
por Marcella Marx
Maria sonhava muito. Ela acreditava que quando não sonhava era por culpa dela mesma. Porque não tinha dado ouvido aos seus sonhos durante seu dia. O certo, pensava, era acordar e ir lembrando dos sonhos aos poucos. Um som, uma palavra, um rosto, um cheiro.
Uma vez, Maria acordou cantando uma música que nunca havia ouvido. A música tinha melodia e letra, dizia assim: “Bate o barro, amassa com a mão, o dinheiro é a consequência…” Maria passou o dia cantarolando a melodia. Ela ouvia seus sonhos atenta, mesmo sem conseguir decifrá-los de pronto.
Uma noite, Maria sonhou que estava no meio de muitos leões, leoas e seus filhotes. Ela tinha medo, mas o medo não era, se comparado à sensação de poder andar por entre eles, de afagá-los com suas próprias mãos. O risco, a recompensa e a consequência.
A vida acabava sempre imitando os sonhos de Maria, mas ela nem sempre sobrevivia aos leões.
