por Marcella Marx Abriu a carta com tanta vontade que rasgou-a ao meio. Com as mãos trêmulas juntou as duas partes e começou a balbuciar o que lia: "João, Queria que fosses o primeiro a saber, a ouvir de mim a verdadeira história, para que não chegasse a ti por bocas estranhas, para que só… Continuar lendo Correspondências
Dia dos namorados
por Clarice Casado "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas." "Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis O que eu mais gostava nela era do jeito que passava pelas prateleiras de best-sellers. Sem virar o rosto, firme, exibida, com aquela certeza forte de… Continuar lendo Dia dos namorados
Texto em lá menor
por Cassiano Rodka Amor não se mede em litros ou joules. Amor se mede em metros. Melhor ainda, em quilômetros. A distância é a responsável pelo amor, quiçá, sua parideira e ama-seca. Ver, tocar, nada disso é o objetivo. São preliminares. Falsos alarmes. O amor mesmo está do outro lado do muro. Na ascendente do… Continuar lendo Texto em lá menor
A doce solidão de Marcelo Camelo
por Cassiano Rodka Pontualmente às 21h, Marcelo Camelo entrou sozinho no palco do Teatro do Bourbon Country sob uma chuva de aplausos. Sentou-se em um banco, pegou o seu violão e começou a dedilhar as notas de "Passeando". O público, em silêncio, ouvia o cantor dar o tom de seu apresentação: um show intimista, emocionado… Continuar lendo A doce solidão de Marcelo Camelo
Metalinguagem
por Clarice Casado E então ficava ali Com medo da página branca. Desde quando gente tem medo de papel? Desde o dia que inventaram que gente tinha que escrever. Desde o momento que um sujeito Angustiado Problemático Desesperado inventou que a vida de dentro precisava sair: Ou sai ou morre Ou sai ou explode de… Continuar lendo Metalinguagem
Dúvida
por Clarice Casado Marcella me pergunta, assim, como quem não quer nada: - Amiga, onde foi parar toda a sua poesia? E eu não encontro coragem de dizer a ela, - Anda manhosa, preguiçosa, nada prosa... Hoje passeia, toda amorosa, nos braços fortes de Quintana Gelman Vinicius Pessoa Plath Neruda Drummond... E de Marcella.
Foge enquanto pode
por Cassiano Rodka Foge enquanto pode. Vai pra longe do meu silêncio incômodo. E te afasta da minha prece bêbada. Escapa do meu coração paterno e desses dedos no teu cabelo. Foge da minha jaula aberta. Te safa de ser mais uma musa antes que as minhas palavras te contornem a silhueta. Ninguém quer um… Continuar lendo Foge enquanto pode
A outra margem
por Marcella Marx Saiu de casa com intenção clara: Ver o avesso No primeiro passo sua espinha já lhe zunia: - menino... Não ouviu, foi pra bem longe, o mais que seus pés podiam alcançar. E eles o levaram norte. Balão solto ao vento. - Volta menino... Ele ouvia por toda a parte. Que nada,… Continuar lendo A outra margem
Música de montar: Owen Pallet em POA
por Cassiano Rodka Um violino, um teclado e um sampler. Com esse modesto arsenal, Owen Pallet subiu ao palco do Átrio no Santander Cultural para apresentar aos gaúchos o seu projeto Final Fantasy. Devido a sua participação como violinista nas bandas Arcade Fire e Beirut, o canadense atraiu um público, no geral, indie, que lotou… Continuar lendo Música de montar: Owen Pallet em POA
