Clarice Dall’Agnol

Piras

Apresentação ou Das trocas interpessoais no transporte coletivo

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imagem: Cassiano Rodka

Sempre me intrigaram as relações criadas no espaço-tempo de uma viagem de ônibus. Tem algumas pessoas que a gente vê mais do que a família, mas com quem nunca conversamos. “Puxa, a menina do cabelo vermelho não veio hoje, será que ela está bem?”. “O carinha com a bolsa da Engenharia está estudando, hoje deve ter prova de Cálculo”. Aí cê não sabe se cumprimenta aquela pessoa, correndo o risco de parece psicopata; ou não fala nada e passa por grossa. Mas vai dizer o quê? “Oi, moça do casaco bonito!”. Complexo.

Tem, também, aqueles amigos de infância de uma viagem, que compartilham suas mais variadas histórias e, de repente – não mais que de repente – se vão na próxima parada. Esses eu já conheci muitos, acho que tenho cara de simpática, sei lá. Desde o cobrador que queria me convencer que sou parente da Fernanda Lima (oi?), até a moça que me contou toda a história do relacionamento dela com um fulaninho da high society porto-alegrense. Passei maus bocados com um homem que ofereceu dinheiro pra ver meu corpo (é, essa não foi legal) e me diverti horrores com uma velhinha moralista.

O ônibus também é o lugar em que mais encontro ex-alunxs (e que coisa bem boa ver xs nenês do ensino fundamental ou médio indo para a universidade!). Fico sabendo das novidades e descubro os rumos que tomaram (ou não). Uma vez encontrei uma ex-aluna numa vibe mega hippie completamente descompassada com a escola em que fui sua professora no Ensino Médio. Ela me falou sobre energia, encontros, sua música e sua arte. Não era boa em Matemática, mas tem uma voz sensacional. Ela está muito bem, obrigada. Naquele momento repensei vários aspectos do ser professora, dos saberes necessários para uma vida digna, da escola como formação de um cidadão crítico… mas isso fica pra outra história.

Peraí, por que mesmo estou falando sobre isso? Ah sim, as relações. Afinal, talvez eu não tenha cara de simpática, mas, sim, cara de quem quer fazer trocas. Trocar saberes, histórias, risadas e – por que não? – energia. Talvez seja isso, no fim de tudo, o que me move: esses compartilhamentos, essas trocas, essas relações. Essas que ocorrem no ônibus, mas também as da sala de aula, da mesa do bar, da cama (ui!). Sejam as de fala mansa, as de tom mais alto ou as em silêncio. O que importa é que troca implica mais que um. Precisa de outro para meter o raio problematizador ou falar sem parar até você dizer chega. Precisa de pessoas.

Então, tá. Acho que esse é o ponto. Muito prazer, eu sou a Brunna e estou aqui para falar sobre gente.

Quadrinhos

Quadrinhos

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Fiquei muito feliz quando recebi o convite do Cassiano Rodka para dividir com ele esta coluna sobre quadrinhos no PáginaDois. Nós já compartilhamos bebedeiras, já estivemos juntos numa banda e agora somos parceiro de coluna. Só espero conseguir estar à altura do desafio de dividir esta coluna com ele.

Minha paixão por quadrinhos começou muito cedo. Como boa parte dos brasileiros de minha geração (e de várias posteriores), eu fui alfabetizado com gibis da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa talvez não imagine a importância que ele tem no desenvolvimento do gosto pela leitura em gerações do nosso país.

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O meu “salto” para as HQs se deu na primeira metade dos anos 80. Recentemente fiz um levantamento mais completo de tudo que eu tenho e acredito que meu gibi mais antigo seja um Almanaque do Capitão América de 1982. Já de 1984 e 1985 há várias edições de Superamigos, Heróis da TV, Novos Titãs e Superaventuras Marvel. Acompanhei o crescimento, a explosão e o fim da Editora Abril como autorizada para publicar Marvel e DC no Brasil. Nesse caminho tive a oportunidade de acompanhar o Quarteto e o Superman de Byrne, o Demolidor de Miller, a Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis, os Titãs de Wolfman e Pérez. Acompanhei o Homem-Aranha na época do romance com a Gata Negra. Acompanhei com entusiasmo as publicações no Brasil de sagas como as primeiras Guerras Secretas (que foram publicadas por aqui com cortes e edições absurdas). Chorei feito um desesperado durante a Crise nas Infinitas Terras com as mortes do Flash e da Supergirl (numa época dos quadrinhos em que as mortes eram um pouco mais definitivas do que hoje). Tudo isso, é claro, no famigerado formatinho que mutilava as histórias e não deixa saudade alguma.

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Durante muito tempo o foco da minha coleção foram os X-Men, “perseguidos e odiados por um mundo que juraram proteger”. Comecei a acompanhar o grupo aqui no Brasil durante aquele que talvez seja o melhor momento da equipe, a dobradinha Claremont/Byrne. A chegada de Kitty Pryde na equipe, os Dias do Futuro do Passado (e a capa icônica que nos fazia ficar imaginando como os X-Men haviam sido presos ou mortos), a volta no tempo de Rachel Summers. Quando a franquia “X” começou a crescer, cresceram também minhas possibilidades financeiras e eu podia acompanhar o X-Factor, a X-Force, o Excalibur e tudo mais que tivesse o emblemático “X” na capa. Inclusive a mensal do Wolverine, sempre com certa relutância já que nunca foi meu personagem preferido.

Com a passagem de bastão da Abril para a Panini houve um salto de qualidade nos quadrinhos Marvel e DC publicados no Brasil. Os formatos passaram a ser respeitados assim como o destaque aos roteiristas e desenhistas. Já adulto pude me dar ao luxo de assinar os pacotes e acompanhar fases excelentes. A Panini nos trouxe o renascimento da Marvel com a linha Ultimate (no Brasil, Millenium) e apostou alto publicando excelente material em “Marvel Max”, onde tivemos o Esquadrão Supremo, Alias e outras séries que acabaram sendo minha “introdução” nos quadrinhos mais adultos, meio que tardiamente. Daí pulei para coisas da Vertigo e da Wildstorm que tinham passado reto por mim e que tive o prazer de resgatar, como “Sandman”, “Y: O Último Homem” e vários outros.

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A partir de 2011 minha vida mudou bastante, em função das mudanças constantes de CEP, e parei de comprar as revistas mensais. Além da dificuldade de manter as coleções, pesou também a enorme oferta que existe hoje no Brasil dos encadernados de luxo, que nos permitem ter com capa dura e altíssima qualidade uma quantidade muito grande de títulos. Se vou ocupar minhas prateleiras com os encadernados fatalmente vai acabar faltando espaço para os velhos volumes grampeados…

Enfim, os quadrinhos cresceram comigo. Se quando eu comecei com eles (mais de trinta anos atrás!!), eram um produto com um nicho de consumo bem específico, hoje em dia tornaram-se um fenômeno pop. Batman, Homem de Ferro, Capitão América, Demolidor, Wolverine e até Jessica Jones podem ser encontrados em filmes, seriados, camisetas e lancheiras por todos os lugares. O que eu acho disso? Acho muito bacana. Acho muito bom que mais crianças possam soltar a sua imaginação e voar com o Lanterna Verde, pular pelos telhados como o Demolidor ou lutar contra o preconceito como os X-Men. Acho um barato acompanhar essa maçaroca que a cultura pop está se tornando, com filmes e seriados baseados em HQs e influenciando brutalmente as editoras nos quadrinhos.

O que esperar de mim neste espaço? Vou falar de coisa velha. Vou falar de quadrinhos que passaram. Mas de vez em quando posso falar sobre novidades também. E o que vai ter sempre, por aqui, é aquele encantamento, aquele brilho nos olhos do menino que ia ao supermercado com o pai só para, na hora da saída, levar uma revistinha para casa. Marvel, DC, Vertigo, Image, Wildstorm e o que mais aparecer, também…

Literatura

Encontrado na praia

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imagem: Cassiano Rodka

Entre o mar e a cidade, havia um homem. Prostrado na areia, olhando adiante. Ele não estava aqui, nem lá. Habitava um não-lugar. Não era parte da paisagem urbana ou da metrópole do oceano. Os dedos dos pés agitavam-se entre os grãos, afoitos pelo movimento. A brisa batia leve, sem direção exata. O som das gaivotas questionava sua presença. Os pensamentos vagavam por entre as tatuíras e escondiam-se – misteriosos – debaixo das conchas. Sua sombra agigantava-se às costas sob o sol nascente. Seu reflexo desconstruía-se à frente no vai-e-vem das ondas.

Havia o mar. Havia a cidade. Entre um e outro, um homem foi encontrado na praia.

Literatura

Sozinha

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imagem: José Calimero

por Marcella Marx

Ouço o canto dos pássaros
Calando dentro de mim

Quando só
Sinto as ondas chocando-se contra o meu sangue
E o vento correndo pelas minhas veias
Ouço o burburinho do silêncio
E sua infinita possibilidade

Em sendo só
Sou o voo
Sou a persistência das ondas
A inconstância do vento
Sou plena inquietude

Literatura

Perene

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imagem: Cassiano Rodka

“Chovi amor
‏em pessoas
‏que preferem telhados”

‏(Zack Magiezi)

‏A Vinicius, meu grande poetinha.

‏Li este mini poema do Zack Magiezi, e pensei, “Prefiro chover”. Mil vezes. Milhões de vezes. Prefiro dar e declarar todas as formas de amor que conseguir. Gosto de doação, de palavras, de sentir o coração ardendo. Gostei do amor desde pequenina. E só depois de ler o poema do Zack me caiu a ficha (e eu detesto esta expressão!). Não é por acaso que me tornei poeta. Claro que não. Eu gosto de sentir muito, para poder escrever muito. Poeta que não ama sem limites não é poeta, ora pois… Tenho certeza de que mestre Vinicius pensava assim: saravá, “poetinha”!

‏Gosto de histórias. De ouvi-las, primeiramente. E depois, de contá-las. Creio que foi esse amor pela beleza dos mais singelos aos mais complexos relatos que me tornou escritora e professora. Eu ouço há anos as deliciosas histórias de amor dos meus alunos, amigos e familiares. Ouço quietinha, às vezes dou minhas modestas opiniões, e logo fico imaginando como posso contar aquela história sob meu olhar. Adoro isto. Amo os poemas e as histórias fazendo ninho em mim, amadurecendo aos pouquinhos, para depois saírem de mim todas lindas, cheias de detalhes e mistérios…

‏Eu mando cartas e bilhetes, eu digo sempre o que sinto, eu peço desculpas quando necessário, eu me dôo, eu aconselho, eu me desdobro em mil para ajudar quem eu estimo: eu não apenas “chovo” amor, eu armo grandes tempestades: e me sinto muito bem com isto. Nunca irei me arrepender de todo amor que já chovi. Nunca.

‏E é por isto que preciso continuar sempre amando: para seguir escrevendo e me doando, “eternamente, enquanto eu dure”, fazendo muita tempestade, que jamais será em copo d’água.

Cinema

Gene Wilder (1933 – 2016)

por Pedro Cunha

O cinema ficou mais sério essa semana. Num ano que tem sido particularmente severo com os fãs da sétima arte, ficamos sem Gene Wilder no último dia 29. Gene Wilder nasceu em 1933 em Milwaukee. Depois de alguns trabalhos para a televisão, Wilder estourou aos 34 anos, em “Primavera Para Hitler” (The Producers, Mel Brooks, 1967), uma comédia musical escrachada que ridicularizava o nazismo em uma época em que falar sobre o assunto era muito mais polêmico do que hoje. Wilder faz um produtor que tem a ideia genial de ganhar dinheiro fazendo uma peça fracassar. O assunto escolhido não poderia ser melhor: um musical sobre Hitler. Wilder foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel, e a partir dai tornou-se um dos bons atores de comédia de Hollywood. Sem jeito de galã, seus olhos claros e cabelos encaracolados marcaram os risos de uma geração. O humor de Wilder não era a comédia escrachada, mas um humor humano que nos fazia rir com ele.  E até por isso o ator talentoso que ele era, apesar de sempre ser referenciado pela comédia, também encantou e comoveu em outros momentos. Gene Wilder será sempre lembrado como um dos grandes da comédia, mas era muito mais que isso. Aqueles olhos azuis, no meio dos momentos mais engraçados, ainda assim nos comoviam porque passavam humanidade e um bocado de tristeza também.

Minha homenagem fica na forma de indicações. Cinco indicações para você conhecer, relembrar ou celebrar Gene Wilder:

1) O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, Mel Brooks, 1974)

Depois de “Os Produtores” Wilder desenvolveu uma longa e feliz parceria com o diretor de comédias Mel Brooks. Nesse filme, hoje um clássico cult, Brooks e Wilder revisitam a tradição do cinema de monstros de Hollywood em mais uma versão do clássico inspirado na obra de Mary Shelley. Todos os clichês do gênero estão lá: o ajudante corcunda, o castelo, a dama em apuros, a noite de tempestade… mas tudo retratado com o clássico humor nonsense de Brooks. Wilder vive uma versão histriônica e hilária do famoso médico obcecado por levar vida a um amontoado de partes de cadáveres.

2) O Pequeno Príncipe (The Little Prince, Stanley Donen, 1974)

Se é necessário comprovar a versatilidade de Wilder, eu recomendo a versão mais clássica do livro de Saint-Exupéry, o filme de Donen de 1974. Os olhos tristes de Wilder estão lá, como um dos personagens mais significativos da trama, a raposa. É ele que pronuncia a clássica frase preferida das mises: “Tu te tornas eternamente responsável por aqueles que cativas”. O filme é interessante pela opção de que os animais sejam representados por pessoas, diferentemente do que seria feito hoje, provavelmente. Acho difícil uma animação ou CGI que conseguisse a mesma expressividade no olhar que Gene Wilder passa para nós.

3) A Fantástica Fábrica de Chocolates (Willy Wonka & The Chocolate Factory, Mel Stuart, 1971)

Esqueça Johnny Depp. Esqueça o videoclipe autorreferente de Tim Burton. Esse filme é the real deal. Uma fábula moderna cheia de tristeza e centrada em um personagem, o Willy Wonka de Gene Wilder. Os trejeitos, a leveza ao se mexer e, mais uma vez, a tristeza no olhar criaram o personagem que Deep depois copiou (sem o mesmo brilho, eu diria). Em “A Fantástica Fábrica de Chocolates” ainda temos a oportunidade de ver Wilder cantando, já que o filme é um musical.

4) A Dama de Vermelho (The Woman in Red, Gene Wilder, 1984)

Nos anos 80, crianças, nós não tínhamos TV a cabo ou Netflix. Não tínhamos a opção de assistir filmes legendados e tínhamos uma oferta de filmes muito, muito menor do que a que existe hoje. “A Dama de Vermelho” foi um filme da Tela Quente, a sessão nobre de cinema da Globo nas noites de segunda-feira, depois da novela. Era o espaço destinado aos melhores dos melhores. “A Dama de Vermelho” foi daqueles filmes que passaram muitas vezes na Tela Quente e depois na Sessão da Tarde. Talvez por isso eu tenha ainda, a memória afetiva sobre esse filme de ele ser muito mais importante do que de fato ele é (se bem que alguma importância, na época, ele deve ter tido, já que “A Garota de Rosa-Shocking” foi um título claramente chupado de “A Dama de Vermelho”, para um filme adolescente que se chamava “Pretty in Pink” (Howard Deutch, 1986), enfim).

Wilder além de estrelar também dirigiu “A Dama de Vermelho”, onde ele interpreta um cara comum que fica completamente transtornado ao ver, por acaso, uma linda mulher se divertindo numa saída de ar do metrô, numa cena que lembra Marylin Monroe (E cá entre nós: era a Kelly “Weird Science” LeBrock, uma das maiores musas da década de 80… quem não ficaria?). A partir dai os caminhos dos dois começam a se cruzar, o que acaba deixando o personagem de Wilder transtornado, já que ele era casado. “A Dama de Vermelho” levou o Oscar de “Melhor Canção Original” com “I Just Called To Say I Love You”, de Stevie Wonder.
(Viajar por cenas desse filme é também lembrar como os anos 80 foram crueis com os cabelos femininos. Quando é que alguém achou que PERMANENTE era uma boa ideia, meus deuses???)

5) Cegos, Surdos e Loucos (See No Evil, Hear No Evil, Arthur Hiller, 1989)

Para mim é o filme mais marcante de Wilder. Lembram o que conversamos sobre a TV nos anos 80? Pois então, o SBT repetia os filmes AINDA MAIS do que a Globo, e esse era um deles. Dave, o personagem de Wilder, é cego. Wally (vivido por Richard Pryor) é surdo. Ambos são as únicas testemunhas de um assassinato, tendo o cego escutado e o surdo visto o que aconteceu. A polícia os despreza enquanto testemunhas, mas os assassinos não estão dispostos a correr riscos e decidem acabar com eles. A única saída para os dois é trabalhar juntos para solucionar o caso e prender os seus perseguidores, o que gera uma série de situações hilárias.

É interessante saber que Wilder recusou esse roteiro duas vezes e estava disposto a fazê-lo uma terceira, em função de um tratamento que ele considerava ofensivo aos cegos e aos surdos. Acabou aceitando um acordo no qual ele e Richard Pryor mexeram em todo o roteiro, sendo inclusive creditados por isso. Para uma geração de crianças/adolescentes do início dos anos 90, Dave, o surdo, acabaria sendo o personagem mais marcante de Gene Wilder. Vida longa a ele, eternizado na celuloide e em algumas de nossas memórias queridas!

Música

O jazz majestoso de Kamasi Washington

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Kamasi Washington não poupou esforços em seu primeiro disco solo. O saxofonista norte-americano reuniu 14 músicos, uma orquestra de 9 integrantes e um coro de 14 vozes (que inclui a cantora brasileira Thalma de Freitas) para dar vida a um jazz psicodélico e grandioso, que parece ligar os pontos de onde o gênero já esteve no passado com a sua atuação no presente.

Apropriadamente intitulado “The Epic”, o disco triplo traz composições monumentais que englobam improvisos jazz com orquestrações cinematográficas e vocalizações pop anos 50.

Já tendo participado de discos de artistas de universos variados, como Stanley Clarke, Chaka Khan e Kendrick Lamar, o músico aprendeu a transitar por uma variedade de gêneros com muita naturalidade. É difícil não pensar no jazz fusion de Miles Davis.

O tema do álbum foi inspirado em um sonho recorrente do saxofonista: um guarda protege um enorme portão à espera de um guerreiro que o derrote e tome o seu lugar. Além de transformar o sonho em melodia, o músico promete que a história será lançada em formato graphic novel.

Com quase três horas de duração, “The Epic” vai na contramão de qualquer obra musical atual, convidando o ouvinte a parar para escutar as músicas e mergulhar fundo nas suntuosas melodias.

Se esse é apenas o primeiro passo de Kamasi Washington, eu mal posso esperar o que vem pela frente.

Literatura

Disposed

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imagem: José Calimero

por Marcella Marx

Close the cage while you’re still
In there
We can’t risk you flying away
Out there
In the plains
The seven seas
Mountain tops
Too many colours, buzzes, scents
Winds blowing voices

– Who said I wanted to have choices? I want to follow you down this single path? You know I could?

Shh
Close your eyes now
Don’t mind us
We’ll put our hands over your ears
And sing you a lullaby.

“Twinkle twinkle little star, how I wonder what you are…”

When it’s done,
We’ll keep the key
And it will be just like it was before
When she didn’t even know
This cage existed.