por Marcella Marx Todas as vezes que me escuto, não ouço a revoada. Quando me perco, pousada sobre meu corpo nu, agride a pele, atiça a mente, invoca o óbvio. De golpe é expelida, mas sempre retorna e pousa e agride os nervos. Demasiado humano, infalível inseto.
Sonho
"Todos os dias quando acordo Não tenho mais o tempo que passou Mas tenho muito tempo" Renato Russo Suava algo diferente quando despertou na manhã fria. Tinha sido o pior sonho. Sonho ruim é sempre pesadelo? Não queria se desprender dali, nem dele mesmo. Queria só desprender-se daquela avalanche de coisas que estava sentindo. "Acho… Continuar lendo Sonho
Uma barata chamada Ween
por Cassiano Rodka Uma das minhas bandas preferidas é o Ween. Trata-se de uma dupla de irmãos (fictícia - na verdade, eles não têm nenhum parentesco) que compõem juntos desde os 14 anos de idade. Juntos, eles lançaram os discos que têm a maior diversidade de estilos que este mundo já ouviu - ou deixou… Continuar lendo Uma barata chamada Ween
Estranha
por Clarice Casado Não reconheço meus pés minhas mãos meu rosto sem fim meu desejo de ser quem não sou.
O destino do néscio
por Cassiano Rodka Se são tolices o que dizes e besteiras sem eiras nem beiras, o que esperas além de quimeras?
Maio
Foto: Vanilson Coimbra Sentir seu corpo frio foi o pior. Reconhecia-o sempre pelo calor. Gelou. O que doía era não poder explicar. Ter que calar-se quando precisava gritar. Da multidão que chegava para olhar o cadáver dela, beijando-lhe ora a mão, ora o rosto, não queria nada. Não esperava nada. Não ouvia nada. Na lembrança,… Continuar lendo Maio
Sou eu
por Cassiano Rodka Eu sou aquele que passa na rua. Meu passo se aperta porque estou surgindo em letras, derramando-me pelos cabelos. Sinto que estou escorrendo pelos ombros e quero chegar lá antes que me perca. Eu sou o moço da banca de revistas e a atendente da livraria estudantil. Estou na parada de ônibus,… Continuar lendo Sou eu
Tirano
por Marcella Marx No espelho não conseguiu enxergar sua imagem. Quanto mais se aproximava dela, mais aumentava a distância, até perder-se no imenso. Cego de luz, ria sem escutar o grunhido agudo de sua voz ressoando por entre os cômodos. Levou as mãos ao rosto e não sentiu os espinhos perfurarem seus dedos, nem o… Continuar lendo Tirano
Mosca-morta
por Clarice Casado Levava bolada na cara, cuspe na cabeça, chute de tudo que era lado. João sofria, sofria, sofria. Caladinho, sofria. Era ignorado em casa. Zumbia. É, de vez em quando zumbia. Numa droga de manhã de segunda-feira, bateu as asinhas nojentas e voou pra sempre dali.
