O que pode o rio contra o mar? Lutar pode Sangrar também Perder o rumo: inevitável ser Salgar a doçura Frankenstein de olhos de concha E nariz de raiz SOS o rio se perdeu E que bonita é a sua tormenta Ninguém se importa não Dá até pororoca O mar rugindo Rio soltando bolinhas pela… Continuar lendo Rio contra o mar
Tag: Marcella Marx (Literatura)
No manguezal
- Como o mangue fede, mãe... tá podre? - É o cheiro da morte das folhas, das raízes e dos insetos. - E por que morrem, mãe? - Pra dar lugar a outras vidas. No mangue, nascer não existe sem morrer primeiro. - Quem nasce? - Nascem outras plantas, com raízes que levitam como estas.… Continuar lendo No manguezal
História de Maria: força
Maria não acreditava na própria força. Achava que extraía sua coragem do mar. Atribuía sua audácia ao vento. Sua maleabilidade à chuva. Creditava sua resiliência ao nobre pinheiro plantado no jardim. E sua ambição reluzia constante em forma de chama quente, na pequena vela de cabeceira. Quando alguma delas lhe faltavam, Maria culpava o mundo… Continuar lendo História de Maria: força
The Elephant. A Aliá.
She was moving away from me, back to her hometown. Eu, me mudando pra longe, bem longe de minha terra natal. She was going to become a high-performance athlete. Eu ia tentar a sorte, ser livre, ou tentar ser. She was moving to her own place: a two-bedroom apartment fully renovated. Eu, para um chalé… Continuar lendo The Elephant. A Aliá.
Acumen
I want to live on you wake up and fall asleep to the sound of your heart and the rhythm of your breath and I don’t ever wanna be judged by that.
História sem fim
Procuram-se: solo e amor infinitamente férteis.
Eu deveria ser, mas eu sou
Quando eu era pequena, eu não ouvia comandos, ouvia histórias de quem eu era e de quem eu deveria ser. Havia limites para quem eu era e poderia ser, e eles eram dados pelas histórias daqueles e daquelas que viveram antes de mim, e que viviam ao meu redor. O som da infinita repetição de… Continuar lendo Eu deveria ser, mas eu sou
Eu não me lembro
Eu não me lembro de encontrar semelhanças entre eu e você. Eu me lembro de procurar correspondências entre nossos corpos, pois é aí que elas se dão, quase sempre. Mas foi nos lugares menos aparentes que te encontrei em mim. Nos meus pés após o banho, que é quando eles ficam mais esbranquiçados, aproximando-se assim… Continuar lendo Eu não me lembro
I still see
The knob comes out in my hand when I turn it. I know it does, but I forget and remind myself each time, over. I wonder whether I will ever remember it by heart. The glass door opens when I turn the broken knob, but I am only half way out. In front of me… Continuar lendo I still see
