Clarice Dall’Agnol

Cinema

Argo

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por Pedro Cunha

Faltam dez dias para que possamos criticar os vestidos no tapete vermelho. Faltam dez dias para reclamarmos da tradução simultânea. Faltam dez dias para rirmos das piadas que não entenderemos direito. É, faltam dez dias para o Oscar 2013.

Vou aproveitar minha volta desse longo e tenebroso verão de ausência para comentar uma série de filmes envolvidos na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Alguns são favoritos, outros são azarões. Outros ainda deveriam estar lá e não estão. Mas de que vale uma lista (e os filmes do Oscar não deixam de ser uma lista) se não podemos comentá-la e criticá-la? Vamos começar nossas análises e chutes então:

Argo (Ben Affleck, 2012)

Sete Indicações: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante (Alan Arkin), Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Edição.

Já Ganhou: 3 Bafta (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição); 2 Globos de Ouro (Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor); People’s Choice (Melhor Filme); Screen Actors Guild Award (Melhor Elenco); WGA Award (Melhor Roteiro); DGA Award (Melhor Filme).

Hollywood quer que Ben Affleck seja um dos seus queridinhos. E faz tempo. Mais precisamente desde 1997, quando ele apareceu como um dos roteiristas de Gênio Indomável (Good Will Hunting, Gus van Sant, 1997). De lá para cá várias vezes Affleck pareceu que ia decolar. Fez bons filmes como A Soma de Todos os Medos (The Sum of All Fears, Phil Alden Robinson, 2002) e participou de bobagens como a sofrível versão cinematográfica para o heroi em quadrinhos Demolidor (Daredevil, Mark Steven Johnson, 2003). Seus filmes médios e ruins são em quantidade maior que os bons e ótimos, mas ninguém repetia muito isso. E então ele aparece como produtor, diretor e estrela de Argo. O filme conta uma história real que apenas recentemente tornou-se pública: em 1979, em plena Revoluão Iraniana, quando a embaixada norte-americana em Teerã é invadida, um grupo de seis diplomatas consegue fugir e buscar abrigo na casa do embaixador canadense. Como tirá-los de lá antes que sejam encontrados? (e fatalmente seriam). Há um departamento na CIA especialista em extrações que começa a bolar algumas ideias, todas péssimas. Affleck é o maior especialista no assunto e é ele que tem a ideia que acaba sendo posta em prática: simular a filmagem de um longa em Teerã onde os diplomatas sairiam do país como parte da equipe do filme. Citando uma das falas do filme, foi a melhor ideia ruim que tiveram. Disparado.

Affleck faz uma direção impecável. A história tem início, meio e fim e vai num crescente de tensão. As cenas da embaixada dos EUA antes da invasão, no início do filme, já perturbam. O diretor não se perde enquanto conta duas histórias: nos EUA, a preparação para a absurda missão de extração e, no Irã, o aperto do cerco da Revolução Islâmica com os diplomatas se escondendo e sabendo que serão encontrados, mais cedo ou mais tarde. Quando as duas histórias se encontram e o personagem de Affleck conhece os diplomatas, a tensão começa a crescer. A descrença deles no plano aliada à certeza de que aquela é a única possibilidade, por mais absurda que seja, torna a situação deles desesperadora. A cena do bazar mostra o quão perturbador pode ser estar em um outro país no meio de uma cultura que não se conhece e sem falar a língua local. Gritos, gestos e olhares ferem e acuam um grupo de pessoas que, naquela altura, só o que querem é ir para casa.

A trama política se mistura com a trama pessoal do agente Tony Mendez, representado por Affleck. Ao mesmo tempo em que ele é o responsável por fazer famílias e parentes voltarem para casa o seu trabalho acaba por afastá-lo do filho pequeno. Sem ser piegas, a história consegue ser sensível na medida certa. Se dirigir um filme é contar uma história, Affleck mostrou que sabe fazê-lo. Introdução, apresentação dos personagens, apresentação do problema, clímax e desfecho, tudo bem feito e em ordem.

Se a história foi bem contada, visualmente ela também é impecável. O diretor de fotografia e o diretor de arte fizeram um trabalho primoroso na ambientação. A escolha dos tons mais desbotados, a luz por vezes saturada e o visual propositalmente granulado faz com que acreditemos que o filme se passa, de fato, no fim dos anos 70. A escolha do figurino e até dos cortes de cabelo, barba e bigode também tiveram essa preocupação com a ambientação, fazendo com que, em vários momentos o filme se pareça com um filme produzido na época.

Tecnicamente falando, o filme é perfeito. Ainda fomos brindados com uma belíssima atuação de Alan Arkin, justamente indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Tanto o filme é excelente que venceu até agora as principais premiações: ganhou o Bafta de Melhor Filme, o DGA de Melhor Diretor, o WGA de Melhor Roteiro, o AGA de Melhor Elenco (as premiações máximas dos sindicatos, respectivamente, de Diretores, Escritores e Atores de Hollywood) e os Globos de Ouro de Melhor Filme (Drama) e Melhor Diretor. Com a exceção do Bafta, que é britânico, são simplesmente as maiores premiações dos EUA, com exceção do Oscar. Ainda assim o Oscar parece, até agora, dar mostras de que esse ainda não é o ano para Affleck. Para começar houve a incompreensível não indicação de Affleck na categoria Melhor Diretor. Nos últimos dez anos, apenas duas vezes o vencedor na categoria Melhor Filme não levou também Melhor Diretor (em 2006, Ang Lee venceu Melhor Diretor pelo favorito O Segredo de Brokeback Mountain, mas o melhor filme foi o azarão Crash – No Limite, de Paul Haggis. Já em 2003, o Melhor Filme foi Chicago, de Rob Marshall, e o Melhor Diretor foi Roman Polanski, por O Pianista). As chances de Argo, portanto, ficam bastante diminuídas. Se considerarmos que a última vez que um filme ganhou na categoria Melhor Filme sem que seu diretor tenha sido sequer indicado a Melhor Diretor foi em 1990, quando Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy, Bruce Beresford) venceu favoritos (e melhores) como Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July, Oliver Stone) e Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, Peter Weir) isso não aconteceu mais. Infelizmente, na minha opinião, Argo não ganha. Quem ganha? Acompanhe durante a semana…

Música

O retorno glorioso do Eels

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por Cassiano Rodka

Depois de lançar uma trilogia de discos entre 2009 e 2010, o Eels retorna este ano com novo fôlego em seu décimo álbum.

O compositor e único integrante fixo da banda, Mark Oliver Everett, decidiu entrar em estúdio sem uma ideia pré-concebida do que faria. Reuniu os quatro músicos que são parte da formação atual da banda ao vivo (os guitarristas The Chet e P-Boo, o baixista Koool G Murder e o baterista Knuckles) e foi deixando as canções surgirem naturalmente.

Dessa experiência, surgiu “Wonderful, Glorious”, um álbum mais orgânico e colaborativo que os anteriores da banda. Já na primeira faixa, a excelente “Bombs Away”, dá para sentir o clima de uma banda tocando junta. O processo fica mais claro ainda em “Kinda Fuzzy”, onde dá para imaginar os músicos tocando ao vivo em uma mesma sala. Mas nem por isso os experimentos eletrônicos de “Tomorrow Morning” ficam de fora. Mark Everett utilizou o que aprendeu fuçando em sintetizadores e teclados no disco anterior em músicas como “Accident Prone” e “The Turnaround”.

O primeiro single de “Wonderful, Glorious” é “Peach Blossom”, uma boa amostra do que é o disco. Com um riff sujo e uma batida dançante, a música remete aos discos mais roqueiros da banda, como “Souljacker” e “Hombre Lobo”. O clipe mostra Mr. E feliz da vida tocando com a sua banda e tendo uma tarde divertida com uma garota indie.

Continuando de onde “Peach Blossom” parou, o vídeo criado para “New Alphabet” mostra o vocalista acordando de ressaca e saindo para rua para enfrentar diversos bullies de não mais que 12 anos. “Quando o mundo para de fazer sentido, eu invento um novo alfabeto” (“When the world stops making sense, I make a new alphabet”) entoa o vocalista, deixando claro que esse disco é sobre saber se levantar após uma surra e enfrentar o mundo.

As letras do compositor, como era de se esperar, são emocionantes e divertidas. Se tem algo que Mr. E domina é o uso das palavras. A experiência de compor em grupo parece ter mexido com ele, já que pelo menos duas canções falam sobre a força que pode surgir da união com amigos. Está lá em “Stick Together” e “You’re My Friend”.

A banda deu início a sua nova turnê no dia 14 de fevereiro e os setlists têm contado com as canções mais roqueiras do repertório do Eels, além de covers de Fleetwood Mac e Small Faces. Será que a gente finalmente vê eles por aqui?…

Literatura

História de Maria: amargor

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imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Desde criança, Maria sabia que tinha algumas coisas na vida que precisavam ser feitas, mesmo não querendo ou não gostando. Lembrava-se muito bem de quando sua mãe, uma vez ao ano, colocava sobre a mesa o vidrinho de “óleo de fígado de bacalhau”. Uma colherada daquele líquido amarelado era o suficiente para alguns minutos de grande agonia. Mas, dizia sua mãe: nada comparado aos grandes benefícios futuros, quando ela ficasse mais velha. Maria não sabia ao certo quais eles seriam, mas tinha uma intuição de que era e seria sempre uma pessoa saudável graças ao bacalhau! Outro “remédio amargo” que Maria lembrava de ouvir seu avô dizer era: melhor ficar amarela agora, do que vermelha depois. De certa forma, o amarelo a lembrava do óleo de fígado e ela encarava aqueles pequenos “atos de coragem” como se fossem doses daquele xarope que precisavam ser tomadas de tempos em tempos. Maria acostumou-se ao sabor amargo da vida e chegou até a gostar dele. Lhe parecia que a doçura da vida ficava mais presente por causa daquelas “pequeninas pílulas” e ela não entendia como as pessoas passaram a não mais querer experimentá-las.
Ela imaginava se um dia numa farmácia pudéssemos encontrar dois frascos, o primeiro deles contendo o rótulo: amargo, consequências dramáticas, náusea e outras tantas inesperadas. Benefícios futuros: ausência de mágoas e problemas do coração.
No outro, lia-se: doce, sem consequências perceptíveis, felicidade instantânea, bem estar imediato. Benefícios futuros: nenhum ou, possivelmente, amargura.
Qual deles será que escolheriam?

Música

Meca Festival 2013

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Em sua terceira edição, o Meca Festival mostrou mais uma vez que tem muito a ensinar aos festivais de grande porte. Focado em um público interessado em novidades, o evento consegue reunir uma gama de bandas bacanas pouco conhecidas do grande público a preços super acessíveis em pleno litoral sul-rio-grandense.

O local do Meca já é um grande acerto. A Fazenda Pontal é um parque localizado próximo à Xangrilá, sendo perfeito para receber um grande público desde às 17h até a madrugada. Com bastante espaço, passear pelo evento é fácil e, com muitas casinhas oferecendo diferentes opções de diversão, torna-se algo imprescindível.

Sem desfiles de celebridades no palco, o evento fica economicamente viável. Bom para os organizadores, bom para os frequentadores, pois os ingressos têm preço justíssimo, bem como comida, bebida e demais produtos vendidos no festival. Mas o maior atrativo mesmo é a possibilidade de conhecer bandas emergentes de várias partes do mundo em primeiríssima mão.

Já que, nas edições anteriores, o festival contou com um que outro nome underground mais conhecido, o lineup da edição 2013 assustou um pouco, pois possuía exclusivamente artistas novos. Mas a ideia do Meca é justamente apresentar shows inéditos de bandas que talvez você só veja lá, então se você procura artistas renomados… lugar errado, amigo.

Sendo assim, passaram pelo palco as bandas internacionais Dragonette, Friends, Citizens e Flight Facilities, e os grupos brasileiros Holger, Tess, Dis Moi e Database. Os shows foram muito bons e a qualidade do som estava incrível. De todos que assisti, curti bastante o Holgen e o Friends. O Holgen tem um som bem peculiar, dando bastante destaque às percussões, que, aliás, ficam posicionadas no meio do palco. Já o Friends era a banda que eu menos curtia (pelo pouco que conhecia deles) e acabei me surpreendendo com um show animado cheio de boas músicas. Para ver como algumas coisas só se descobrem assistindo o artista ao vivo mesmo.

O Meca é um festival que celebra a sua própria época, valorizando e abrindo espaço para o que há de novo na música.

No meu tempo era melhor. E o meu tempo é agora.

Literatura

Como fugir de si mesmo em poucas lições

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Aos meus censores internos,
que pensam poder mandar em mim.

As vozes que em mim habitam
andam alvoroçadas
inquietas
desvairadas.
Querem sair,
querem ver o mundo.
De tempos em tempos,
me viram do avesso,
me põem quase louca,
me fazem procurar sentido,
onde sentido não há:
Querem urrar gritos escuros –
E tempestade.
Querem fazer da madrugada dia claro,
revirar minha memória,
vasculhar minhas entranhas.
Querem me mostrar
verdades que não quero admitir,
nem sentir.
Querem me sussurrar a noite toda,
como anjos disfarçados.
Querem martelar ideias absurdas,
corroer paradigmas,
torturar,
e escancarar as portas todas do meu ser.
Querem jogar comigo,
me colocar à prova,
fotografar minha alma.
Querem me fazer dizer tudo,
sem nada dizer.
Querem me mostrar que posso
o que julgo não poder.
Querem dar asas aos meus desejos,
me dissecar.
Querem me obrigar a fazer poesia.
Conseguiram:
mais uma vez,
cá estou,
ao seu inteiro deleite
e dispor.

Literatura

Sucumbir

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imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Atirei-me nua na grama,
na esperança de despir-me
de todos os meus sentimentos.

Enquanto o vento
beijava o meu rosto,
desejei rasgar minha pele.

Enquanto admirava as
pétalas da árvore,
que me fazia sombra,
quis perder a visão.

Enquanto respirava o
cheiro do verde molhado,
almejei sufocar meus pulmões.

Enquanto o sol, gentilmente,
penetrava em minha casca,
ansiei arrancar meu coração.

E, por saber que
jamais seria capaz,
fantasiei chover
cacos de vidro.
Clamei por isso.

Música

Os melhores de 2012

por Cassiano Rodka

Nada como fazer aquela listinha revisitando os melhores momentos musicais do ano anterior. Então aqui vão os discos que eu mais curti em 2012, organizados na ordem em que os descobri.

Barry Adamson – I Will Set You Free
Depois de participar da turnê de revival do Magazine, o músico Barry Adamson entrou em estúdio para gravar as canções de “I Will Set You Free”. Possivelmente influenciado pela visita musical ao seu passado tocando baixo ao lado dos pais do pós-punk, o compositor lançou um dos discos mais roqueiros de sua carreira. Claro que o jazz não ficou de lado, resultando num híbrido bem bacana com canções memoráveis.

Aaron Freeman – Marvelous Clouds
Depois de cerca de 30 anos tocando no Ween, o músico Aaron Freeman decidiu aposentar a banda e apostar em uma carreira solo. Tendo tocado ao lado do Ween desde os 14 anos, Aaron declarou que já estava na hora de pegar um violãozinho e entrar no modo velhinho folk. E foi o que ele fez. Em “Marvelous Clouds”, o vocalista e guitarrista homenageia o músico e poeta Rod McKuen em versões inspiradas de 13 de suas canções. Provavelmente o disco que mais escutei em 2012.

Fiona Apple – The Idler Wheel…
Um novo álbum da Fiona Apple é sempre merecedor de atenção. Com seu quarto disco, ela deixa claro que não está aqui para agradar ouvidos preguiçosos ou escalar paradas de sucesso. Com o título altamente anticomercial de “The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do”, o novo trabalho da cantora é experimental e minimalista. As músicas são compostas de linhas simples e repetitivas de piano, muita percussão e belas melodias de voz que só o gogó de Apple consegue produzir.

dEUS – Following Sea
Depois de ter se trancado durante anos em estúdio para produzir o fraco “Keep You Close” em 2011, a banda belga dEUS parece ter aprendido a lição e fez exatamente o oposto: em questão de poucas semanas, compôs e registrou 10 canções para seu novo disco. “Following Sea” foi lançado de uma hora para outra, com um aviso no site da banda que dizia algo do tipo “estamos lançando um álbum novo… hoje!”. O resultado foi excelente, apresentando algumas das melhores composições do dEUS nos últimos tempos.

The Asteroids Galaxy Tour – Out of Frequency
Com apenas dois álbums, a banda dinamarquesa The Asteroids Galaxy Tour já fez bastante barulho pelo mundo. A mistura de soul, pop e psicodelia capitaneada pela simpática vocalista Mette Lindberg já rendeu singles de sucesso que viraram trilha de comerciais de grandes marcas, como Heineken e Apple. Nesse segundo trabalho, a banda mostra que ainda tem muito material para criar refrões grudentos, instrumentais viajandões e batidas dançantes. Quem esteve no show deles em São Paulo no ano passado sabe que não há como não se entregar ao som dos caras ao vivo.

The Heavy – The Glorious Dead
O que esperar da melhor banda do mundo da atualidade? O terceiro álbum do Heavy traz os músicos em grande forma através de 10 faixas inspiradíssimas. Os excelentes riffs de guitarra de Dan Taylor se destacam mais uma vez, bem como a voz de Kelvin Swaby, que vai do soul ao rock com tranquilidade. O disco conta com mais metais e cordas do que os anteriores, e os instrumentais das canções parecem ter sido esculpidos à perfeição, o que fica muito claro escutando a versão instrumental de “The Glorious Dead” lançada em vinil. A produção é impecável e as apresentações ao vivo têm sido espetaculares. O que dizer? É para escutar para o resto da vida!

Parov Stelar – The Princess
Considerado um dos pais do electro swing, o DJ Parov Stelar é um verdadeiro mestre na arte de mesclar as batidas do house com samples de nomes do jazz da época dourada das big bands. Em seu quinto disco, o austríaco conseguiu trazer para o estúdio o espírito das suas apresentações ao vivo, em que toca com uma banda de ótimos músicos. Assim, as novas canções soam mais orgânicas do que nos discos anteriores, dando espaço aos belos solos de trompete de Jerry Di Monza. Os vocais da cantora Lilja Bloom voltam a brilhar em algumas das melhores faixas de “The Princess”.

Muse – The 2nd Law
Drama, cordas, ópera, solos de guitarra, falsettos… e mais drama! Muita gente torce o nariz pro Muse, e eu até entendo, mas não consigo resistir às mega produções dos caras. Para começo de conversa, Matt Bellamy é um excelente guitarrista, pianista e vocalista, tudo ao mesmo tempo – certamente não é humano. Só por ele, já vale a pena a viagem. A banda sempre se puxa nos arranjos e não tem medo algum do exagero, o que acaba produzindo discos cheios de camadas, como “The 2nd Law”, que revelam novidades a cada nova audição. Em termos de rock de arena, pelamordedeus, afoguem o Coldplay, aposentem o U2 e me tragam mais Muse!

Mark Lanegan Band – Blues Funeral
Deixando de lado seu lado mais intimista e taciturno, Mark Lanegan reuniu uma banda para gravar com ele as canções de seu novo disco. O resultado é surpreendente, trazendo à tona o lado rock star do músico, que parecia estar dormente desde as épocas do Screaming Trees. Lanegan declarou que compôs muitas faixas partindo de teclados e batidas eletrônicas em vez de violão. Isso contribuiu para a sonoridade eletrônica de algumas músicas, o que é algo totalmente novo para o músico e, inesperadamente, fecha muito bem com a sua voz. Não tô mentindo, confira “Ode to Sad Disco”.

Meshell Ndegeocello – Pour Une Âme Souveraine: A Dedication to Nina Simone
O último grande álbum que escutei em 2012 foi a maravilhosa homenagem que Meshell Ndegeocello fez à grande Nina Simone. Escolhendo algumas de suas canções preferidas da rainha do soul, Ndegeocello reconstruiu as conhecidas melodias em arranjos muito próprios, resultando em uma sonoridade muito peculiar que mescla blues, funk, new wave, rock e trip hop. Esse é para escutar no repeat, seja durante uma longa viagem ou relaxando em casa.