Clarice Dall’Agnol

Quadrinhos

Revisitando “Maus”

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                Nunca foi tão fácil ler quadrinhos no Brasil. Numa passada rápida pela seção “geek” da sua livraria preferida ou numa busca pelo site da Amazon você encontra fundamentalmente tudo: dos clássicos, como “V de Vingança” (Alan Moore) e “O Cavaleiro das Trevas” (Frank Miller), aos lançamentos que ainda estão rolando, como “Saga” (Brian K Vaughan). Editoras estão lançando os comics indispensáveis da Marvel e da DC, mas também o Conan de Robert E. Howard, os clássicos Disney de Don Rosa, os melhores trabalhos de Moebius e os principais lançamentos contemporâneos. Tem quadrinhos para todos os gostos! O problema é que são tantos que muitas vezes o leitor pode se perder naquele mar de opções e nem saber por onde começar.

                Se você procurar qualquer lista dos “melhores quadrinhos de todos os tempos” e não quiser se enredar em cronologias complicadas de heróis com mais de 50 anos, certamente irá se deparar com “Maus”, de Art Spiegelman. O quadrinista nova-iorquino conta a história do seu pai, um sobrevivente de Auschwitz, desde a ascensão do nazismo até o fim da Segunda Guerra. Spiegelman narra a vida de seu pai fazendo uma analogia com animais, retratando os judeus como ratos, os alemães como gatos e os poloneses como porcos. Os franceses são sapos, os norte-americanos são cães e assim por diante. O traço ao mesmo tempo simples e detalhista do quadrinista nos mostra como, na Alemanha, a vida dos judeus foi gradativamente se tornando um inferno e a sobrevivência, acima de qualquer coisa, se transformou na única prioridade possível.

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                “Hmmm, Pedro, mais uma história de sobrevivente da Segunda Guerra? Já não vimos isso?”. Pois é. A primeira vista pode parecer que “Maus” é mais uma narrativa sobre a Segunda Guerra.  O que torna a obra genial é justamente o que ela tem além disso: “Maus” é o relato de um filho tentando se conectar com o pai, tentando conhecer mais sobre si mesmo pela história do próprio pai e de sua mãe. Art Spiegelman conta duas narrativas: a brava sobrevivência de seu pai aos horrores da Guerra e, ao mesmo tempo, as conversas que teve com ele para conhecer melhor essas memórias, durante as quais ele compreende melhor a trajetória paterna e faz alguns questionamentos interessantes sobre si mesmo. Essa meta-história é o que faz “Maus” uma HQ diferente e única. O autor nunca faz isso de forma direta, mas nitidamente consegue ligar as etapas diferentes da biografia do pai, percebendo como ter passado pelos horrores do holocausto deixou sequelas nele até o fim de sua vida.

               “Maus” foi a primeira história em quadrinhos a vencer o renomado prêmio Pulitzer nos EUA em 1992. Originalmente publicada em dois volumes, o início do segundo tomo mostra as dúvidas e as agruras do autor depois do lançamento do primeiro livro (e do falecimento de seu pai, que aconteceu nesse intervalo também).

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                Eu li “Maus” pela primeira vez aos 18 anos, emprestado de um colega de faculdade (Obrigado, Camilo!!). Aproveitei essa (saudável) “moda” de quadrinhos para ter “Maus” na minha coleção e recentemente reli a obra com cuidado e atenção. “Maus”, nessa segunda passada, foi ainda melhor do que foi na minha juventude. A história de Art e seu pai, Vladek, me tocou de forma ainda mais profunda. “Maus” não é só uma história sobre o holocausto e os horrores humanos, mas é, principalmente, uma declaração de amor de um filho tentando se conectar com seu pai.

Literatura

Rua Dr. Barros Cassal

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imagem: Cassiano Rodka

Da janela que dá para o infinito
(aquele que está por vir)
Vejo o cinza óbvio da cidade
(Tão óbvio quando esse verso tolo)
Cidade minha da infância, antes tão grande, hoje tão pequena.
Vejo esses prédios sufocantes
(Me sussurrando segredos, sugerindo rebeldias)
Mais ao longe vejo o rio,
Que, dizia meu livro de geografia,
na realidade era um lago.
(Sempre preferi chamá-lo de rio)
Vejo os vizinhos e suas sombras cheias de cor e movimento
(Imagino suas histórias, e elas se debatem no meu ser precocemente pré-adolescente)

Da janela que dá para dentro
(De mim)
Vejo todas as aquelas histórias que criei sobre os vizinhos cinza-coloridos.
Vejo uma magrela tímida,
Vejo sua mente fervilhando,
E suas lágrimas se formando
(Sempre sofri pelo que eu não conseguia mudar
– sofro até hoje)
Vejo um movimento intenso de ideias, letrinhas, palavras,
Vejo uma luz imensa:
o brilho ensurdecedor de uma poeta em formação.

Cinema

Os Incríveis 2 (2018)

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A Pixar mira no coração. E, em geral, acerta.

                A empresa de animação que mudou o cinema para sempre desde o lançamento de Toy Story, em 1995, segue nos emocionando. É inegável que, desde a metade dos anos 90, as animações deixaram de ser “coisa de criança” para levar um público MUITO maior aos cinemas, e a Pixar tem papel central nisso. Tanto que a Disney, principal concorrente da Pixar, resolveu o problema em 2006, quando a turma do Mickey comprou o estúdio. Havia o medo de que as produções da Pixar ficassem mais “disneyzadas”, o que quer que isso queira dizer, mas não aconteceu. O pessoal do Seu Walt é esperto o suficiente para deixar o estúdio capitaneado por John Lasseter com plena liberdade criativa, tanto que o calendário de lançamentos da Pixar não foi modificado pós-aquisição e “Ratatouille” (2007), “Wall-E” (2008) e “Up! Altas Aventuras” (2009), todos apostas inéditas, foram lançados normalmente.

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Tudo começou em 1995 com Woody e Buzz.

                Um dos aspectos dessa liberdade criativa da Pixar se reflete na temporalidade bizarra das continuações dos filmes. “Toy Story 2” saiu em 1999, quatro anos depois do lançamento do primeiro. Mas “Procurando Dory”, por exemplo, a sequência do badalado “Procurando Nemo”, de 2003, só foi sair em 2016, treze anos depois. A Pixar faz uma aposta ousada: ela lança as continuações quando acha que valem a pena. Quando surge uma boa ideia que mereça ser filmada. A ousadia dessa aposta é que as crianças que viram o primeiro filme já não são mais crianças quando sai a sequência, mas até aí a Pixar SEMPRE apostou em animações para adultos também.

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Em 2004, os Incríveis foram desafiados pelo Syndrome.

                Um dos filmes mais queridos da Pixar, “Os Incríveis” foi lançado em 2004. O roteirista e diretor Brad Bird usou uma premissa antiga: o grupo de super-heróis que, na verdade, é uma família. As relações familiares fazem parte da trama tanto quanto o “heroísmo” em si. Poderia se dizer que o roteiro, nesse sentido, baseia-se no Quarteto Fantástico da Marvel (inclusive três dos quatro poderes são repetidos…), mas façamos justiça: nenhuma das versões cinematográficas do Quarteto feitas pela Fox conseguiu chegar aos pés de “Os Incríveis”. Talvez por isso a sequência tenha sido tão esperada, mesmo que tenha levado quatorze anos para sair.

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Eles estão de volta!

                “Os Incríveis 2” traz novamente Brad Bird (ex-animador da Disney que trabalhou em “O Cão e a Raposa”, de 1981) assinando o roteiro e a direção do longa. “Os Incríveis 2”, repetindo os clichês, é diversão para a família toda. O roteiro não é revolucionário, por vezes é até bastante previsível, mas funciona. O filme explora os personagens que já são bastante queridos do público: os protagonistas Beto, Helena, Violeta e Flecha, além de incluir os coadjuvantes que todos esperamos, como Gelado e a divertidíssima Edna Moda (dublada pelo próprio Brad Bird na versão original). Quem rouba a cena, dessa vez, é o bebê Zezé e a sua infinidade de poderes. A cena da luta com o guaxinim é antológica.

                “Os Incríveis 2” nos emociona e faz, como quase todos os filmes da Pixar, algumas discussões bem atuais e pertinentes. Quando Helena, a Mulher-Elástica, é escolhida para uma campanha de reabilitação dos heróis, Beto, o Senhor Incrível, tem que aprender a ficar em casa e cuidar dos filhos em tarefas básicas, como ajudar na tarefa de matemática de Flecha ou atender as “crises de adolescência” de Violeta. Os papéis de pai e mãe no mundo de hoje estão presentes ali, então, num questionamento bem interessante. Apesar de ser tecnicamente impecável, o filme de Bird não perde em humanidade, algo que acaba ocorrendo em várias animações computadorizadas. “Os Incríveis 2” não será o melhor filme do ano, mas com certeza vai dar um calorzinho no coração de quem estava morrendo de saudades desses personagens.

Literatura

Eu não me lembro

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imagem: José Calimero

Eu não me lembro de encontrar semelhanças entre eu e você.
Eu me lembro de procurar correspondências entre nossos corpos, pois é aí que elas se dão, quase sempre.
Mas foi nos lugares menos aparentes que te encontrei em mim.
Nos meus pés após o banho, que é quando eles ficam mais esbranquiçados, aproximando-se assim da cor alva dos teus.
As cores nos separaram desde o princípio, como a água do vinho.
Nossa paridade é exigente.
Acho melhor assim, não me ver em você com os olhos, e não encontrar nossas equivalências nos traços do rosto. Gosto de não sermos explicitamente análogos. Aprecio o esforço da busca e sua recompensa.
Me aproximo de você pela ideia e sigo te acompanhando com a palavra – par a par.
Compreendo o seu silêncio tanto quanto seus sons, e me uno a você em ambos.
Eu me lembro de gostar de repetir a palavra “irmãos”, e a repeti até a compreender desnecessária. A repeti enquanto te amadurecia dentro de mim.

Literatura

Aos 88

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imagem: Cassiano Rodka
– Como foi até agora?
– Olha, posso te dizer que tenho pouco a reclamar. Amei de modo intenso.
– Amar de modo intenso é o suficiente, então?
– É ainda mais que suficiente: é o essencial. O amor se manifesta sempre. As pessoas é que tem dificuldade de deixá-lo invadir.
– Falas de qualquer forma de amor?
– Sem dúvidas. Como falar em amor sem admitir que ele se manifesta de diversas maneiras?
– Não sei… Ainda temo que eu não saiba amar como deveria.
– Por quê?
– Temo sufocar porque tendo a exagerar.
– Toda forma de amor precisa ser exagerada, ou não é amor. E há pitadas de sofrimento também. Ou não seria amor. Jim Morrison dizia que preferia sofrer imensamente por amor do que não ter amado. Não é lindo isso?
– Belíssimo. Meu filho me disse isso um dia.
– Ele sabe das coisas da vida. Aliás, teus dois filhos sempre foram muito sábios, desde pequeninos. E te ensinaram a amar ainda mais intensamente. Não te preocupa: estás sabendo amar, sim. Quando chegares aqui, vais olhar tudo de cima, do alto da vida, do topo da sabedoria. Saberás que foste plena. E que a plenitude vai se acumulando ao longo dos anos. E das angústias e dúvidas, nada vai restar. Amadurecer é como mergulhar num mar de tranquilidade. Não há sensação melhor.
– Acho que estou começando agora. A amadurecer. Não sinto ainda o aconchego desse mar de tranquilidade, mas sinto mais paz. Ainda há muita agitação interior, principalmente antes de tomadas de decisão. Mas no momento em que decido, me sinto de fato plena, como dizes. E consigo defender com todo e qualquer argumento qualquer atitude minha. Sinto uma espécie de poder.
– Sim, lembro bem dessa fase. A sensação de poder. De não temer a opinião alheia. Com o tempo, verás, a sensação de poder será substituída pela sensação de paz interior. E então, minha querida, é só aproveitar. Pequeno conselho: vive, a partir de agora, sem medo. Te deleita com a jornada. Colhe os frutos, e os saboreia demoradamente. Nada te dará mais prazer.
– Eu quero apenas ser eu mesma a partir de agora. Essencialmente, amar e ser genuinamente feliz.
– Serás.
Literatura

I still see

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imagem: José Calimero

The knob comes out in my hand when I turn it. I know it does, but I forget and remind myself each time, over. I wonder whether I will ever remember it by heart. The glass door opens when I turn the broken knob, but I am only half way out. In front of me there is still the wooden door, posing a subtle barrier between me and my view. I can already smell what’s out there, I can feel the warmth of the air passing through the slit along with these beams of light that stain the wall above my bed. In the afternoon the sun beam hits Michelangelo’s picture of man and God near-touching fingers on top of my headboard. I can hear a child’s laughter, a dog barking, a car approaching and leaving. I see the pear tree that never bears fruits, trimmed in a V-shape so as to allow space for high power cables. I find it hard to understand why people choose man made over nature made, but I have come to terms with it. I see the scar line dividing my front neighbor’s face in two – her old and her new self – since the time of the accident. On my left, I see Pedro, sitting down on his window sill, playing the guitar – your lips are like labyrinths… he sings, and I still think he is singing it to me. On my right, there is what my brother and I call ‘the castle’, a four-storey house, reminding us kids, born in the 80s, size really mattered. I entered the castle once, and was as eager to leave, after using the lavatory. Red walls, red tiles, red sink, red floor, red toilet and soap, and thank God there was a spark of golden from the tap. I can’t stop thinking that, like a castle, they too have a slaughter room, and one where blood is untraced, at least by color. To my left and front there are these plots of land, empty spaces, I desperately want filled with houses. These bare territories frighten me, they show a lack of civilization that affects me personally. I am ashamed of them when my friends come and visit, afterall I am a girl of my time, a city girl.

I hear my mother’s voice, dinner is ready, and the wooden door remains closed.

Quadrinhos

Um grito por liberdade no Eisner Awards 2018

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Arte da edição brasileira de “Cumbe” de Marcelo D’Salete.

Na sexta-feira, dia 20 de julho, acontece a 30ª edição do Eisner Awards, a maior premiação do universo das histórias em quadrinhos.

Dentre os concorrentes ao Eisner 2018, está o paulista Marcelo D’Salete. Sua graphic novel “Cumbe” foi indicada na categoria de Melhor Edição Americana de Publicação Internacional. Lançada originalmente em 2014 pela editora Veneta aqui no Brasil, a revista foi publicada recentemente nos EUA pela Fantagraphics Books com o título “Run for It: Stories of Slaves Who Fought for Their Freedom”.

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Capa da edição norte-americana de “Cumbe” de Marcelo D’Salete.

A HQ conta a história da luta dos negros escravos em sua resistência contra a opressão escravagista no Brasil. Depois de pesquisar bastante sobre o tema, Marcelo percebeu que os relatos eram escritos sempre por autores brancos e decidiu que era necessário criar uma narrativa a partir da perspectiva dos negros.

O desenhista estreou no mundo dos quadrinhos em 2008 com “Noite Luz”, que narra seis histórias sobre personagens que vivem à margem da sociedade. O olhar crítico sobre a cena urbana de São Paulo ressurgiu em seu segundo livro, “Encruzilhada”, deixando claro que o caminho do escritor seria o de contar histórias sobre heróis do cotidiano, que lutam pela sobrevivência em um mundo que mal os aceita.

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Página de “Cumbe” de Marcelo D’Salete.

Nas duas graphic novels mais recentes, “Cumbe” e “Angola Janga”, Marcelo foi mais a fundo na origem desses problemas sociais, mergulhando na história da escravidão no nosso país. O termo “cumbe” é uma palavra no idioma banto, que era utilizado pelos escravos na época do Brasil colonial. É sinônimo de “quilombo”, mas também era usado para designar o sol, o dia, a luz, o fogo e a maneira de compreender a vida e o mundo. A expressão não poderia ser melhor para dar título ao livro de Marcelo D’Salete, uma HQ que busca entender os absurdos criados pela escravidão e, ao mesmo tempo, dar maior visão e valor à cultura negra.

Literatura

Dear Prudence

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imagem: Cassiano Rodka

Minha Dear Prudence,
Não choraste ao sair de mim.
Vieste ao mundo discretinha, sem estardalhaço, comportada, mas não com pouca atitude.
E assim segues, até hoje.
Ser suave é uma difícil arte, e tu a executas com perfeição.
Com teu carisma único, cedo conquistaste todos os corações que tiveram o privilégio de te ouvir.
“Apaixonante”, foi assim que te descreveu um dia a Marx.
Não poderia haver definição (e resumo) mais perfeito para esse serzinho genial que és!
Filha minha, que aos doze anos me dá conselhos acertados e ponderados, como se uma mulheres madura fosses, te digo: já tens todas as soluções, mesmo antes de teres os problemas!
Lucky girl…
Te amo à máxima potência.

Quadrinhos

Monstress: predadora ou presa?

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De todas as concorrentes ao prêmio Eisner 2018, a HQ que recebeu mais indicações foi Monstress. 

Lançada nos EUA pela Image Comics e no Brasil pela Editora Pixel, a história se passa na Ásia do século XX, mas em uma realidade alternativa. A civilização está dividida entre humanos e seres mágicos conhecidos como arcânicos, uma segregação que vamos entendendo aos poucos. Neste universo, somos introduzidos à Maika, uma jovem escrava em busca de vingança pela morte de sua mãe. Em meio a essa sede de retaliação, descobrimos que ela possui uma conexão com um monstro que domina as ações da moça. Sem muito controle sobre a criatura, Maika nem sempre tem bons resultados com a visita indesejada. 

A roteirista Marjorie Liu contou que queria escrever uma história sobre alguns dos maiores problemas sociais e políticos que vivemos, como guerra, segregação racial e escravidão. Diferente da maioria dos quadrinhos, o mundo de Monstress é dominado por personagens femininas, a maioria delas com personalidade forte e determinação inabalável. 

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A arte de Sana Takeda chama atenção pelos muitos detalhes e pela simetria das imagens. O traço parte de um mangá clássico, mas com toques modernos e muitas cores, tornando o estilo diferente do que estamos acostumados. A complexidade dos desenhos dá um ar dramático à história, dando vida a um universo ostentoso com clima steampunk. 

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A série já foi indicada para o Eisner em 2016 e 2017, mas não levou nenhum prêmio para a casa. Acredito que, neste ano, justiça será feita e Monstress vai sair vitoriosa pelo menos nas categorias de ilustração. 

As indicações do comic nesta 30ª premiação do Eisner incluem: Melhor Série Contínua, Melhor Publicação para Adolescentes (idade entre 13 e 17), Melhor Roteirista (para Marjorie Liu), Melhor Ilustrador e Melhor Capista (ambas para Sana Takeda). 

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