
por Clarice Casado
Ah, o poder das palavras…
Quisera o escriba dizer tudo
em apenas quinze minutos…!
Site da escritora Clarice Dall'Agnol

por Clarice Casado
Ah, o poder das palavras…
Quisera o escriba dizer tudo
em apenas quinze minutos…!

por Marcella Marx
O som do apito partia com o vento e o som das portas trancando ressoava infinitamente. Não teve tempo de dizer muitas palavras. Apenas:
– Guarda esse bem e lembra dele nas horas certas!
A menina anotou o conselho num papelzinho. Depois o dobrou e dobrou, até que ficasse minúsculo. Só então decidiu rasgá-lo e atirá-lo ao vento.
Para que assim permanecesse bem guardado em sua memória.

por Angelina Dall’Agnol Casado
Brisa fraca, brisa forte
Quem te traz?
São as arvores ou somos nós?

por Cassiano Rodka
Repassando os passos do passado
Passei a passear nos pastos do futuro
Furtei-me do presente

por Cassiano Rodka
John Grant iniciou bem a sua carreira solo ao lançar em 2010 o álbum “Queen of Denmark”. A bela seleção de canções folk, baladas de piano e letras confessionais chamou atenção da mídia especializada em música, culminando na nomeação do disco como um clássico instantâneo pela revista Mojo.
Depois de 10 anos liderando a banda The Czars (de 1994 a 2004), o músico norte-americano quase desistiu da carreira ao ver todos os integrantes do grupo perderem o interesse no trabalho que haviam desenvolvido juntos. Passado algum tempo, a frustração foi se dissipando e Grant voltou a compor em seu piano. Decidiu registrar suas novas canções ao lado dos músicos texanos da banda Midlake, que tornaram-se amigos e estiveram sempre ao lado do cantor insistindo que ele não desistisse de continuar criando.
“Queen of Denmark” foi um recomeço para o compositor, que decidiu escrever letras extremamente pessoais para acompanhar as suas canções folk. Amores não correspondidos, uso de drogas e a dificuldade em se descobrir gay e soro positivo em meio a uma família super católica são alguns dos tópicos recorrentes. Apesar de explorar temas tristes, o tom do cantor é sempre bem humorado, otimista e desbocado, ao estilo do compositor Mark Everett do Eels.
O trabalho de Grant agradou a cantora irlandesa Sinéad O’Connor, que elogiou o álbum de estreia do músico e gravou a faixa título em seu disco “How About I Be Me (And You Be You)?” de 2012. A gravação aproximou os dois cantores e ocasionou a participação de O’Connor em 4 faixas do segundo álbum solo de John Grant, “Pale Green Ghosts”.
Lançado em 2013, “Pale Green Ghosts” é o resultado da parceria de John Grant com o produtor islandês Birgir Þórarinsson, mais conhecido pela sua banda eletrônica Gus Gus. Gravado em Reykjavik, onde Grant passou a morar, o álbum mescla o piano folk do compositor a sintetizadores dos anos 80, dando uma personalidade muito particular à sonoridade das canções. Com letras inteligentes e melodias contagiantes, o disco promete conseguir destaque em muitas listas de melhores do ano – certamente já tem cadeira cativa na minha!

por Marcella Marx
Ela acordou
já era tarde demais
vida passado

por Isabel Dall’Agnol
Um sorriso
disfarçando segredos,
mutilando desejos,
contendo anseios.
Tua boca
simula aparência,
buscando inocência.
Mas a mordiscada
nos teus lábios
me revela teu silêncio…

por Clarice Casado
“Viveremos uma era em que a liberdade de pensamento será de início um pecado mortal
e mais tarde uma abstração sem sentido”.
(George Orwell)
“Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força“.
(lema do “Partido Único”, descrito no romance 1984, de George Orwell)
No ano de 2002, li pela primeira vez a masterpiece de George Orwell, o romance 1984. Em sua fantástica, pessimista e visionária odisseia, Orwell imagina e descreve um mundo vigiado por uma força enigmática e superior chamada de Big Brother. Nos lares, nas ruas e em locais de trabalho, os indivíduos são constantemente vigiados e têm todos seus movimentos gravados por câmeras sinistras, espécies de telas de televisão, que são a mais pura representatação do totalitarismo cego e desrespeitador das liberdades individuais. Pelas ruas da fictícia e opressiva Oceânia, lê-se cartazes com o aviso “Big Brother is watching you (O Grande Irmão está lhe vigiando)”.
Na época daquela minha primeira leitura, fiquei muito chocada e impressionada com a narrativa de Orwell. Tudo me pareceu genialmente fantasioso, e eu não conseguia imaginar, de jeito nenhum, que algum povo pudesse, algum dia, sofrer com algo parecido. Engano meu. Grande engano. Orwell de fato antecipou o futuro, em uma época em que nem de perto se sonhava com a ideia de um mundo virtual. O romance profético foi concluído em 1948, no pós-Segunda Guerra Mundial, e quis apontar todos os sofrimentos da guerra, representados pelo nazismo e outros movimentos autoritários; pela tortura e pelos abusos intelectuais e físicos praticados naquele sinistro período da história da Humanidade.
Pois, então, leitores, esta cronista que vos fala quer dizer-lhes hoje que nós, o povo do planeta Terra, estamos passando por um fenômeno que se assemelha muito ao do olho impiedoso descrito em 1984: nosso Big Brother tem nome, e este nome é Facebook.
Atualmente, o que não está no “Face”, não está no mundo. Confesso que tive um longo período de paixão pela rede social mais acessada do planeta, e hoje o que vejo lá me assusta, me choca, me impressiona, como me impressionou o romance de Orwell em 2002. O Facebook representa hoje, em minha opinião, um olho gigante, crítico, maldoso, raivoso, manipulador, ignorante e sem limites. Nada que ali é manifestado passa ileso. Tudo o que se publica – opiniões, ações, ideias, rotinas – tudo, enfim, é constantemente vigiado (e punido!) pelo sem número de “amigos” que uma criatura consegue ter naquela rede social. A diferença entre o Facebook e o Big Brother de Orwell é que no Facebook os próprios indivíduos vigiam uns aos outros, não havendo apenas uma entidade totalitária e manipuladora, representada pelo governo, mas várias, nós mesmos, seus usuários.
Para mim, o Facebook começou como uma ferramenta interessante e útil para aproximar amigos e família, para publicar fotos de bons momentos, para dividir boa música e bons textos, para espalhar e divulgar cultura, eventos, notícias e entretenimento de qualidade. O que vejo, nos últimos tempos, é muita gente com ódio e raiva de tudo, intolerância e desrespeito às ideias e opiniões alheias; pessoas que não se preocupam mais com a fonte e com a acuidade das informações que veiculam irresponsavelmente a cada segundo, minuto, hora, dia após dia, sem cansar. É uma guerra virtual constante, ignorante e cansativa, uma guerra verbal totalmente despreocupada com o conhecimento e com fatos verdadeiros. Só se quer veicular montanhas de informações desconexas e desencontradas, que se transformam em uma avalanche de bobagens incongruentes e absurdas. Parece-me que o Facebook começou como um grande e belo muro branco, pronto a receber bonitas imagens, pinturas e poemas, e agora é uma parede horrorosa e suja, pichada de cima a baixo com palavras de baixo calão e imagens sombrias e de mau gosto.
Raras são as pessoas que ainda postam textos, vídeos e música de qualidade. Eu tenho a sorte de ainda ter alguns amigos (verdadeiros e virtuais) que de fato entendem a diferença entre conhecimento e informação. Informação é efêmera; se desfaz rapidamente e é, muitas vezes, mal escrita e enganosa. O conhecimento, pelo contrário, é duradouro, permanece; é comprometido com a verdade – nunca absoluta – mas sempre profundamente pesquisada e embasada. Tenho a nítida impressão de que o conhecimento, da maneira que o conhecemos, está agonizando, está com os dias contados. Está próximo da morte. Infelizmente, temos todas as armas para matá-lo aos pouquinhos, para sufocá-lo por uma enxurrada de informações fúteis, tolas e inúteis, frutos da horrorosa capacidade humana de gastar seu tempo precioso com a interferência totalitária na vida alheia. Se continuarmos a agir como meros repetidores de informações irresponsáveis, mentirosas e desencontradas, acabaremos com a única coisa que de fato tem (ou deveria ter) importância em nossas humildes e passageiras existências sobre a Terra: a capacidade de estudar, pesquisar e pensar sábia e livremente, no sentido de construir verdadeiro e profundo conhecimento, de nós mesmos, e de tudo que nos rodeia. Conhecimento este que deveria permanecer bem vivo para as próximas gerações.

por Marcella Marx
Put a lot of cold winds together
Add a bit of chill and rain
Mix them all up
With a large amount of snow flakes
Freeze until it is Spring again