Ao Sebi Na borda da calçada, há um menino e um giz. Entre traço e intenção, dançam as possibilidades. No caminho do vento, um olhar os contempla. Vê surgir uma curva inexata, um vago escopo. E torce para que dali saia Um sorriso ou um guarda-chuva.
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Texto em lá menor
por Cassiano Rodka Amor não se mede em litros ou joules. Amor se mede em metros. Melhor ainda, em quilômetros. A distância é a responsável pelo amor, quiçá, sua parideira e ama-seca. Ver, tocar, nada disso é o objetivo. São preliminares. Falsos alarmes. O amor mesmo está do outro lado do muro. Na ascendente do… Continuar lendo Texto em lá menor
Foge enquanto pode
por Cassiano Rodka Foge enquanto pode. Vai pra longe do meu silêncio incômodo. E te afasta da minha prece bêbada. Escapa do meu coração paterno e desses dedos no teu cabelo. Foge da minha jaula aberta. Te safa de ser mais uma musa antes que as minhas palavras te contornem a silhueta. Ninguém quer um… Continuar lendo Foge enquanto pode
Papel-toalha
A David Gordon Green, Mathias Eick e, por fim, à Miranda E quando o caminho não acompanha o passo? E as linhas do mapa passam a ser um emaranhado de possíveis venturas? Nos perdemos do guia e ainda por cima chove, sem falar na névoa. Cadê a estrada de tijolos amarelos? Por onde se esconde… Continuar lendo Papel-toalha
Fosse você
por Cassiano Rodka Se eu fosse você Estaria apaixonada por mim E jamais me deixaria assim Imaginando se eu fosse você Se você fosse eu Estaria apaixonado por ti E veria, então, o quanto sofri Imaginando se eu fosse você
Fuga nº3: Chama
- Caiu. - Disse ele com ar de besta. A mãe, protetora como sempre, concordou e defendeu o pequenino: - Foi sem querer, minha querida. Mas a menina fitava fixamente a lareira. Enxergava os fios loiros de lã ardendo nas chamas, o petit pois do vestidinho transformando-se em um triste cinza e os olhinhos cor… Continuar lendo Fuga nº3: Chama
Fuga nº2: Céu
O balão era de um laranja tão vibrante que era impossível perdê-lo de vista. Metros e metros de uma subida incansável de um laranja risonho e debochado. Longos minutos de uma frustração berrante ilustrada pelos olhos molhados de uma menina. Imprimiu seu pensamento no vento, ferindo ardorosamente alguns ouvidos da terceira idade. E jurou vingança.
Calendário
Me cansa o calendário. Amontoado de compromissos mascarados. Em pele de dias, semanas e meses, prefiguram-se. Em números repetidos, espalham-se na quina da mesa. E me observam e riem baixinho, zombando da minha tamanha perda de tempo. Mas há de chegar o dia em que o dia não mais importa. E a folha arrancada amassada… Continuar lendo Calendário
Fuga nº1: Oceano
Largou o peixinho na água. – Vai. Tô te devolvendo pro mar. O bichinho nadou feliz em direção ao pôr do sol. (E, dentro da cabecinha da menina, rugia o pensamento: – Não volta mais aqui, seu filho da puta!...)
