
Disco Volante está completando 27 aninhos. O segundo álbum do Mr. Bungle é um dos meus preferidos da vida e foi um disco que mudou completamente a minha mente musical.
Pra quem não conhece, o Mr. Bungle é a outra banda do Mike Patton, o vocalista do Faith No More. A banda existia antes mesmo do Faith No More, mas só ganhou algum reconhecimento após o Patton fazer sucesso com o lançamento do The Real Thing.
O Mr. Bungle é um grupo que desafia qualquer definição de gênero musical. É rock, eletrônico, death metal, samba, música circense, trilha sonora, vídeo game, tudo ao mesmo e, muitas vezes, na mesma música. Quando eu escutei o Disco Volante pela primeira vez, eu fiquei tão pasmo com a liberdade musical que eu não conseguia escutar mais nada depois. Tudo soava sem graça.
Pra começo de conversa, o Patton utiliza a voz dele de uma maneira que eu nunca visto. Ele usa como se fosse um instrumento mesmo. Às vezes de forma percussiva inclusive. Em Ma Meeshka Mow Skwoz, ele canta em uma língua inventada. Em Violenza Domestica, eles criam um clima cinematográfico a la Poderoso Chefão e o Patton fala frases de diálogos em italiano, como se ele interpretasse diferentes personagens interagindo em várias cenas.
Aliás, uma coisa que a banda faz muito bem é criar ambiência musical. Cada faixa é um universo próprio, jamais visitado antes. As letras bem humoradas e o deboche da banda às vezes escondem a complexidade dos arranjos com suas várias mudanças de andamento. Mas quem é músico não se deixa enganar e fica boquiaberto com o que escuta.
A produção do disco também é muito curiosa, pois as faixas têm um som meio abafado, claustrofóbico, submerso, que pra mim conversa muito bem com toda a temática subaquática da arte do álbum.
Disco Volante é arte na sua melhor forma: ousada, inovadora e inclassificável.
