenco original todo está de volta: Chris Pratt (Peter Quill), Zoe Saldana (Gamora), Dave Bautista (Drax) e as vozes de Bradley Cooper (Rocket Racoon) e Vin Diesel (Groot). Nos muitos anos da série nos quadrinhos a equipe dos Guardiões teve várias formações, e o filme nos traz mais alguns guardiões. Yondu (Michael Rooker) e Nebula (Karen Gillan) ganham mais tempo de tela e seus personagens ganham mais profundidade. Além deles somos apresentados a Mantis (Pom Klementieff) e a Stakar Ogord (que não foi chamado pelo seu outro nome, Águia Estelar), uma participação muito bacana de Sylvester Stallone, que transita muito a vontade nesse ambiente de quadrinhos, mercenários e outros quetais. O vilão do filme, dessa vez, é Ego (um spoiler para quem lê os quadrinhos, já que nas HQs ele é “Ego, O Planeta Vivo”), vivido por Kurt Russell.

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Kurt Russell já fugiu de Nova Iorque e de Los Angeles, agora ele é Ego!

O roteiro explora bastante a história de Quill mas também a dinâmica entre os personagens (Quill x Rocket, Quill x Gamora, Gamora x Nebula, Drax x Mantis), o que nos faz criar alguma simpatia até por Nebula, que no primeiro filme era uma vilã quase unidimensional. A sacada de usar Mantis, a empata, como um contraponto de Drax, o cara que entende tudo literalmente, ficou muito bacana. Outra sacada inteligente de Gunn foi dar para a audiência o que ela pediu: um dos maiores xodós dos fãs (e um dos maiores merchandisings, também) do primeiro filme apareceu pouquíssimos segundos e só nos créditos. Não tem problema. Dessa vez Baby Groot tem um filme inteiro para nós gostarmos da sua fofura.

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Sim, todos nós QUERÍAMOS mais Baby Groot!

Escolher Stallone e Kurt Russell para o filme (além das referências a David Hasselhoff) também é uma maneira do diretor brincar com as suas referências pop retrô. No meio do carnaval que cria, Gunn se sente seguro o suficiente para brincar com vários clichês dos filmes do gênero de herói. Um dos vilões do filme, Taserface, que o diga. O diretor foi mais uma vez cuidadoso (e mais uma vez acertou) na sua seleção de trilha sonora, buscando os clássicos escondidos dos anos 70. A trilha sonora de “Guardiões da Galáxia vol. 2” tem tudo para repetir o sucesso da primeira. O grande mérito de Gunn, porém, é não se perder ao contar uma história. No meio do carnaval frenético que os filmes de herói podem se tornar, ele tem a clareza, do início ao fim, de qual história quer nos mostrar.

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Pom Klementieff é Mantis, uma das novidades bacanas do filme

Apesar de todos esses acertos, fica um gosto um tanto estranho no final. Talvez porque uma das coisas que mais empolgou no primeiro filme não esteja ali: a novidade. “Vol. 2” segue o caminho seguro de manter-se nos trilhos criados pelo primeiro filme. Boa parte dos filmes da Marvel, na verdade, tem enfrentado esse problema, que se apresentará com mais força ainda para Gunn num possível “Vol. 3”: há como manter-se fiel à essência sem ficar repetindo mais do mesmo? É a pergunta que queremos ver respondida em vários dos próximos filmes da Marvel, enfim.

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Tchau, Baby Groot!
Quadrinhos

Asilo Arkham – Uma séria casa em um sério mundo

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“A primavera engana muito e o 1º de abril de 1921 é frio. Impiedosamente frio.”

Inspirado pelo mês em que estamos, eu resolvi reler uma das mais clássicas graphic novels do Batman, “Asilo Arkham”, uma história que se passa durante o Dia dos Bobos.

Lançada originalmente em 1989, a revista me pegou de surpresa na época pelo seu conteúdo, tanto textual quanto gráfico. A história criada por Grant Morrison mostra o homem-morcego tendo que enfrentar seus próprios medos e defeitos, mostrando um lado mais humano e, portanto, mais frágil do que estávamos acostumados a ler nos gibis da época. Ao ser chamado para controlar uma revolta dos internos do hospício Arkham, Batman acaba encarando a sua própria loucura. Morrison não poupou o trabalho de buscar diversas referências literárias, além de se utilizar de várias simbologias, resultando em um texto ao mesmo tempo poético e cru.

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Enquanto acompanhamos Batman andando pelos corredores do manicômio e encarando seus vilões e demônios interiores, Grant Morrison vai nos revelando, aos poucos, a história conturbada do criador do famoso asilo, Amadeus Arkham. Assim como os internos que perambulam pelos corredores do local, Arkham também teve que enfrentar momentos de loucura e violência em sua vida. A origem do personagem criada por Morrison acabou se tornando a versão oficial, sendo depois explorada em outras histórias do Batman e servindo de referência para a aclamada série de games do super-herói.

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As imagens criadas pelo inigualável Dave McKean são verdadeiras pinturas, dotadas de um visual perturbador de filme de terror. McKean mistura desenhos com fotografia, dando um toque muito realista a certos momentos da história. Personagens já conhecidos, como o Coringa, são retratados mais assustadores do que nunca e o próprio Batman mostra uma face mais sombria e impiedosa. As cenas violentas são bem gráficas e os vilões são grotescos e perversos. A cada encontro de Batman com um arqui-inimigo, o herói parece encontrar um fragmento de sua própria loucura e as conversas entre eles são muito bem construídas por Grant Morrison. O diálogo de Batman com o Chapeleiro Louco certamente deixaria Lewis Carroll orgulhoso.

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Revisitar “Asilo Arkham” mais de 20 anos depois da minha primeira leitura foi gratificante e só comprovou que é uma das melhores histórias já criadas para desvendar o que se passa na cabeça do homem-morcego. A versão de capa dura lançada em 2016 pela Panini Books traz ainda o roteiro original de Morrison cheio de notas de pé de página esclarecendo várias opções do escritor, e ainda alguns dos layouts criados por ele para servir como guia para Dave McKean.

Literatura

Canção folk

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imagem: Cassiano Rodka

Sou como uma canção folk. Simples e desnudo, me exponho a quem quiser me enxergar. Tenho meu coração estatelado no chão, transeuntes no celular. Meus dedos beliscam as cordas na tentativa de te acordar. Meus acordes ninguém escuta, mas eles seguem a cantar. Capturo o sol, vou de ré, que dó que dá. Meu si é sempre menor, minha canção eu sei de cor. Levo nas costas o violão, à espera de um trem que talvez nem venha me buscar. Passo no rádio da senhora, não no streaming do rapaz. Estou refletido nos teus óculos, ricocheteando no teu olhar. Os tempos são outros. Os outros, nem aí. Um dia, eu fui. Hoje, eu vou.

Se perdeste o trem onde eu estou, nosso momento já passou.
Lá de longe, eu sigo reto. Novo show.

Literatura

Orange juice and vodka (or the constant storm inside me)

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imagem: Cassiano Rodka

To my mind, the queen of it all.
And to Sylvia Plath, who taught me how to be confessional.

It’s on me
for a long time
but nobody knows it or
can’t figure it out.
I acknowledge it for sure,
though.
Dirty words?
Pardon my French, little girl.
Filthy hands, heart, soul, mind? Always knew it –
I wanted to fly
Far far away
I’ve got the wings,
plenty of desire,
But couldn’t get the courage
or the power.
Now, don’t want it anymore:
I’ve mastered you, finally.
I’m comfy and calm.
Not numb anymore.
Make a wish:
Twinkle, twinkle,
Starman.
You’ve abandoned me in the middle of the war –
No rescue.
I lie here,
Dead, stiff and cold
(But my bloody Purple Heart still beating, sweating, swearing)
And I can completely absolve
your absences.
Do you hear me?
Your Majesty,
embrace me.
It’s now or never?
Forever.
Hate ultimatums.
You’re alive as well.
(Seemed dead, but you’re back).
Love refreshing news,
Pieces of winter,
No man’s land.
Rephrase it.
Decipher me:
I got you,
You no longer control me,
But you think you still do.
I can hear the birds, and the sea,
and the ice in my glass melting.
And I feel sleepy and devastated
like any other mom.
Allow me the benefit of the peace
(of mind).
You fool.

Piras

Do cheesecake

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imagem: Cassiano Rodka

A minha família tem um lance com comida. Primeiro, a gente gosta de comer; segundo, a gente gosta de experimentar. Isso quer dizer que a gente acha igualmente maravilhoso comer a modesta uva da parreira dos meus pais ou os esquisitos e complexos caracóis espanhóis apresentados pelo meu cunhado. Vale tudo.

Há diferentes tipos de cozinheiros nessa família, mas todo mundo faz alguma coisa – italianada, né non? Seja a minha dinda com seus pratos de alta gastronomia, seja a minha avó com sua simplicidade. Minha mãe faz aquelas refeições do dia a dia que tem um gosto especial, a ponto de, quando eu morava com ela, preferir sempre levar marmita de casa a comer em qualquer restaurante. Até minha sobrinha já tem o seus quitutes pra entrar no jogo (nossa, que brownie, senhoras e senhores!). Tem também aqueles pratos tradicionais que levam o nome do autor, tipo o churrasco do Carlos ou o churrasco da Isa (disputa ferrenha, não sei se alguém sairá vivo disso); a salada de batata do tio Ekke; o bolo da Mema.

Enfim, tem o cheesecake da Brunna. O meu cheesecake, fruto de uma fusão de receitas que aprendi e adaptei durante alguns anos, tem base de bolacha de água e sal (juro que fica ótimo!), recheio de ricota e cobertura de goiabada. Mesmo sendo incrível na versão “original”, ele aceita adaptações: uma vez fiz uma base com avelã e cobertura de amora que gzuz – meu coração para só de lembrar daquele sabor. Mas, ainda, prefiro o tradicional de goiabada. Simples. Caseiro. Perfeito.

Esses tempos dois amigos meus casaram e fizeram uma cerimônia íntima, para qual eu presenteei um cheesecake de morango. Sim, eu dei comida. Pra mim foi um presente lindo, que eu amei fazer e me coloquei nele. Para outras pessoas talvez fosse um presente pobre, sem graça. Mas, aí, podemos trazer o Piaget na obra Estudos Sociológicos discutindo o valor que cada um dá para um ato. Pra mim, cozinhar pra alguém é algo muito intenso. Não é apenas o “comprar as coisas e seguir a receita”, começa por escolher o que se quer fazer e isso não é nem um pouco óbvio! Além de pensar nas restrições alimentares, tem a alma, o contexto, a vontade. Passa por pensar nos ingredientes e escolher onde é o melhor lugar pra comprar cada um deles. Então, o momento divino: colocar as mãos, a energia naquelas coisas que, sozinhas, talvez não tenham muita graça, mas que, juntas, constituem algo novo e surpreendente!

Aquele cheesecake que dei para meus amigos teve meu tempo – algo bem importante e escasso pra mim. Teve geleia de morango feita em casa, com frutas especialmente compradas de produtores locais porque eu sabia que o gosto era diferente. Teve sorriso enquanto eu fazia e a expectativa da alegria do recebimento. Teve cuidado. Cozinha tem muito disso: cuidado do outro e do próprio ser – não é à toa que minha pasta do Pinterest sobre comida se chama “Corpo e alma”. Esses dias um amigo me proporcionou o prazer de comer o seu cheesecake com sabor de tudo isso: do cuidado, da celebração, da amizade, do carinho. Tinha também gosto de chocolate, baunilha e cereja, realmente uma orgia na minha boca.

É, às vezes só o que a gente precisa pra alimentar o corpo todo, se sentir em casa e saber que está tudo bem é um pedaço de cheesecake.

Música

Introduce Yourself – 30 anos

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O segundo álbum do Faith No More está completando 30 anos neste mês de abril. “Introduce Yourself” foi o último disco com o vocalista Chuck Mosley e abriu as portas para o som que surgiria no seu sucessor, o aclamado “The Real Thing”.

Com a música “We Care a Lot” tocando nas rádios alternativas, o Faith No More conseguiu firmar um contrato com uma grande gravadora, a Slash Records. Assim, a banda entrou em estúdio com o intuito de gravar um novo disco que ampliasse o seu alcance.

“Introduce Yourself” é um disco bem mais alegre do que o seu antecessor, “We Care a Lot”, que trazia um som pós-punk com clima gótico e industrial. Em seu segundo álbum, a banda estava certamente procurando um público maior para as suas canções, o que possibilitou o surgimento de músicas mais pop, como o single “Anne’s Song” e a faixa de abertura “Faster Disco”. O clima mais sombrio e pesado ainda permanece em músicas como “Blood” e “Spirit”. Algumas canções foram mantidas nos setlists dos shows mesmo depois da saída de Chuck Mosley da banda. É o caso de “The Crab Song”, “Chinese Arithmetic”, “Death March” e “Introduce Yourself”, que são sempre muito bem recebidas pelos fãs mais ávidos.

A turnê de divulgação do disco foi um pouco conturbada, já que Chuck aparecia bêbado em alguns shows ou, pior ainda, simplesmente não dava as caras. Reza a lenda que o cantor dormiu no palco durante o show de lançamento do álbum. Ele acabou sendo chutado e substituído no ano seguinte por Mike Patton.

Comparando “Introduce Yourself” com o sucessor “The Real Thing”, dá para sentir que a banda já estava seguindo um novo caminho, menos dark e mais acessível. Nem por isso menos estranho. De todos os álbuns do Faith No More, que sempre foram muito diferentes uns dos outros, acho esses dois os mais próximos. Com exceção do vocal, o universo das canções não é tão distante, como se “Introduce Yourself” fosse realmente um cartão de visitas de uma nova fase.

A Slash Records já relançou todos os discos da banda em versão deluxe, com exceção do nosso aniversariante do mês. Vamos torcer que a gravadora reconheça o valor desse clássico do Faith No More e nos presenteie com uma versãozinha esperta até o fim do ano.

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