
Nado de braçadas
nada alcanço
logo esqueço
as bordas
que me limitam
da vida
ou da morte
que estão ali
adiante
lugar que nunca
fui
Site da escritora Clarice Dall'Agnol

Nado de braçadas
nada alcanço
logo esqueço
as bordas
que me limitam
da vida
ou da morte
que estão ali
adiante
lugar que nunca
fui

Por lançar palavras contra a correnteza
E enxergar beleza na ponta da lança
Um passo à frente, um mundo adiante

No es la luz
Lo que importa en verdad
Son los 12 segundos de oscuridad
12 segundos de oscuridad
(Jorge Drexler, “12 segundos de oscuridad”)
Não me chamando pelo meu nome,
Mas ressignificando Drexler,
Com a magia daqueles doze segundos de escuridão.
O que me cativa é o farol:
Altivo,
Faminto,
Decidido,
(Revelando toda a tenra e voraz vontade).
Enfeitiçando,
De Tolstoy (aquela página de Anna Karenina)
a Dostoiévski (as impressões sobre Ivan Ilich),
E com as respostas secas e curtas, misteriosas
– sorriso largo, porém,
E milhões de histórias que tentam ocultar a ansiedade.
E com nome de vinho sofisticado
(E então sorvendo a inebriante juventude).
Sem planejamento,
Desejando só viver intensamente
(E há coisa melhor?),
Exigindo estar em primeiro lugar.
Ouvindo as minhas narrativas:
E eu só desejava respirar várias e várias diferentes histórias,
Para hoje expirar esse poema.

O grande mistério
o tempo que passa
eu passageira
fico sem compreender
nada

Olho para trás
Há um pedaço de passado
escondido entre as montanhas
Chamam de civilização
Olho para os lados
Há construções de pedra
separando povo e divindades
Chamam de religião
Olho para dentro
Há um sentimento vasto
entrançado em fascínio e desengano
Chamo de revelação
E enfim olho para a frente
Há uma névoa ocultando um caminho
bifurcado entre o legado e a esperança
Chamo de decisão

Olha em frente
e acalma.
Respira a água.
Sente o azul
te molhar.
Vive o tempo.
Esquece
de girar.
Escuta a garoa.
Mergulha
nas nuvens.
Solta o
teu corpo.
É simples.
Paira a alma.
Demora a mente.
Cessa na beira.
E te invade de mar.

Hoje acordei
em setembro de 2022
e eu ainda estava pensando
nas mesmas coisas
de início de janeiro
fiquei olhando para meus pés suspensos
antes de descer da cama
incrédula
o que teria acontecido
durante todo esse tempo
onde eu estive
o tempo
todo
?

Um grão de areia no deserto.
Uma gota exposta ao sol.
Se o infinito é um segundo,
Pinto e invento um novo mundo.

Faz parte.
De todo.
De nada.
Em tudo.
Em mim.
Em ti.
Em nós.
Nós.
Segredos,
revirados no
asfalto.
Virou pedra.
Acimentado
estará.
Já nada
corrói.
Faz parte.
Em parte.
Já parte.