Clarice Dall’Agnol

Literatura

Encontro

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por Marcella Marx

Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.

Ramón Sampedro

De longe e sob a sombra de uma árvore ele avistou, ainda recuperando o fôlego, a cena tão esperada. Estava cansado, mas a vista recobrava suas forças instantaneamente, sem que precisasse sentar. Ainda trazia fresca em sua lembrança a imagem de outrora: cinquenta e poucos anos atrás, quando ainda um menino, tocava pela primeira vez seus pés descalços na areia da praia. Desde aquele tempo, revisitava sempre aquela cena, incansável, para não apagarem-se os detalhes ou confundir-se com a ordem dos acontecimentos daquela manhã. As falas haviam sido memorizadas em detalhes, bem como as cores das roupas. Mesmo assim, estava certo de sua porção humana, e ela o traia incluindo, inconscientemente, coloridos e temperos seus, que ora revelavam o que gostaria que tivesse acontecido, ora suprimiam o que não deveria estar ali, ao menos não daquela maneira. O homem pintor retocava sua paisagem para aproximá-la ainda mais da perfeição.

Os olhos do menino lembravam de uma imensidão sem tamanho que, dali de cima, parecia ainda maior. Daquela distância somente o contorno podia denunciar os personagens de sua visão: as velas, o tamanho descomunal de barcos que ele nunca tinha visto, e pontinhos minúsculos, parados e em movimento sobre a areia. Quando fechava os olhos avistava as senhoras negras com lenços brancos na cabeça trazendo, presas ao braço, grandes cestas cobertas com um pano branco. Ele sabia que até a praia o caminho era longo, e a cena, ainda incompleta, o impedia de recomeçar. Ao retomar a descida lembrou-se do gosto do doce comprado por seus pais; o reencontro do sabor esperado vinha acompanhado de certo receio, pois reconhecia que as sensações do menino permaneceriam guardadas com ele. Quanto mais perto, mais sentia o cheiro da brisa que vinha do mar, misturado à lembrança dos outros aromas de sua primeira visita durante a infância.

A roupa que usava se ensopava de suor e rapidamente secava, deixando sobre sua pele uma fina camada branca de sal. O caminho não era mais como o de antes, a estreita trilha transformara-se em uma larga estrada asfaltada. A calçada era bem precária, mas ele ia, agora sem parar, num ritmo acelerado. A moderna estrada levou-o até a areia, porém antes de pisá-la, como em sinal de respeito, tirou os sapatos e só então a tocou pela segunda vez. A areia branca e finíssima fervia, ele caminhou nos primeiros metros e então correu. À beira do mar sentiu o contato com a água, nem quente nem fria. À beira do mar reconheceu-se no olhar inquieto e maravilhado de uma pequena menina que, acompanhada da mãe, dava seus primeiros passos em direção ao mar. A cada novo passar das marolas seus pés iam se afundando mais e mais, e, o forte refluxo das águas fazia com que o chão girasse sob seus pés. Com os olhos fechados imaginou-se flutuando por cima do mar e, quando os abriu novamente, já estava mar adentro e assim permaneceu nadando sem olhar para trás, mais e mais adentro.

Literatura

Vocação

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por Clarice Casado

Estudei em colégio de freiras durante meus primeiros anos escolares. Desde os seis até os nove anos. Um colégio tradicional em uma das mais importantes cidades do interior do Rio Grande do Sul, Cruz Alta. A cidade natal de Erico Verissimo.

Há pouco, eu discutia via e-mail com meu pai a respeito do significado da palavra vocação, em inglês e em português. Para mim vocação tem a ver com chamado, com dom, com algo muito especial que você sabe fazer bem. Algo para o qual você foi predestinado a fazer ou viver. “O Carlinhos tem dom para música”, “A Amélia tem vocação para sofredora”, é comum ouvirmos frases como essas, em todo o lugar.

Em realidade, vocação é diferente de dom. Vocação é “chamado”, e dom é “presente”. Em inglês, a palavra dom é gift, que também significa “presente”. E a palavra vocação é call, que também significa “chamado”. Alguém que é “vocacionado” para algo é alguém que nasceu para aquilo, para aquele ofício, para aquela vida.

A essas alturas, o leitor já deve estar voltando ao início da crônica, relendo o primeiro parágrafo e pensando “O que diabos essa história de colégio de freiras tem a ver com todo o resto?”, e eu respondo, “Leitor, passe para o próximo parágrafo”!

Toda a discussão sobre a etimologia de “vocação” remeteu-me automaticamente ao passado, quando, com seis ou sete anos de idade, ouvi pela primeira vez a palavra. Uma freira do colégio, professora de religião, explicava a nós, um bando de alunos ansiosos pelo sinal que avisasse que era já hora do recreio, que, se um dia Deus quisesse que nos tornássemos padres ou freiras, ouviríamos um chamado, uma “vocação”.

Pânico!!! Ouvi aquilo, e fui tomada de um dos maiores medos da minha vida, “Como assim, vou ser chamada para ser freira? Uma voz do além vai surgir e vai dizer, Clarice, você deve ser freira, minha filha…!”, aquilo não poderia ser verdade, e se eu não quisesse ser freira, será que eu teria o direito de contestar, de dizer “Senhor Deus, desculpe-me, mas, sinceramente, eu tenho só sete anos e ser freira não é exatamente o que eu planejo para minha vida, porque eu gosto de brincar, de ter roupas bonitinhas, de passear bastante, de ir à praia, de ver minha família e amigos quando eu quiser, não, Deus, não, não me chame!!!”. Sim, foi isso que se passou na minha cabeça de criança, obviamente.

Fico imaginando o que se passou nas cabecinhas de todos os outros coleguinhas, pobrezinhos! E o pior foi que fiquei um bom tempo morrendo de medo da tal “vocação” que, pelo que tinha explicado a freira, poderia ser a qualquer momento, sem nenhum aviso, eu poderia estar tranquilamente vendo o desenho da Penélope Charmosa na televisão, ou fazendo a lição de casa, ou lendo revistinha da Mônica, ou brincando de “polícia e ladrão” com meus irmãos, mesmo brincando de “polícia e ladrão”, puxa vida, a voz poderia vir e dizer “Não, minha filha, você nasceu para ser freira, e não para prender bandidos”. Que loucura.

Eu não tenho a mínima ideia, obviamente, de onde esteja essa gentil senhora que um dia ensinou-me de maneira tão macabra o significado da palavra vocação, mas, sinceramente, se eu a encontrasse hoje, eu perguntaria: “a voz de Deus é de homem ou de mulher?”.

Literatura

O recado

recado

por Cassiano Rodka

Pensa o recado,
a ponta da caneta no papel.

Do canto inferior ao superior, sobe na diagonal para a direita.
Desce espelhando a linha já feita.
Sai do papel, traço horizontal no meio.

Volta ao papel ao lado, crescendo em um traço reto vertical.
Do topo, faz uma curva até chegar à outra ponta.
Sai do papel.

Ao lado, mais uma vez o traço reto vertical.
Sai do papel.
Do traço feito, cria-se três outros, horizontais e paralelos:
Um na ponta de cima, uma na de baixo, um no meio.
Sai do papel.

O traço seguinte começa do topo e mergulha em vertical.
Quando chega na parte inferior, faz a curva e sobe bem retinho.
Sai do papel.

A última linha serpenteia começando pela direita superior:
Vai em curva para a esquerda, desiste no meio e volta à direita
para depois mudar de ideia e retornar à esquerda novamente.
Sai do papel.

Dado o recado,
a tampa da caneta na caneta.

Literatura

Fora de controle

foradecontrole

por Clarice Casado

A única coisa pior que ter tudo sob controle é, de repente, não mais que de repente, perder por completo o controle.

Julgamos estar super seguros e felizes quando temos as coisas totalmente sob controle: não, enganamo-nos. Ter todo o controle é ter a falsa impressão de que está tudo bem. Ter todo o controle é pensar que se tem um poder que não se tem. O motivo? É impossível ter tudo sempre sob controle. E quem quer sempre ter controle sobre tudo sofre quando perde todo esse controle abruptamente. Mesmo porque, muitas vezes, descobre-se que a perda do controle causa fraqueza e cegueira momentâneas. O sujeito que quer ter sempre tudo sobre controle não sabe lidar bem com a decepção de perder de uma hora para outra esse controle.

Sou um desses sujeitos, sim, desses mesmos que descrevi no parágrafo acima. Nunca percebera isso, até esta semana. Comecei a me dar conta que quero ter tudo programado, tudo planejado, que tudo ocorra exatamente como está na minha agenda no celular, nos alarmes, nas minhas notas, nos diversos caderninhos que espalho pelo meu quarto, sala, carro e cozinha, nos post-it pelo meu espelho, na minha cabeça que nunca para, nunca para, nunca para de funcionar.

Tudo isso para me deixar tranquilinha, sem ter que sequer aventar a hipótese de algo saia errado, de que as coisas não funcionem exatamente da maneira que planejei no início da semana ou do dia. Tenho a clara sensação de que, se não tomar nota de algo (não interessando o grau de importância do compromisso), esquecerei, e isso trará minha completa ruína…

Perdi a chave do meu carro esta semana, no shopping. Sumiu, de um momento para o outro. Eu estava indo embora, já havia até validado meu bilhete do estacionamento, e, quando fui procurar a chave na bolsa no exato bolsinho onde sempre a coloco, não a encontrei. Já comecei a entrar em pânico, justamente por saber que sempre a coloco (ou colocava, porque a vida me mostrou que as pessoas podem esquecer coisas…) ali no tal bolso. Nada da chave. Vasculhei a bolsa inteira, inclusive me sentei para revirá-la do avesso, sob os olhares discretos de alguns curiosos. A essa altura, eu já praguejava sozinha, não acreditando naquele absurdo que nunca me acontecera antes na vida. Já tinha perdido chaves de casa, mas jamais do carro! Procurei também em uma sacola de loja que estava carregando, só por precaução: nada. Resolvi caçá-la pelo shopping. Fui ao setor de achados e perdidos: nada. Fui então aos dois lugares em que havia estado, a loja de pijamas pros meus filhos e um café. Nada. Nada. Ninguém encontrava. Apenas anotavam meu telefone, para um contato no caso de encontrarem. Meu dia já não tinha sido dos melhores, e ainda mais aquela… Foi nesse momento que percebi a tal coisa da perda do controle: eu estava ali, presa no shopping, com meu carro esperando no estacionamento, e minha chave com paradeiro desconhecido, e não podia fazer absolutamente nada, a não ser aceitar a situação e tentar consertá-la, mesma estando ela fora do meu planejamento do dia.

A sensação de perda do controle repentinamente é terrível. Avassaladora. Uma simples chave. Quem diria? Como eu, a mulher que tudo planeja, tudo prevê, tudo anota, podia perder a chave do carro no shopping? Eu não aceitava aquele absurdo! Mas tive que aceitar, porque o tempo estava passando, e eu precisava resolver o que fazer. E resolvi, claro. Sob pressão de uma situação não anotada, não prevista, não planejada, louca para sentar e chorar, consegui reunir forças, chamar um táxi, voltar para casa, pegar a chave reserva na gaveta, entrar de novo no táxi, retornar ao shopping e enfim, depois de quase duas horas, pegar meu carro e voltar para casa. Quando entrei no carro, caí num pranto convulso. A minha “torre de controle” havia desabado, bem debaixo do meu nariz, e eu não pude fazer nada para contê-la. Só me restou aceitar minha própria falibilidade.

Quando cheguei em casa, fui abraçar e beijar feliz os meus filhos, que me esperavam, ansiosos. Fui então dar a eles os pijaminhas que havia comprado na tal loja. Ao tirar todos os pijamas da sacola, logo pude ver que me encarava, quieta e um pouco assustada, a minha chave, pendurada no chaveiro de abóbora de Halloween que tinha ganho do meu filho. Eu não podia acreditar no que via…! Eu havia procurado naquela sacola, mas não tinha encontrado a pobrezinha. Provavelmente por conta da cegueira momentânea causada pela repentina perda de controle. Inaceitável. Mas, naquele exato momento, só o que consegui fazer foi rir. Rir muito, aliviada, mostrando a chave aos meus filhos e à babá, que riram também.

Não tenho ideia de como a chave foi parar lá, porque não lembro de a ter colocado na tal sacola. Se chaves tivessem vida própria, eu poderia jurar que ela foi parar lá sozinha. Mas, como sei que isso é impossível, tenho que aceitar a ideia de que fui eu quem resolveu “quebrar o protocolo” e colocá-la naquele lugar não previsto, não anotado, não planejado. Fui eu quem provocou a situação que deixou tudo fora de controle por duas horas, naquela tarde de quarta-feira tão normal, tão planejada, e, ao mesmo tempo, tão imprevista. Fui eu quem perdeu o controle sem saber que o controle estava, o tempo todo, junto comigo.

Literatura

Além do horizonte

alemdohorizonte

por Cassiano Rodka

Ao Vito

Com os olhinhos curiosos da infância, Davi fitava o horizonte.
Ficava imaginando quantas coisas se escondiam do lado de lá. Atrás daquela linha misteriosa, estava oculto um mundo inteiro. O sol, quando se punha, mergulhava vagarosamente lá no fundo. Os carros que subiam a lomba desapareciam depois da linha. Imaginava Davi que eles caíssem do outro lado. Ele não tinha certeza para onde iam, nem se algum dia voltariam. Mas invejava que eles descobrissem aquele mundo mágico que ele sabia existir após aquele inalcançável traço. Imaginava que seu pai, quando viajava, ia para adiante do horizonte. Seu pai certamente conhecia tudo o que existia do outro lado, mas não contava nada para ninguém. Era segredo. Um mundo mágico não pode ser propalado aos quatro ventos. Deve ser guardado a sete chaves. Senão não é misterioso, nem mágico. Talvez ele crescido também pudesse ir para lá. Ficava satisfeito ao pensar que um dia conheceria o outro lado. Veria os carros todos caídos em algum lugar, o sol descansando em algum canto e tantas outras coisas que só existem do lado de lá… Seu pensamento foi interrompido pelo grito de sua irmã. Estava na hora de trocar a janela pela televisão. Com um aceno para o horizonte, Davi se despediu do seu enigmático amigo e correu para não perder mais um episódio do seu desenho preferido.

Música

Para sua mãe gostar de Patton

mondomike

por Cassiano Rodka

Eu sou um pattonmaníaco há 16 anos. Era certo que em algum momento eu me veria escrevendo sobre ele nesta seção. Pois bem, este dia chegou.

Desde que o vinil de “The Real Thing” entrou na minha casa, minha mãe passou a ouvir Mike Patton. Querendo ou não. O filho dela escutava “Surprise! You’re Dead!” inúmeras vezes seguidas, tocava “Easy” no piano, cantava “Spanish Eyes” no banho, berrava “Caffeine” no quarto. Minha mãe chamava “Edge of the World” de “a música que a família inteira sabe cantar”. Ela sabia recitar trechos da entrevista que o Zeca Camargo fez com o Mike Patton na MTV e – olha que cool! – sabia a letra de um lado B de single do Faith No More, a cover do Brothers Four “Greenfields”.

Se você está se lamentando por não ter uma mãe tão cool quanto a minha, não se preocupe: a partir de hoje, tudo vai mudar!

Tudo porque o Mike Patton estreou um novo projeto, intitulado Mondo Cane. A formação da mega banda conta com Mike nos vocais, uma banda (guitarra, baixo, bateria, percussão e eletrônicos) acompanhados da Orchestra Filarmonica Arturo Toscanini e um coro de quatro vozes. Em parceria com o trompetista Roy Paci, Patton arranjou canções italianas dos anos 50 e 60 de compositores como Adriano Celentano, Fred Buscaglione e Ennio Morricone. Foram realizadas duas apresentações para o projeto: dia 25 de maio na cidade de Modena e dia 26 de maio em Salsomaggiore. O Mondo Cane apresentou 23 músicas que foram gravadas ao vivo e devem ser lançadas no primeiro semestre de 2008. Demorado demais para a geração internet. Os mais inquietos para escutar a façanha – sim me incluo aqui! – conseguem facilmente baixar uma gravação do show de Modena feita por um membro da plateia. O resultado é de deixar qualquer mãe feliz! Patton assume o grande crooner que sempre foi e manda versos em italiano como “Lei mi amava, mi odiava, mi amava, mi odiava, era contro di me”. Os arranjos são belíssimos e a voz de Patton fecha perfeitamente para as canções. Mas em meio à várias baladonas para deixar a mama orgulhosa, há alguns momentos em que Patton nos lembra quem está no comando em faixas como “Che notte” e “L’Urlo Negro”. A primeira conta com um arranjo maluco que caberia perfeitamente no primeiro álbum do Mr. Bungle, e a segunda é uma cover da banda de heavy metal The Blackmen, cantada por Patton aos berros. A escolhas da canções não foi nada óbvia, não há clássicos como “Volare”, mas músicas que fazem a cabeça de Patton. E a alegria de Mike cantando essas músicas é evidente. Assim como será a sua ao ver a sua mãe pedindo o iPod emprestado para ouvir “aquele roqueiro doido que canta em italiano”. Então não perca mais tempo e baixe o Mondo Cane!

Literatura

Faixa de pedestres

faixadepedestres

por Cassiano Rodka

Pegou a mão dela com firmeza e a olhou nos olhos até vê-la sorrir.
Observou o amarelo dar lugar ao vermelho. À esquerda, um fusca cinza freava; à direita, o hospital ainda em reformas. No ar, as badaladas do sino da igreja imploravam por fiéis. O pé direito antecedeu o esquerdo. Por instinto, não superstição. Os cabelos dela dançavam ao vento. Uma buzina misturou-se à sexta badalada. O som surdo de um Ford chocando-se com minha perna esquerda acompanhou a sétima. Meu corpo golpeou o chão durante a oitava. Por debaixo de um carro, a vi deitada sobre a faixa de pedestres. Estendi minha mão na direção dela. Ela olhou para a direita e me encontrou. Assustou-se com o vermelho que tingia minha camisa amarela. Balancei a cabeça. Não devia se preocupar. Apontei com os olhos para a minha mão esquerda. Ela compreendeu. Por debaixo do carro, estendeu seu braço direito tremendo. Senti o seu toque e segurei seus dedos pequeninos com firmeza. Fechei as pálpebras e, por trás dos olhos molhados, a guardei.