Sem voz,pedi um microfone.Sem olhos,arrumei a partitura.Sem dedos,sentei-me ao piano.Sem mãos,regi a orquestra. Sem entender,todos me aplaudiram.
Di ver gente
Foto: Vanilson Coimbra Não gostode explicaraos outrosos meusgostos, masquando vejolá estou a justificaro que para elesparece desgosto
Antes de você
Fotografia: Angelina Casado O seu mundo morre antes de você. Enquanto você envelhece, o que você ama vai ficando pra trás. Suas ideias modernas são chamadas de retrógradas. Aquilo pelo qual você lutou agora é de praxe. Ninguém mais nem agradece. O que para você parece que foi ontem aconteceu há décadas. Os nomes conhecidos… Continuar lendo Antes de você
Sem passaporte
Foto: Vanilson Coimbra Eu quando fujopenso em embarcarsem destinoalgum lugarremotodistante e exóticobusco refúgionessa viagemdentro de mim
Tudo no seu devido lugar
É como o último livro a preencher uma estante. De repente, olhamos para ela e a percebemos completa. Cada um dos exemplares enfileirados como se fossem palavras escolhidas a dedo para compor um poema. Tudo no seu devido lugar. O sentimento é gigante. É uma satisfação cachalote que nos enche de esperança. A possibilidade de… Continuar lendo Tudo no seu devido lugar
Inaugural
Foto: Vanilson Coimbra Porque sempre estarásem mim,e eu,sempre em ti,respire hoje esses versos,que me surgem alinhadinhos,com clareza:tu e eu invencíveis,nas linhas invisíveis,que nunca irão estar– entre nós.
Om
Foto: Vanilson Coimbra O tempo parouminha mentepaira, o olhar fixoparece perdidoestarrecidafico, imóvelimersapareço flutuarno nada
Vento Sul
Foto: Vanillon Coimbra “Sou mansa, mas minha função de viver é feroz”(Clarice Lispector) Um espelho não reflete o que não existe:Me declaro mansa,E então me contrarias,dizendo que mergulhada em prazer,de mansa nada tenho(E eu gosto). Balanço as tuas estruturas,tal qual ventania vinda do sul,Que afronta,E tu enfrentas,Mesmo sabendo que sou toda segredos e manhas. Me… Continuar lendo Vento Sul
A voz
Ilustração: Isabel Dall'Agnol Tua vozfaz poesiana minha pele.Dançaem cada cantodeste recanto.Faz de segredoo meu aperto.Mata a fomeda minhavaidade.Cuida,calada.Grita,inundandoeste corpo lento.Encaixa na minhacintura fina.E escapa entreos meus dedos,que seguem,com sede.De ti.Ruído.A voz.Que faz de mimabrigo.Que toca minhaboca em nó.E bagunçaeste sorriso.Fazendoda gargalhadaninho.
