por Clarice Casado Prezada, O problema é que muita gente já morreu aqui. E eu pensando que isso era bobagem. Pouca gente entra e muita sai, e isso não é bom para casa nenhuma. Casa é personagem. E principal, ainda por cima. Não tem cristo que me faça mudar de ideia. Nunca me disseram que… Continuar lendo Última carta
Autor: claricedc
Longe
por Clarice Casado Não sabes ao certo quantas tardes terão que morrer Para que a nossa estada no mundo Não se torne tão invisível tão improvável Insuportável Quantas vezes choraste nos outonos doídos Sem saber Que nada importava Apenas nós Apenas a terra O porto apenas.
Órfão de uma certa Manaus
por Clarice Casado Literatura só é literatura quando alguém a lê. A epígrafe deste texto é dele. E ele mora na minha rua. Uma cidade do tamanho de São Paulo, e o cara mora na minha rua. Tendo há apenas dois meses passado a figurar como um de meus escritores preferidos, Milton Hatoum, ganhador de… Continuar lendo Órfão de uma certa Manaus
Da partida
por Clarice Casado Acordou virada do avesso. A noite lenta pairando sobre si. O sonho e a luta. Que não acabava. Não queria acabar. Como acabar? Sabia menos hoje do que um dia soube. Pensava coisas sem sentido. Só encontrava sentido no partir. Não sabia como seria sua vida sem ela. O antes era vago.… Continuar lendo Da partida
Sombrio
por Clarice Casado Sombrio recolhe-te em palavras que não desejam ser ditas Do outro lado vê-se mais do que o possível improvável momento Certeza no escuro dúvida no toque do que um dia foste.
Outro escriba
por Clarice Casado Quem é o velho Mastigando palavras Sentado ao relento À espera da vida Que nunca Terá?
Escriba
por Clarice Casado Quem é este velho Sentado na chuva Inventando mundos Sedento de sonhos Que nunca Verá?
A revolta das letras
Foto: Vanilson Coimbra Naquele diaOlhou as letrasDe seu último poema:viu que elasQueriam pularQueriam sairQueriamVoarPior -atacarNão teve tempo deFechar os olhos.A pontinha do ACegou-o.
Spiderman
por Clarice Casado A coisa mais certa na vida de Joana era a consciência de ter um Homem-Aranha em miniatura morando em sua bolsa. Dia sim, dia não, contava-lhe coisas, segredos. Heroicamente ali habitava. Entre papeizinhos inúteis, celular, maquiagem, absorvente, carteira e óculos de sol. E ela quieta, fingindo que não via. Não ouvia. Não… Continuar lendo Spiderman
