por Cassiano Rodka "Going to your funeral now and feeling I could scream Everything goes away Driving down the highway through the perfect sunny dream A perfect day for perfect pain" "Going to Your Funeral", Eels Confesso que fingi quando chorei. Não que não seja triste que tenhas te ido, mas bem sabes... E não… Continuar lendo Confissão
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Flora
por Cassiano Rodka Flora não saía de casa por outro motivo que não fosse o rancho. Não via beleza fora de seu apartamento ultradecorado. Em meio a vasos chineses, porcelanas, bibelôs e rococós, a única outra respiração que se ouvia na casa era a de suas plantas. Sim, ela dizia que as ouvia respirar. Dizia… Continuar lendo Flora
No cárcere de teus braços
por Cassiano Rodka A rotina me deixou exato. E no conforto de teus braços, eu a beijo. Anseio o novo, mas temo a mudança. E o medo me segura pelos calcanhares. E eu permito que ele me arraste de volta a teus braços. E estamos juntos novamente. Num velho abraço, confortável e gasto. E me… Continuar lendo No cárcere de teus braços
Voo
por Cassiano Rodka O comandante Nélson saudou a tripulação e agradeceu a preferência pela empresa. Sérgio olhou pela janela e viu o que acreditava ser a sua cidade natal. O comandante logo confirmou, era Porto Esperança à direita do avião, com 28º centígrados e a 1800 metros de distância. Haveria um sorteio de um kit… Continuar lendo Voo
Invertido
por Cassiano Rodka Me agrada o invertido. De pernas pro ar, virado ao avesso, do lado errado. A estante arrumada me fere os olhos. Prefiro as lacunas de livros emprestados, perdidos, fora do lugar. (Qual o lugar do livro?) Gosto das frases frouxas, ditas sem jeito. Dos tropeços das línguas dos enamorados. (Os apaixonados são… Continuar lendo Invertido
Janela aberta
por Cassiano Rodka Na ponta do lápis, o nada. Olhou a samambaia e quis culpá-la. Maldita planta! Arrancou-lhe um pedaço como se beliscasse um colega no primário. Serviu café no copo de plástico. Não tomou. Na folha branca, uma mosca pousou zombeteira. O que estava errado? Onde estavam as palavras? Onde descansavam suas ideias? Mexia-se… Continuar lendo Janela aberta
O pêssego
por Cassiano Rodka Fui pegar logo o pêssego. Havia outras frutas no cesto, mas minha escolha foi essa. Peguei uma pequena faca na gaveta e sentei em um dos bancos da cozinha segurando-o com a mão esquerda. Ao firmar o dedão direito na casca aveludada para dar-lhe o primeiro corte, lembrei de ti. Me veio… Continuar lendo O pêssego
Despertar
por Cassiano Rodka Foi no tempo de um minuto que ele despertou. Percorreu a própria mente com uma lanterna, olhou cada canto à procura de si. Encontrou-se em pedaços, sem muita surpresa. Passou da proa à popa sem que os oficiais o vissem. Era como se ele sempre pudesse ter visto o que havia lá.… Continuar lendo Despertar
Predador/presa
por Cassiano Rodka
