
Cirurgia minimamente invasiva

Site da escritora Clarice Dall'Agnol


Neste ano, houve muitas bandas alternativas brasileiras tocando nas minhas caixinhas. É incrível como tem surgido excelentes artistas no nosso underground nos últimos tempos. Dizem que, em épocas sombrias, a arte ressurge com mais força. Portanto, 2019 que aguarde, pois vai ter muita música e resistência, sim!
El Efecto – Memórias do Fogo
Facilmente o melhor disco de 2018! Em “Memórias do Fogo”, a banda carioca fez seu mais completo manifesto. Um verdadeiro chamado à resistência, o disco expõe as feridas do Brasil abordando temas como racismo, escravidão, apropriação e ditadura. O álbum conta com várias participações especiais que só agregam à ideia de comunidade e união. As composições e arranjos do grupo são verdadeiras esculturas sonoras e a performance dos músicos ao vivo é impecável. Obra prima!
Kaada – Closing Statements
Um disco sereno e cheio de silêncios, “Closing Statements” tenta evocar os sentimentos de diferentes pessoas que se encontram à beira da morte. Pegando inspiração em frases que teriam sido ditas por homens e mulheres antes de seu derradeiro adeus, o compositor norueguês criou uma seleção belíssima de melodias. Usando apenas pianos e sintetizadores, o músico evocou Erik Satie em canções simples e emotivas.
Jamie Saft – Solo a Genova
O pianista Jamie Saft, que costuma se apresentar com trios ou quartetos, andou experimentando alguns shows solo. As apresentações intimistas acabaram agradando o nova-iorquino e o registro de um concerto em Gênova foi lançado neste ano. As canções incluem diversos artistas que influenciaram o músico, como Bob Dylan, John Coltrane, Stevie Wonder, Miles Davis e – sim! – ZZ Top!
Therapy? – Cleave
Em seu 15º álbum de estúdio, os irlandeses do Therapy? apostaram suas fichas naquilo que eles fazem melhor: canções curtas com bons riffs e refrões altamente cantáveis. “Cleave” é um disco que te esclarece que tu tem todo direito de estar puto da cara com o mundo e que é preciso unir forças para lutar e provocar mudanças. As faixas são curtas e agressivas, e as letras apontam o dedo na cara dos problemas mundiais, confidenciando ao ouvinte que ele não está só em sua frustração. Música adolescente para adultos!
Vento – Verde
Conheci o pessoal da banda na Belas Artes e, desde que escutei o primeiro single, “Ela Me Disse”, fiquei interessado no que viria pela frente. Com o lançamento do disco “Verde”, pude confirmar que o grupo é uma força a ser seguida. Pegando o indie rock contemporâneo e pintando com tons de verde que vão do samba ao baião, o grupo compôs uma seleção de canções memoráveis com belos arranjos e uma produção caprichada. Ao vivo, os caras não deixam por menos e mandam bem pra caralho! Presenciem!
Heart-Shaped Tracks – A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero
Um tributo aos 25 anos do “In Utero” do Nirvana feito só por bandas alternativas brasileiras. Cada faixa do clássico álbum foi recriada em versão soul por artistas como Lemoskine, Letrux, Michele Mara, Naked Girls and Aeroplanes e Bananeira Brass Band. “Heart-Shaped Tracks” é um projeto ousado que poderia facilmente ter dado errado, mas, nas mãos criativas de grandes artistas do underground brasileiro, o disco se tornou uma homenagem inusitada e repleta de bons momentos que não devem nada às versões originais.
Donny McCaslin – Blow.
O que dizer de um músico que foi escalado por David Bowie para fazer parte de seu último disco? O saxofonista Donny McCaslin tem um trabalho solo interessantíssimo e, assim como o camaleão do rock, inclassificável. Em seu mais recente disco, o compositor levou seu som para um terreno novo e inexplorado. Contemporâneo e com ar futurista, o álbum casa jazz, rap, eletrônica e rock em canções que soam à frente de seu tempo. O próprio músico declarou que, neste disco, ele sentiu-se mais livre do que nunca para compor e que seu contato com Bowie teve muito a ver com essa autonomia.
Young Fathers – Cocoa Sugar
Uma das bandas mais interessantes a surgir nos últimos tempos, o trio escocês Young Fathers criou um som próprio que consegue conectar o pop ao experimentalismo com maestria. Não é nada fácil compor músicas esquisitas e assobiáveis ao mesmo tempo, mas em “Coca Sugar” o grupo faz parecer fichinha. Os instrumentais são minimalistas e mesclam influências de hip hop e eletrônico, com muitos sintetizadores. Os vocais do trio se dividem em deliciosas melodias soul e momentos de rap, e creio que são a grande conexão da banda com os seus ouvintes. Não bastando a excelência no estúdio, a performance dos caras ao vivo é uma experiência e tanto!
Trupe Chá de Boldo – Verso
Tecnicamente esse álbum é de 2017, mas ele foi trilha sonora constante deste meu ano. Depois de lançar três discos autorais com canções festeiras, arranjos muito bem bolados e letras ora poéticas, ora debochadas, a banda resolveu prestar homenagem a alguns de seus artistas preferidos em um álbum de versões. O bacana é que as escolhas não são nada óbvias, dando preferência a músicos novos e/ou desconhecidos do grande público. Tive a felicidade de assistir dois shows dessa turnê e aviso a quem nunca foi: os caras no palco são diversão pura, não percam!


Se você não estava no show do L7 neste último domingo, você estava no lugar errado. Um dos ícones da era grunge, a banda chegou quebrando paradigmas ao juntar quatro mulheres que tocavam rock pesado, provando que o gênero não era exclusividade dos homens. Debochadas, determinadas e talentosíssimas, Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e Dee Plakas fincaram sua bandeira feminista em área masculina, levantando questões de igualdade, liberdade de escolha e direitos da mulher. No dia 2 de dezembro, o quarteto mostrou que ainda tem muito a dizer e muita energia para se fazer ouvido.
A noite começou com os shows de duas bandas paulistas. A novata Deb and the Mentals mandou uma apresentação bem bacana tocando as músicas de seu primeiro disco, “Mess”. Mesmo não sendo conhecida do grande público, empolgou. Já a clássica The Pin Ups teve a sua apresentação prejudicada por problemas de som. Estava tudo estouradaço e, por alguma razão, esse erro não foi corrigido ao longo do show. Uma pena, uma banda legal que não conseguiu mandar seu recado direito.
A primeira atração internacional foi o Soul Asylum, anunciada como banda surpresa poucas semanas antes do concerto. Com seu folk rock noventeiro, o grupo fez um show bacaninha mesclando os clássicos da era grunge com músicas de seus novos discos. Achei que o setlist poderia ter sido mais enxuto e direto ao ponto, mas a banda conseguiu divertir os presentes com hits como “Misery”, “Somebody to Shove”, “Black Gold” e “Runaway Train”.
Esquentados os tamborins, era chegada a hora das rainhas do grunge subirem ao palco. Como de praxe, iniciaram a bagunça com “Deathwish”, clássico do disco “Smell the Magic”. Curiosamente, é a mesma canção que abriu o último show da banda no Brasil, na épica apresentação da banda no Hollywood Rock de 1993, há 25 anos. Logo depois, mandaram três singles em sequência: o hit que não aconteceu na época, “Andres” (Donita declarou que elas esperavam que fosse o “Smells Like Teen Spirit” do L7, mas não vingou) e dois clássicos do disco “Bricks Are Heavy”, a empoderada “Everglade” e o romance entre parceiros no crime de “Monster”. A casa veio abaixo.
A partir daí, o set percorreu todas as fases da carreira do L7, com exceção do homônimo primeiro álbum. O último lançamento antes da banda acabar, “Slap-Happy” de 1999, foi representado por apenas uma canção, “Crackpot Baby”, o que foi mais do que justo, pois, convenhamos, não é lá um grande disco. Para minha felicidade, duas faixas do subestimado álbum “The Beauty Process” tiveram espaço no set: o rockão arrastado de “Must Have More” e a debochada “Drama”.
Entre uma música e outra, rolavam brincadeiras com o público. Uma das mais recorrentes era sobre a beleza do povo brasileiro. “Estou tentando tocar guitarra, mas vocês estão me distraindo”, declarou Suzi Gardner. As duas músicas novas, “I Came Back to Bitch” e “Dispatch from Mar-a-Lago, encaixam muito bem no repertório ao mesmo tempo que trazem um novo sabor. Com um vocal meio rap, “I Came Back to Bitch” leva a banda para o território do hip hop e traz uma letra bem humorada que esclarece a intenção do retorno do L7: “nós voltamos para incomodar!” Para fechar o set, nada melhor que a preferida de Mallory Knox: “Shitlist”, um verdadeiro hino à – como dizer? – retribuição adequada a cada um dos filhos da puta que foderam com a tua vida. É de lavar a alma!

No bis, a banda retornou com a sua cover de “American Society” (do grupo punk Eddie & The Subtitles), cujo riff lembra muito o grande hit do L7, “Pretend We’re Dead”. Colocar as duas em sequência parece lógico, mas acho que não funcionou muito bem, até porque confundiu várias pessoas que começaram a filmar a cover pensando ser o single da banda. (Ok, foi engraçado!) De qualquer forma, foi ele quem veio em seguida, fazendo todos cantarem em uníssono um dos grandes hinos do feminismo.
Para encerrar com chave de ouro, a furiosa “Fast and Frightening” veio atropelando todo mundo. Nada de terminar com música calma, o show foi um rolo compressor do começo ao fim. O público respondeu à energia da banda o tempo inteiro, sem descanso. Ao sair pelas portas do Tropical Butantã, o que eu mais ouvia era “eu queria outro show desses agora mesmo!” E era exatamente o que eu estava sentindo.

SETLIST:
Deathwish
Andres
Everglade
Monster
Scrap
Fuel My Fire
One More Thing
Slide
Crackpot Baby
Must Have More
Drama
I Came Back to Bitch
Shove
Freak Magnet
(Right On) Thru
Dispatch From Mar-a-Lago
Shitlist
Bis:
American Society (Eddie & The Subtitles cover)
Pretend We’re Dead
Fast and Frightening


Pode-se dizer que o Brasil foi essencial para o início da carreira de Herbie Hancock. Nos anos 60, o tecladista era parte do quinteto de ninguém menos que Miles Davis. Mas, ao se atrasar para um show devido a uma lua de mel prolongada no Brasil, Hancock levou um pé na bunda do renomado trompetista. Em vez de encarar o fato como uma derrota, o pianista aproveitou a oportunidade para montar uma nova banda e sair em busca de um som próprio. Com o lançamento do disco “Head Hunters” em 1973, o músico deu uma guinada em sua carreira, mesclando jazz, soul, funk, eletrônica e avant-garde.
No dia 17 de novembro de 2018, Herbie Hancock subiu ao palco do Credicard Hall para provar que a sonoridade que ele deu vida há 45 anos ainda faz muito sentido na atualidade. O setlist incluiu uma canção de cada um dos principais discos do músico da fase mais funk. Muitas faixas ficaram de fora, é claro – o cara tem mais de 40 álbuns –, mas os clássicos estiveram presentes, incluindo “Watermelon Man” e “Cantaloupe Island”. Entre as covers, teve espaço para uma versão de “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento.
Com muita simpatia, o tecladista interagiu bastante com o público e com a sua banda, deixando muitas vezes os seus músicos tomarem o centro do palco. Uma decisão muito acertada de Hancock é a de não se prender a uma banda de grandes nomes do passado do jazz. Em vez disso, ele convocou vários novos artistas do gênero, formando um quarteto de sonoridade bem peculiar. Um deles é o gaitista suíço Grégoire Maret, que mostra habilidade e criatividade com um instrumento não muito comum na formação de um grupo de jazz. No baixo, temos James Genus, conhecido por tocar na banda do programa Saturday Night Live. Na bateria, o grande Justin Brown, que toca com Thundercat e Esperanza Spalding, rouba a cena em “Actual Proof”. E no vocal, o cantor norte-americano Michael Mayo explora o seu alcance de forma experimental e criativa. Em um momento solo, ele sampleia sua própria voz ao vivo para criar uma base para cantar “Alone Together”, uma canção jazz composta por Arthur Schwartz e Howard Dietz, e interpretada por diversos cantores, incluindo Ella Fitzgerald e Carly Simon.
Hancock alterna suas melodias entre um teclado Korg e um piano de cauda. Em “Come Running to Me”, ele utiliza um vocoder para sintetizar a sua voz. Mas o instrumento que rouba as atenções é, sem dúvidas, o keytar, aquele teclado super anos oitenta que se usa no ombro como uma guitarra. E é com ele em punho que o velhinho de 78 anos encerra o show, deixando quase impossível não levantar da cadeira para dançar. A última canção é um dos grandes hits do disco Head Hunters, o eletrofunk “Chameleon”, daquelas músicas que rolam no rádio da nave do Toe Jam & Earl. Vestindo um terno preto estampado com teias de aranha enquanto toca jovialmente caminhando pelo palco, o músico parece debochar da idade. Depois de quase duas horas de apresentação, com muita improvisação e sem estrelismos, Herbie Hancock se despede de um público pra lá de satisfeito.


Da janela da casinha de bonecas,
Vejo Martina.
Ela não me vê.
Vê vidas em miniatura,
que se fazem verdadeiras em seu mundo tão doce –
ainda intocado pelo mundo feroz.
Ela vê o que nós adultos não conseguimos mais ver:
o amor (apenas ele, nu e cristalino).

Quando eu conheci Stan Lee eu nem sabia quem era Stan Lee. Eu era o menino de 10 anos que ficava sentado no chão na parte de revistas do antigo supermercado Dosul, em Porto Alegre, lendo rápido o último número de Heróis da TV ou Superaventuras Marvel antes que o meu pai chegasse, para pedir para ele levar, aí sim, a mais recente edição de Homem-Aranha. Assim eu fui me familiarizando com Stan Lee, sem saber ainda quem ele era. E passei a conhecer Matt Murdock, Scott Summers, Ben Grimm e, é claro, Peter Parker.

Stan “The Man” Lee redefiniu um gênero. Criou mundos. Apropriou-se de temas tão diversos quanto a literatura vitoriana ou a mitologia nórdica para nos dar personagens como Hulk e Thor. Preocupou-se em combater preconceitos quando criou os X-Men. Pensava já em representatividade nos anos 60 quando criou o Demolidor, o Falcão, o Pantera Negra ou Luke Cage. Stan Lee criou o grande Ego, o Planeta Vivo, ao mesmo tempo em que criava o diminuto Homem Formiga. Transformou um vendedor de armas num herói anti-guerra quando criou o Homem de Ferro. Mostrou que não são os poderes que fazem um herói ao dar vida ao Gavião Arqueiro. E que não importa o quanto um vilão seja poderoso, como Galactus, ele sempre pode ser vencido. Stan Lee filosofou pelo espaço gélido na carona do Surfista Prateado e também caminhou entre dinossauros com Ka-Zar (e Zabu, é claro). Explorou a ciência e a tecnologia com Reed Richards e Tony Stark, e também o oculto e o sobrenatural com o Doutor Estranho.

A primeira das grandes criações de Stan Lee, o ponto zero da Marvel, foi a criação do Quarteto Fantástico. Desde o início, o grupo era diferente: apesar dos seus (fantásticos) poderes, o que os tornava especiais era o fato de serem uma família. Na maioria das vezes, os problemas poderiam ser resolvidos pelo quarteto sem o uso dos poderes e mesmo sem o incrível intelecto de Reed Richards, mas a partir do coração de ouro de Ben Grimm, escondido sob as pedras laranjas da pele do Coisa.

E não dá para deixar de falar do filho pródigo: quando Stan Lee teve a ideia para criar o Homem-Aranha, não foi compreendido de primeira. Nem seu parceiro de criações, Jack Kirby, o entendeu, a ponto de Lee, insatisfeito com os rascunhos de Kirby, ter procurado outro artista para desenhar o cabeça de teia. Foi Steve Ditko quem o compreendeu: o Homem-Aranha é o herói franzino e magricela. Ele não tem pose de herói. Ele é, na verdade, um adolescente nerd que sofre bullying na escola. Ele mora com a tia (que odeia o Homem-Aranha). Ele toma esporro do chefe (que TAMBÉM odeia o Homem-Aranha). Ainda assim, como ele duramente aprendeu, é o seu dever protegê-los. O que ele ganha com isso? Nada. Pelo contrário, muitas vezes ele perde. Mas ele faz porque é certo. Porque ele tem enormes poderes, que ele poderia usar para se vingar do bully da escola ou para ganhar muito dinheiro. Mas ele não o faz. Porque, enfim, aprendeu com seu tio que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. O Homem-Aranha se tornou o maior herói da Marvel (e talvez o maior herói do mundo) não por causa dos seus poderes, mas pelo o que de humano há nele, pelo tanto de mim, de você, de todos nós, que conseguimos enxergar nele.
Stan Lee foi um visionário. Um criador fantástico de personagens e uma mente fervilhantemente fértil, em especial no fim dos anos 60. Ainda que hoje algumas de suas histórias tenham ficado um pouco datadas aos nossos olhos, há leituras que valem a pena. A passagem inicial de Lee pelo Quarteto Fantástico (mais de 100 edições em parceria com Kirby) é a pedra de fundação do universo Marvel. Ali foram criados, além do Quarteto, personagens como o Doutor Destino, o Pantera Negra, Galactus e o Surfista Prateado. Nesse trabalho, Jack Kirby praticamente reinventa a narrativa nos quadrinhos, criando a maneira como nós os lemos ainda hoje. Também revolucionárias são as primeiras 100 edições de “Amazing Spider Man”, parceria de Lee com Steve Ditko e John Romita. Nessas edições, vemos o Homem-Aranha se estabelecer como o primeiro herói adolescente da história (herói, não parceiro-mirim) e vemos o surgimento de personagens como Gwen Stacy, Mary Jane Watson, o Abutre, o Homem-Areia, o Rino, o Escorpião, o Doutor Octopus, o Electro, Kraven, o Caçador e o Duende Verde.

Se não bastasse serem eternos os personagens que ele criou, há algo ainda maior: Stan Lee entendeu e redefiniu o significado de ser um herói. O conceito de heroísmo que temos hoje, a ideia do espírito nobre que luta e defende os mais necessitados, que faz o que for justo e correto sem se importar com as consequências, é a herança maior e o legado mais bonito que Lee nos deixou.
Só há uma coisa a dizer para Stan Lee: obrigado, obrigado e obrigado! Excelsior!
(A maioria das imagens deste post saiu de um álbum onde vários artistas se despedem de Stan “The Man” Lee. Vale a pena dar uma olhada: https://imgur.com/gallery/kPa2Fjt
