
Tudo que me que toca
é profano
o que me leva
além
é errado
perfeito pecado
vivo erros
tropeços
trôpega, equivocada
acho meu compasso
fora do tempo
exato
Site da escritora Clarice Dall'Agnol

Tudo que me que toca
é profano
o que me leva
além
é errado
perfeito pecado
vivo erros
tropeços
trôpega, equivocada
acho meu compasso
fora do tempo
exato

É como um berro que desagasta a voz.
As palavras vão ficando magrinhas,
quebradas, inaudíveis.
A camisa não cabe mais,
o sorriso não abre mais,
eu espero que acabe, mas…
Uma espiadela para trás.
Um carinho no talvez.
E bye bye!
É o capítulo final.
Um salto mortal.
A batata tá sem sal.
Um presente perfeito
para o eu do passado.
Obrigado!
Mas vai
Que essa era
já era.

São as luzes
As cores
As vozes
Que a minha alma
procura
e busca
e encontra
aqui
Neste lugar
Na tua sala
Estar

sou meu algoz
prolongo
cada espasmo
da dor
culpada, me jogo
pequena a um canto
de mim mesma
por ali fico
a procurar uma brecha
que me deixe, sair
livre e espontânea
em um quase
sorriso

Suzette ou o grande amor é uma das HQs mais bacanas que li neste ano! Escrita e ilustrada pelo quadrinista francês Fabien Toulmé (autor de Não Era Você Que Eu Esperava, Duas Vidas e A Odisseia de Hakim), a história acompanha a relação entre Suzette e sua neta, Noémie. Enquanto Suzette acabou de perder o seu marido, Noémie está no início de um relacionamento. E é essa diferença entre as visões de cada geração sobre o amor e a vida a dois que guia a narrativa, criando diversos momentos de reflexão muito interessantes. As ilustrações são ótimas, os diálogos são excelentes e faz a gente pensar bastante nas nossas escolhas.


Sinto que amadureci
o tempo.
Desacelerei
no ar.
Afinal,
suspiro o delírio,
enquanto vocifero luz.
O ponteiro
reluz.
O segundo
seduz.
Ao passo que lento
reparo e repasso
em termo.

Tudo que eu gosto
me aproxima do fim
tento evitar
o inevitável
e levar uma vida
linha reta
sem desvios
erros
sigo, ponta firme
na direção
certa
desgostosa
do futuro
insosso
da conformidade

Não acredito no horizonte
Sei que tem algo mais adiante
Fingindo-se de distante

Jogo as palavras
no ar.
Respiro pele em
cimento.
Que tempo.
Jogo o copo.
Bebo vento.
Acredito no
tempo.
Em tempo.
Já é tempo.
Já se foi o
tempo.
Engulo seco
a dose.
Enquanto rompo
em overdose.