Clarice Dall’Agnol

Cinema

Blake Edwards (1922 – 2010)

por Pedro Cunha

O cinema ficou um pouco mais sério em 2010. Além de Leslie Nielsen, que faleceu no final de novembro, semana passada Blake Edwards também nos deixou. E sem ele a sétima arte fica menos engraçada e o humor no cinema, sem dúvida, bem menos elegante.

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Blake Edwards e seu instrumento de trabalho

Blake Edwards nasceu William Blake Turn em Tulsa, Oklahoma, em 1922. Desde cedo esteve envolvido com a atmosfera do cinema. Seu padrasto, Jack McEdwards, de quem ele tirou também o sobrenome artístico, foi produtor de cinema e o pai dele, J. Gordon Edwards, roteirista. Durante a Segunda Guerra Mundial, antes de servir, Blake trabalhou como ator em alguns filmes mas nunca se destacou, já que, nas palavras dele próprio, sempre preferiu dar ordens à segui-las. Sua primeira experiência dirigindo e roteirizando um filme se deu com “Bring Your Smile Along”, de 1955. Mas seu primeiro sucesso foi “Anáguas a Bordo” (Operation Petticoat), uma comédia estrelada por Cary Grant e Tony Curtis que se passava durante a Segunda Guerra onde um capitão tinha que se virar num submarino cor-de-rosa avariado e cheio de enfermeiras do exército. Uma comédia romântica leve e divertida, ainda antes do gênero ser inventado.

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Cary Grant e o seu submarino amare… rosa, quer dizer, rosa!

Em 1961 Blake Edwards dirigiu “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany’s), talvez o seu mais cultuado filme até hoje. O roteiro foi baseado num livro de Truman Capote, adaptado por George Axelrod, que já tinha sido responsável pelos roteiros de “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Years Itch, Billy Wilder, 1955) e “Nunca Fui Santa” (Bus Stop, Joshua Logan, 1956), filmes que consagraram Marilyn Monroe como grande objeto do desejo de Hollywood. “Bonequinha de Luxo” foi o filme que consagrou Audrey Hepburn. Ela pode ter feito filmes melhores, ela pode ter tido atuações mais consistentes, mas _O_ personagem de Hepburn foi, sem sombra de dúvidas, Holly Golightly. E “Bonequinha de Luxo” é um filme que envelheceu muito bem. Continua charmoso e engraçado na medida. Em tempos nos quais parece que para ser engraçado é necessário fazer besteirol um humor sutil e inteligente ainda prova ter muito valor.

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Audrey Hapburn é Holly Golightly. É, bem mais ou menos, não? hshshshs…

Se “Bonequinha de Luxo” é o mais cultuado, talvez o melhor dos filmes de Edwards seja “A Pantera Cor de Rosa” (The Pink Panther, 1963). A história da busca do atrapalhado Inspetor Clouseau pelo famoso diamante é o resultado de uma feliz parceria entre Edwards e Peter Sellers, que encarna magistralmente o protagonista. O próprio Edwards disse que uma das inspirações para o filme veio dos inúmeros filmes mudos de humor de Buster Keaton e Charles Chaplin que ele assistira e isso foi perfeitamente entendido por Sellers, que encarnou Clouseau como todos os trejeitos de um daqueles herois do cinema mudo. Se já não fosse um excelente filme, “A Pantera Cor de Rosa” poderia tornar-se clássica apenas pela sensacional trilha sonora de Henry Mancini. Ou então pela personagem que surgiu na abertura do primeiro filme e tornou-se estrela da sua própria série de desenhos animados. Uma estrela muda, por sinal. Pelo menos na versão clássica do desenho. “A Pantera Cor de Rosa” teve incríveis OITO sequências, entre 1964 e 1993. Todas essas sequências foram dirigidas por Edwards e algumas delas são realmente boas. As duas últimas, posteriores à morte de Peter Sellers (1980), tiveram o italiano Roberto Begnini como protagonista e já não são tão boas assim. As refilmagens de 2006 e 2009, com direção de Shawn Levy e Harald Zwart e com Steve Martin no papel principal são até divertidas, mas só, eu acho, para quem nunca viu os originais.

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Inspetor Clouseau: um dos personagens mais engraçados da história do cinema

A parceria entre Sellers e Edwards também rendeu mais um dos grandes momentos da carreira do diretor: “Um Convidado Bem Trapalhão” (The Party, 1968), um filme simples para caramba onde vemos o que Edwards e Sellers tem de melhor, aquele humor simples e por vezes inocente herdado do cinema mudo.

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Birdie num num

A única indicação de Edwards ao Oscar veio com “Victor ou Victória” (Victor or Victoria, 1982), filme que conta com a participação da eterna Noviça Rebelde Julie Andrews, com quem o diretor foi casado de 1969 até o seu recente falecimento. Andrews fazia o papel de uma mulher que se passa por um homem travesti para conseguir um papel num musical. A situação, engraçada por si só, rende muito bem na mão de Edwards. O diretor foi indicado na categoria “Melhor Roteiro Adaptado” e perdeu para “Missing”, de Costa-Gavras.

A Academia, aliás, reconheceu (como quase sempre, tardiamente) o trabalho de Edwards. Em 2004 ele recebeu aquela estatueta “do conjunto da obra”. Ele não está sozinho: Buster Keaton, Gene Kelly e Fred Astaire, por exemplo, só conheceram esse Oscar. A Academia certamente vai lembrar dele novamente no ano que vem, naquele sempre emocionante clipe dos falecidos do ano anterior…

Jim Carrey entrega o Oscar pelo conjunto da obra para Edwards, que não perde o bom humor…

Edwards já não dirigia desde os anos 90, trabalhando como roteirista principalmente para telefilmes e seriados. Certamente agora ele vai retomar a parceria com Sellers e, quem sabe, fazer mais um excelente episódio da saga da Pantera Cor de Rosa…

Música

STP em Santiago

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

A Movistar Arena é um local bem bacana para shows em Santiago (Chile) e parecia ser o lugar perfeito para a apresentação do Stone Temple Pilots. Pouco antes do horário do show se aproximar, a galera já estava empolgada gritando e assobiando. A banda entrou empunhando seus instrumentos e já mandou duas músicas de seu álbum de estreia: “Crackerman” e “Wicked Garden”, ganhando o público já de início.

A partir daí, muitos hits pesados animaram os presentes, com destaque para “Vasoline”, “Between the Lines”, “Down”, “Interstate Love Song” e “Sex Type Thing”. Mas algo estava faltando e não foi difícil perceber que a banda não parecia estar tão animada quanto seu público. Em especial, percebia-se uma certa apatia do vocalista Scott Weiland, que se limitava a dizer “thank you” entre uma música e outra. Podia ter rolado pelo menos um “Hola, Santiago” para a gente ter certeza de que eles sabiam onde estavam.

A escolha do setlist deixou um pouco a desejar, principalmente considerando que esta lista foi usada em todos os shows da turnê com poucas alterações. Hits como “Big Bang Baby”, “Lady Picture Show”, “Creep” e “Sour Girl” foram deixados de lado e o álbum Shangri-La Dee Da foi inteirinho ignorado. Mas claro que o show teve bons momentos, onde a banda conseguiu transportar os fãs diretamente aos anos 90, como na clássica “Plush” e na excelente versão mais lenta de “Big Empty”. Antes de encerrar o set, um jazzinho serviu de introdução para o peso de “Sex Type Thing”. No bis, a banda retornou com “Dead & Bloated” e fechou com “Trippin’ on a Hole in a Paper Heart”, infelizmente a única música tocada do excelente álbum “Tiny Music”.

Uma apresentação divertida, sem dúvidas, mas eles definitivamente poderiam fazer mais. Tendo já assistido um show dos caras em 2001, durante a turnê do disco Shangri-La Dee Da, posso afirmar que essa apresentação ficou devendo um bocado em energia. Ao contrário do Faith No More (que eu havia assistido dois dias antes), o Stone Temple Pilots não parecia estar muito à vontade no palco, como se essa turnê fosse uma obrigação e não um prazer. Não me admiraria se a banda terminasse mais uma vez após a tour.

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imagem: Cassiano Rodka

Setlist do show em Santiago:

Crackerman
Wicked Garden
Vasoline
Heaven and Hot Rods
Between the Lines
Hickory Dichotomy
Still Remains
Cinnamon
Big Empty
Dancing Days [Led Zeppelin cover]
Silvergun Superman
Plush
Interstate Love Song
Huckleberry Crumble
Down
Sex Type Thing

Bis:
Dead & Bloated
Trippin’ on a Hole in a Paper Heart

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imagem: Cassiano Rodka
Literatura

Votos

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imagem: Anelise Schutz

por Marcella Marx

Prometo lhe ser gentil e sincero se assim comigo fores.
Na alegria de podermos passar uma semana sem visitar a casa de sua mãe
e, na tristeza, quando eu não puder chegar em casa na hora marcada.
Pagaremos juntos um bom plano de saúde para nos auxiliar na doença e,
na saúde, espero podermos usufruir nossas milhas aéreas do cartão.
Até que tu e eu não compartilhemos mais dos mesmos interesses
e a vida nos separe.

Música

Kiss and say goodbye: Faith No More em Santiago

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Onze anos após o término de suas atividades em 1998, o Faith No More decidiu retomar sua formação para fazer uma última turnê mundial. Os bons tempos da banda foram revividos em 75 shows ao redor do planeta, onde a banda tocou sets diversos alternando entre 57 músicas de seu repertório.

Depois de dois excelentes shows em Santiago em 2009, um abaixo-assinado foi organizado pelos fãs chilenos pedindo que a banda retornasse à capital para encerrar a Second Coming Tour. Tocados por essa devoção, os integrantes do Faith No More decidiram retornar ao Chile para tornar o desejo desses dedicados fãs uma realidade. Assim, no dia 5 de dezembro de 2010, o Estadio Bicentenario Municipal De La Florida tornou-se o palco da histórica última apresentação de uma das maiores bandas do século XX.

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imagem: Cassiano Rodka

Os integrantes da banda entraram vestidos em ternos brancos, diferentemente dos outros shows da turnê em que apareciam em ternos coloridos. A primeira música não podia ter sido mais inesperada: “Epic”, o maior sucesso do Faith No More, tomou de assalto os fãs presentes que cantaram em coro o refrão. Mais tarde, em uma festa pós-show, questionei o vocalista Mike Patton sobre a escolha da música de abertura e ele me explicou que a banda queria dar início ao show com algo completamente inesperado. Eles se perguntaram qual seria a maneira mais estúpida de começar a apresentação e o tecladista Roddy Bottum sugeriu “Epic”. Mantendo o clima de surpresa, a canção seguinte foi um dos presentinhos da noite, “Everything’s Ruined”, um single pouco difundido em sua época de lançamento em 1992 e tocado apenas nos três últimos shows da Second Coming Tour. Seguiram mais duas faixas do disco de 92, “Angel Dust”: o funk rock de “Be Aggressive”, cantada em coro pela galera, e o peso paranóico de “Caffeine”.

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imagem: Cassiano Rodka

Para acalmar um pouco os ânimos, surgiu a primeira cover da noite. A singela balada “Ben”, composição de Michael Jackson, ganhou uma versão debochada nas mãos do Faith No More. No fim da música, Mike Patton foi pro meio da galera pedir silêncio para entoar os últimos versos no meio das pessoas. De volta ao palco, o riff de guitarra de “The Gentle Art of Making Enemies” chamava o público a incendiar-se novamente. Os gritos de “I never felt this much alive” fazem muito mais sentido quando cantados ao vivo por uma multidão de fãs despedindo-se de sua banda preferida. Continuando com o clima de despedida, a letra de “Last Cup of Sorrow” não podia soar mais triste do que nesta noite. Composta na época em que a banda estava gravando seu último disco, a música faz pleno sentido mais uma vez: “This is getting old and so are you/Everything you know and never knew/Will run through your fingers just like sand/Enjoy it while you can” (“Isso está ficando velho, assim como você/Tudo que você conheceu e deixou de conhecer/Vai escorregar por entre os seus dedos como areia/Aproveite enquanto pode…”).

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imagem: Cassiano Rodka

A segunda música preparada especialmente para a noite foi a balada “Helpless”. Tocada apenas uma vez em 1997, a inclusão da faixa no setlist foi realmente um presentão para os fãs. Os gritos de “help!” entoados pelo púbico no final da música acrescentaram um bocado à performance da canção, que funcionou melhor ao vivo do que eu imaginava. Direto do quinto álbum da banda, “King for a Day Fool for a Lifetime”, surgem duas faixas que mostram dois lados quase opostos do Faith No More: o peso de “Cuckoo for Caca”, costurado pelos gritos desesperados de Patton e os riffs de baixo de Bill Gould; e a levada soul cool de “Evidence”, que traz um incrível diálogo musical entre os teclados climáticos de Roddy Bottum e a guitarra jazzística composta por Trey Spruance. Cantada em espanhol por Mike Patton pela 4ª vez em Santiago, “Evidence” dessa vez foi entoada por grande parte do público, que já sabia de cor a versão da letra.

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imagem: Cassiano Rodka

Regredindo um bocado no tempo, a banda desencavou a ótima “As the Worm Turns”, faixa do primeiro disco, “We Care a Lot”, para deleite dos “fãs das antiga”. Seguiu o hit “Midlife Crisis”, com seu refrão altamente cantável e direito à citação instrumental de “Sir Duke” do Stevie Wonder. A terceira música preparada especialmente para o final da turnê foi “Spirit”, do segundo álbum da banda, “Introduce Yourself”, tocada raras vezes ao vivo. Com vocais cantados por toda a banda na introdução e a voz de Mike Patton no lugar de Chuck Mosely (vocalista original do Faith No More nos dois primeiros álbuns), a música ganhou vida nova e foi um dos destaques do show. Sem falar que foi interpretada por Patton sob uma máscara mexicana de luta livre.

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imagem: Cassiano Rodka

A ótima “King for a Day” começou meio atrapalhada, sem o som da guitarra de Jon Hudson, mas acabou de forma brilhante, com citação da música “Qué He Sacado con Quererte” da cantora chilena Violeta Parra. Os chilenos acompanharam Patton na cantoria e aplaudiram muito ao final da canção. O riff de “Ashes to Ashes” cortou o silêncio anunciando mais uma cantoria em clima de adeus, mas aos gritos e pulos: “Smiling with the mouth of the ocean/And I’ll wave to you with the arms of the mountain/I’ll see you” (Estou sorrindo com a boca do oceano/E eu vou abanar para você com os braços da montanha/Adeus). Fechando o set, a excelente balada “Just a Man” apareceu para fazer todos levantarem os braços sob o comando de Mr. Patton.

O primeiro bis começou com “Zombie Eaters”, tocada apenas pela segunda vez durante toda a turnê. Uma boa surpresa com uma excelente interpretação de todos, com exceção talvez de Jon Hudson, que dá umas “atalhadas” em algumas guitarras mais complexas criadas por Jim Martin. Mas vá, nada que prejudique essa pérola do clássico “The Real Thing”. Do mesmo disco, surge “Surprise! You’re Dead!”, perfeita para ser cantada em coro, assim como a faixa que segue, o primeiro single da banda, “We Care a Lot”.

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O segundo bis iniciou com a famosa cover de “Easy”. Para ser sincero, nem tinha me dado conta de que ela ainda não tinha sido tocada, o que deu um sabor de surpresa para o momento. E foi mais uma música que soou como despedida: “Know it sounds funny, but I just can’t stand the pain/Girl, I’m leaving you tomorrow(…)/That’s why I’m easy/ I’m easy like Sunday morning” (“Sei que soa estranho, mas não posso suportar essa dor/Garota, estou deixando você amanhã(…)/É por isso que estou tranquilo/Estou tranquilo como uma manhã de domingo”). Seguindo a ordem de lançamento dos singles da banda, “Digging the Grave” veio logo após, convidando todos a berrarem o refrão até o final. Houveram vários pedidos por “Ricochet”, mas não foram atendidos. Patton até debochou respondendo “O quê? Pinochet?”.

O terceiro e último bis veio com a cover ensaiada especialmente para o fim da turnê, “Kiss and Say Goodbye”, da banda The Manhattans. A escolha não poderia ter sido mais apropriada, uma balada soul sobre despedida. Assim como “Reunited” (da dupla Peaches & Herb) foi a música perfeita para o início da turnê, “Kiss and Say Goodbye” é o fechamento ideal para uma reunião inesquecível de uma das melhores bandas dos anos 90. Adaptando um pouco a letra da canção, Mike Patton agradeceu a todos por esses meses de shows e convidou os presentes a curtirem esse momento final e seguirem suas vidas: “I wanna hold you just one more time/When you turn and walk away don’t look back/I want to remember you just like this” (Eu quero abraçar vocês mais uma última vez/Quando forem embora, não olhem para trás/Quero lembrar de vocês exatamente como agora). Cumprindo a promessa, Patton desceu para a galera e se jogou nos braços de todos que estavam mais próximos repetidas vezes, como se não quisesse ir embora. A banda foi se retirando, um a um, restando apenas Roddy Bottum nos teclados repetindo o riff da música. Depois de muitos arranhões e puxões de cabelos, Patton se levantou em frente à multidão e cantou os últimos versos da canção. Deixando o microfone na plateia, Mike se retirou abanando. O microfone foi aparentemente destroçado, pelos barulhos que se ouviam, mas não sem antes um fã gritar “PATTON!” com a pronúncia típica chilena. Graças ao efeito de delay no microfone, o grito repetiu-se algumas boas vezes antes do som cessar, deixando claro que nada há de silenciar o fanatismo pela banda mais inusitada do planeta.

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imagem: Cassiano Rodka
Literatura

Cyber Oráculo

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imagem: Anelise Schutz

por Clarice Casado

Se todo final de ano chegasse rapidinho como este que está chegando, a vida não teria tanta graça assim. As pessoas não percebem, mas a rapidez é chata. Todo mundo quer que tudo passe voando: que o dia voe para não cansar tanto de trabalhar, que a semana se esvaia pelas mãos como água, que o mês corra esbaforido para se ter a boba impressão de que se fez muito (porém, na maior parte das vezes, não se fez nada de extraordinário) e que o ano se esgote o mais rápido possível, para que se comece bem o próximo ano, com aquelas bobagenzinhas de renovação e esperança etc etc etc, quando, em realidade, aquele novo ano será, de regra, igualzinho ao anterior, para a maior parte das criaturas.

O que seria super legal seria ter aquele lancezinho “maneiro” de bola de cristal, sabe? Aquela coisa de cigana, de garota maluca que prevê o futuro. Eu não acredito em nada disso, porque ser cética faz parte do meu show há muito tempo. Mas, senhoras e senhores, se há uma coisa em que eu acredito nesta minha ainda curta vida é no Cyber Oráculo. Cyber Oráculo? Você está mesmo se perguntando o que é isso, ou já sacou de cara sobre o que eu estou falando, leitor? Claro, ele mesmo, o Dr. Google! Não há nada que o notório Google não saiba, estou falando alguma mentira? Não existe, hoje, uma criatura sobre a face da terra (viva ou morta) que não tenha uma informaçãozinha sequer sobre si no Cyber Oráculo – estou errada?

E o Google não escolhe faixa etária: todo mundo sabe que o Google sabe tudo. Em um momento de aperto, dá-lhe Google! Aliás, aperto, propriamente dito, não existe mais, né? É só saber filtrar as informações (entre muita baboseira inconsequente e irresponsável, claro, vide a corrida eleitoral 2010…), e pronto. Você encontra rapidinho o que está querendo saber! Receita de massa ao funghi? Endereços de lojas e livrarias em qualquer lugar do mundo? Onde comer bem em Abu Dahbi? Pesquisas escolares e acadêmicas? Idade de alguma celebrity? Curiosidades ou idiotices em geral? Google it!

A minha filha, de quase cinco anos, me veio outro dia com essa, “Mamãe coloca no Google pra saber assim, se você faz um pedido pra uma estrela cadente, e se você contar o que você pediu pra uma pessoa, o pedido ainda assim se realiza?”. Não é uma coisa muito engraçada? Eu morri de rir por dentro, e disse, “Claro, filha, vamos pesquisar!”, e lá fomos, “estrela cadente pedido contar pra alguém se realiza?”, e veio um montão de informações, gente boa! Infelizmente não tinha nada especificamente respondendo a dúvida da minha filha, mas veio muita coisa, informações de astrônomos, físicos, tarólogos, videntes, ufa! Bom, a verdade, leitores, querendo, ou não, você acaba aprendendo alguma coisa com o Cyber Oráculo.

Bom, neste final de 2010, eu gostaria de perguntar ao Sr. Google, “Google, fala sério, o ano que vem vai ser diferente deste? Como vai ser a minha vida? O que vai acontecer comigo? Eu vou passar em algum concurso? Alguma coisa ruim vai está por vir?” É nesse exato momento em que me calo, solenemente. No dia em que o Google de fato conseguir ler mentes ou prever o futuro, que graça vai haver em viver? O saborzinho gostoso da vida está no imprevisto: nos minutos novinhos em folha que estão por começar, nas pessoas que irão cruzar o seu caminho, algumas deixando marcas e contribuindo de forma especial, outras apenas passando; nas comidas diferentes que você vai provar, no amor que você vai dar e receber, em tudo o que você vai aprender ou ensinar, tudo. Com o Google, ou com a vida mesmo, vá lá.

Cinema

A Rede Social (The Social Network, David Fincher, 2010)

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por Pedro Cunha

Oquei, just shoot me. Não me lembro em qual dos meus textos anteriores eu, no meio de uma crítica à falta de criatividade da indústria cinematográfica, disse algo do tipo “estão fazendo até um filme sobre o Facebook!!”. Pois é, fizeram. E eu fui ver. E não é que eu gostei?

A minha opinião sobre “A Rede Social” começou a mudar quando eu me informei um pouquinho sobre o que era “o filme do Facebook”. A ideia de um filme falando do processo de criação do site de relacionamentos de maior sucesso nos EUA já era uma ideia mais legal. E quando eu soube que o projeto estava na mão de David Fincher eu tive certeza que o filme seria bom. Por quê? Você pergunta por quê??

O trabalho de Fincher começou a aparecer com “Alien³” (1992), um dos mais sombrios da série. Antes disso, e ainda depois, Fincher trabalhava com videoclipes de artistas como Madonna, George Michael, Sting e Aerosmith. Em 1995, ele dirigiu “Se7en”, um dos filmes mais legais dos anos 90 e o filme que me convenceu que Brad Pitt era um ótimo ator. Aliás, não só a mim. E é um baita thriller, um filme de suspense daqueles de deixar todo mundo grudado na cadeira. Se “Se7en” foi um dos filmes bacanas dos anos 90, em 1999 Fincher foi o responsável pelo “Clube da Luta” (Fight Club). Em várias listas, ele é O filme mais bacana dos anos 90. O que dizer sobre “Clube da Luta”? Regra número um: você não fala sobre o Clube da Luta.

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Brad Pitt e Morgan Freeman são os detetives em “Se7en, os Sete Crimes Capitais”

Dentre outros filmes, Fincher lançou ainda “Zodíaco” (Zodiac, 2007), a perturbadora história real de um serial killer que agiu nos EUA e nunca foi pego. Como fazer um filme que na real não tem final? Fincher fez. E em 2008 surpreendeu todo mundo com “O Curioso Caso de Benjamin Button” (The Curious Case of Benjamin Button), adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald sobre o homem que nasceu velho e foi rejuvenescendo até morrer bebê. Além da história fantástica sobre envelhecimento e amadurecimento, o filme conta com as atuações soberbas de Brad Pitt e Cate Blanchet. Fincher foi indicado ao Oscar por Benjamin Button.  E então vem “A Rede Social”

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Brad Pitt encarna o velho jovem Benjamin Button

O filme teve seu roteiro adaptado do livro “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich, que conta a história da criação do Facebook e de todas as polêmicas envolvidas no processo. E que não foram poucas. Algumas críticas não gostaram da adaptação do roteiro feita por Aaron Sorkin por ele tomar algumas liberdades, mudar algumas situações e criar algumas falas. Mas esses puristas, acho eu, esquecem que a proposta nunca foi a de fazer um documentário e sim um filme. E um filme sobre o quê? Na minha opinião, sobre ética, moralidade, amizade e negócios.

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Você já está no Facebook?

Mark Zuckerberg é um gênio da computação estudando em Harvard. Já na primeira cena do filme Fincher nos apresenta o personagem: Zuckerberg é um gênio, mas tem dificuldades nos relacionamentos humanos. É inseguro e, ao contrário do Sheldon de The Big Bang Theory, sente sim a necessidade de aceitação pelos grupos, clubes e fraternidades da Universidade. É numa madrugada de dor de cotovelo, depois de levar um fora da menina com quem saía, que Mark, juntamente com seu amigo brasileiro Eduardo Saverin, cria a ideia que viria a ser o embrião do Facebook. A quantidade de acessos recebidos pelo site consegue derrubar o sistema de Harvard, chamando a atenção de toda a Universidade para Zuckerberg. Para o bem e para o mal, já que o site criado por ele era um onde comparavam-se fotos entre as meninas da universidade e votava-se em qual delas era mais interessante. Se no campo da programação Zuckerberg ficou famoso, entre as meninas de Harvard ele não se tornou tão popular assim.

O surgimento da ideia do Facebook é nebuloso. A ideia foi de Zuckerberg? Foi dos irmãos Winklewoss, típicos estudantes populares e remadores de Harvard que contrataram Zuckerberg para desenvolver um site com uma ideia beeeem semelhante, mas que ele nunca fez? A contribuição de Saverin foi fundamental ou não? E qual a importância da ajuda prestada por Sean Parker, o criador do Napster e ídolo de Mark Zuckerberg?

Essas perguntas são apresentadas num roteiro montado a partir de flashbacks e cenas de tribunais onde os processos dos irmãos Wiklewoss contra Zuckerberg e de Eduardo Saverin contra ele também vão sendo descortinados. Fincher e Sorkin fizeram uma aposta ousada, quebrando toda a linearidade da história. Se o resultado poderia ser confuso, acabou ficando longe disso. A história é perfeitamente compreensível e é muito, mas muito bem conduzida por Fincher. O diretor, aliás, transforma a história naquilo que ele sabe fazer melhor, um thriller de suspense. Colabora bastante para isso a trilha sonora composta por Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que já era parceiro de Fincher em outros filmes. Se nesse ano Fincher foi finalmente indicado ao Oscar por Benjamin Button, certamente o será novamente por “A Rede Social”, que é uma aula de boa direção. Talvez leve, inclusive, o troféu.

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Zuckerberg entedia-se durante uma sessão do tribunal

Os atores, bem dirigidos, são ótimos. O destaque fica para Jesse Eisenberg, que interpreta Zuckerberg. O ator consegue passar a profundidade do personagem e deixar no ar a dúvida quanto ao caráter dele. É um aproveitador? É um mentiroso? É uma criança grande e inocente? Não dá para ter certeza. É um personagem denso e difícil e Eisenberg cumpriu a tarefa de colocá-lo na tela. Andrew Garfield faz o brasileiro Eduardo Saverin, o amigo traído. A ambiguidade do que ele sente por Zuckerberg também fica aparente. E há que se destacar também a participação de Justin Timberlake como Sean Parker, mais um personagem do qual nos questionamos a respeito das reais intenções e do caráter.

O resultado final é um filme que prende por duas horas e que lança perguntas sem trazer respostas. Até porque talvez não haja respostas. As pessoas não são bidimensionais, “do bem” ou “do mal”. São pessoas. E o filme de Fincher, no fim das contas, talvez seja sobre isso: sobre pessoas. O título do filme, aliás, tem um duplo significado. A Rede Social não é exatamente sobre o Facebook, mas sim sobre as relações entre as pessoas envolvidas na sua criação. Todos os modernos questionamentos sobre relações e amizades virtuais ficam em segundo plano quando nos defrontamos com as pessoas e os relacionamentos da vida real. Como Zuckerberg mesmo demonstra, sem dizer, relacionar-se com pessoas pode ser muito mais complicado do que criar um site com 1 milhão de usuários.

Literatura

Contradança

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imagem: Anelise Schutz

por Marcella Marx

Rosalva odiava Veredito que odiava o capitalismo e Dorival, que acabara de comprar o último modelo da Volks. Esse odiava Odete que odiava Glória e seu corpo escultural; Glória também odiava Carlos, por ele nunca o ter reparado e Carlos odiava Armando por ele não ser homossexual. Já Armando odiava Mara por ela amar Lara que, por esse motivo, odiava Dílson que paquerava Clara e não o enxergava pois amava João: desesperadamente.
João que não amava nem odiava, casou-se com Rosalva. Veredito juntou dinheiro a vida toda para comprar uma Quantum gls. Dorival teve de vender o carro para pagar as cirurgias plásticas de Odete. Glória, aos sessenta, viu seu marido trocá-la por uma de trinta. Carlos saiu do armário e mudou de bairro. Armando, inconsolável, tornou-se celibatário. Mara foi consolar Lara e esta gostou do que experimentou. Dílson continua só e paquerando: Clara, Mara, Nara… Clara finalmente casou-se, com um outro João.
Pois aquele, continua tentando aprender a amar e odiar.

Cinema

Spirit Awards 2010 – Os Indicados

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por Pedro Cunha

Você gostou de “Encontros e Desencontros” (Lost in Translation, Sofia Coppola, 2003)? E de “Sideways” (Alexander Payne, 2004)? Certamente assistiu “O Segredo de Brokeback Mountain” (Brokeback Mountain, Ang Lee, 2005). Com certeza se encantou com “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine, Jonathan Dayton e Valerie Faris, 2006). Gostou, no mínimo, da trilha sonora de “Juno” (Jason Reitman, 2007). Comoveu-se com os dramas de “O Lutador” (The Wrestler, Darren Aronofsky, 2008) e de “Preciosa” (Precious, Lee Daniels, 2009). O que todos esses filmes tem em comum? Bom, todos eles custaram MENOS de U$ 20 milhões. E foram vencedores do Spirit Awards, o prêmio norte-americano para o cinema independente que nessa semana indicou seus candidatos.

A temporada das premiações, que perdura por todo o verão, dá uma prévia do que veremos por aqui. Até por que quanto mais prêmios e badalação um filme recebe lá nos EUA maiores as chances de nós conseguirmos vê-lo por aqui. O Spirit Award é o sucessor do “FINDIE”, o “Friend of Independent Movie Awards”, e propõe-se a premiar aqueles filmes que não são exatamente blockbusters, tem um custo de produção mais baixo e não contam com o apoio violento das distribuidoras. Analisando a lista de indicações (que está aqui: http://www.spiritawards.com/nominees), escolhemos alguns filmes que podem ser o hype do ano que vem:

O campeão de indicações é “Winter’s Bone” (Debra Granik, 2010). São sete categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Atriz (Jennifer Lawrence), Melhor Atriz Coadjuvante (Dale Dickey) e Melhor Ator Coadjuvante (John Hawkes). O filme trata de uma menina de 17 (Lawrence) que é inteiramente responsável por uma família composta por dois irmãos mais novos e uma mãe incapacitada. Ao saber que o pai, fugitivo, havia entregue a casa da família como parte de uma dívida a menina parte atrás dele pelo submundo ao mesmo tempo em que tenta preservar a integridade da família. O filme tem recolhido boas críticas, tendo recebido inclusive o Grande Prêmio do Juri do Festival de Sundance, um dos mais tradicionais do cinema independente. O filme, que custou U$2 milhões, já arrecadou quase quatro vezes mais que isso. O lançamento no Brasil ainda não está previsto.

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Com cinco indicações, “Minhas Mães e Meu Pai” (The Kids Are Alright, Lisa Cholodenko, 2010) é o único dos favoritos que já está em cartaz em Porto Alegre. Aliás, ainda está. Corra que está em poucas salas. O filme conta a história do casal de lésbicas interpretadas por Annette Bening e Julianne Moore que tem dois filhos (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton e Josh Hutcherson), resultados de inseminação artificial. A filha mais nova, com 15 anos, pede ajuda para o irmão para encontrar o seu pai biológico (Mark Ruffalo). A chegada do pai biológico cria novos exemplos e paradigmas de família. O filme concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Annette Bening) e Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo).

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O meu “dodói” na premiação tem quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Atriz (Natalie Portman). É “Cisne Negro” (Black Swan, Darren Aronofsky, 2010). Aronofsky (Pi, O Lutador, Réquiem Para Um Sonho) conta a história de uma competição dentro do New York City Ballet pelo posto de primeira bailarina entre Natalie Portman e Mila Kunis. O filme é descrito, pela crítica em geral, como um thriller bastante tenso e sensual. Tensão, sensualidade, Aronofsky e Natalie Portman? Já estou lá, no dia do lançamento… que está previsto para 2 de fevereiro aqui no Brasil.

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Se tivesse um prêmio de melhor cartaz, “Cisne Negro” levava o prêmio e todas as indicações…

“127 Hours”, o novo projeto de Danny Boyle, está indicado em três categorias: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator (James Franco). O filme é baseado numa história real na qual o personagem de Franco tem que sair de um cânion no interior de Utah para tentar salvar a sua família, após um acidente (num acampamento, talvez. Não tenho certeza e fujo de spoilers…). Todos os elogios do filme destacam a narrativa, que é um dos pontos fortes de Boyle em outros filmes como “Trainspotting” (1996), “A Praia” (The Beach, 2000) ou o menos cotado (e meu filme preferido dele) “Por Uma Vida Menos Ordinária” (A Life Less Ordinary, 1997).

Fecha a lista de indicados para melhor filme temos “Greenberg” (Noah Baumbach, 2010), que também foi indicado nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Ator (Ben Stiller) e Melhor Atriz (Greta Gerwig). Ben Stiller é um nova-iorquino que vai a Los Angeles cuidar da casa de seu bem sucedido irmão, que parte em uma viagem com a família.  Lá ele se envolve com a personagem de Gerwig, que é uma espécie de diarista que toma conta da casa. O filme, se eu bem entendi, é sobre pessoas e relacionamentos. Pareceu interessante, apesar de eu não gostar do Stiller…

Bom, um desses cinco filmes vai se juntar àqueles lá do primeiro parágrafo como vencedor do Spirit. Se tiver a oportunidade não deixe de assistir nenhum deles. Conferindo a história do Spirit dá para ter certeza que os indicados também sempre são bons filmes. E vamos seguir no aquecimento das premiações, enquanto seu Oscar não vem…

PS: Parabéns ao narigudo mais querido de Nova Iorque! Woody Allen completou 75 anos nessa semana. E continua trabalhando, seu próximo filme está sendo rodado em Paris…