Clarice Dall’Agnol

Literatura

On mute

On mute_P2.jpg
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Estou com saudades da minha voz. Eu, que sempre a odiei. A achava feia, fininha, chata.

Minha voz. Meu instrumento de trabalho, uma das minhas ferramentas mais importantes e eficazes. Sem ela, hoje sei, sou apenas metade.

Ela resolveu ir-se há uns dois dias, assim, sem muito aviso. Causa: uma hemorragia em uma das cordas vocais. Começou com uma rouquidão boba. Se agravou depois de um divertido encontro de final de ano na minha terra natal, com minha irmã e primas. Abusei da voz, tomei vários tragos e falei alto, bem feliz e feito uma louca. Enfim, fiz algo normal, mas que em mim, naquele dia, não caiu bem!

E então a minha voz interna está toda animadinha, se manifestando a mil…! Eu, que normalmente já tenho uma voz interna muito ativa, me vi, de uma hora pra outra, refém exclusiva dela…

Vai ver o sumiço da minha voz externa foi de propósito: uma cilada do destino, em pleno final de ano, pra me fazer repensar fatos, atitudes, sentimentos, hábitos. Vai ver minha voz externa se foi para que eu possa ouvir ainda com mais atenção a interna sussurrando. Assim, vou aproveitar estes momentos silenciosos, ao máximo. Tentar me ouvir melhor, me compreender mais. Prestar atenção nos sussurros que vêm de dentro. Vai que eles têm algum segredo importante pra me contar?

Literatura

Histórias do Camphill

Histórias do Camphill_P2.jpg
imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Fazia frio. Era dia de trabalho no jardim. Plantando, colhendo, tirando mato e adubando o que seria em breve nosso almoço, jantar e demais refeições. Era um tempo sem desperdícios. O que não era de consumo imediato se transformava em compotas, sucos, geleias e biscoitos. Naquele dia, eu adentrava o maravilhoso mundo do jardim e sua horta e também um outro. Fui, segura de que não podia ser tão difícil assim. Naquele dia, conheci Lew e aprendi na marra que limites existem para não serem invadidos. Faltava-me muito naquele dia, mas o principal era a certeza que tudo caminha ao seu passo – e não necessariamente no meu.
Só quando aprendi a esperar, recebi de Lew um presente. Até hoje o guardo comigo e, quando é preciso, o utilizo para colocar as coisas em sua devida perspectiva.

Literatura

Primavera

primavera_p2
imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Quero o sol
invadindo
o chão do quarto.

Quero o canto
dos pássaros
na janela.

Quero assistir
as flores crescerem
e caírem no pátio.

Quero os meus pés
no piso gelado.

Quero sentir
o calor correndo
pela casa.

Quero a companhia…
Dos teus passos.
Da tua música.
Dos teus gestos.
Do teu perfume.
Dos teus dizeres.

Quero escutar…
Vozes no andar debaixo.
Gargalhadas no almoço.
Um pranto descontente.
Uma briga em vão.
Um pedido de perdão.

Quero barulho,
para afastar
a solidão.

Quero cores,
para tingir
a escuridão.

Quero voltar…
E ter de novo
minha primavera.

Literatura

Como não enlouquecer um homem em dez fáceis lições

como-na%cc%83o-enlouquecer-um-homem
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

1. Não ligue, nunca (ele sempre vai achar que é fiscalização. Vá trabalhar, estudar, passear, beber com as amigas – acredite, você ganha muito mais).

2. Não dite regras, não interfira, não finja que se importa (homens detestam alguém lhes dizendo o que fazer; eles já tiveram uma mãe na vida, não precisam de outra. Faça as regras para você mesma, e respeite-as – ou não, o que é bem mais divertido…).

3. Não reclame que ele assiste futebol ou joga videogame (ele é homem e meninos precisam brincar muito, extravasar energia…!) Aproveite este tempo para extravasar a sua: saia com as amigas, beba, coma, fofoque, vá ao cinema, faça as unhas, leia um livro, escreva um poema, pinte um quadro, honre e valorize sua existência como mulher!

4. Não mande mensagens bobas e sem sentido, ou exigindo explicações (ele não as lerá, ou as lerá e responderá com monossílabos. Não quer dizer que não te ama – pode estar apenas ocupado com algo de fato mais importante).

5. Se não resistir e ligar, não fique tentando vinte vezes. Se ele não atender na primeira, desista. Ele pode estar trabalhando, tomando banho, fazendo xixi, dormindo. Ele provavelmente ainda te ama. Porém, se pegar o celular e vir que há trinta e duas insanas chamadas, há grandes chances deste amor diminuir consideravelmente…

6. Não pergunte se está gorda. O que a pobre criatura deve te responder? Se você acha que está, provavelmente está! Aproveite a oportunidade e se matricule em uma academia, inicie uma dieta e escolha outro assunto mais interessante para discutir com ele, como música, literatura, política, esportes, cinema, ah, o mundo tem outros assuntos que não envolvam apenas você e sua barriguinha…

7. Não faça declarações de amor melosas e ridículas nas redes sociais. O mundo inteiro não precisa saber que você o ama, só ele precisa. Seja uma boa menina, use sua inteligência, e o faça em particular. Ele vai adorar.

8. Não discuta o relacionamento por horas. Ele não gosta, e não estará prestando atenção, na maior parte da discussão e da gritaria. Em um momento mais calmo, respire fundo, e sente-se para escrever uma carta ou poema, dizendo como você se sente.

9. Não tenha crises de ciúmes ou de choro sem um real motivo. Não invente motivos para crises de ciúmes e de choro. O ciúmes é para as inseguras; o choro, para as mal-resolvidas. Homens não curtem inseguranças e choros. Como dizia a minha avó, “deixa para chorar quando a Vó morrer”.

10. Não trate o seu companheiro como “seu”. Ninguém é propriedade de ninguém. Ninguém gosta de sentir-se propriedade de alguém. Respeite os momentos e os limiteis alheios. Tente livrar-se, enfim, do lado ruim da condição feminina, e aprenda a investir no que nosso instinto tem de mais rico: a intuição aguçada, a sabedoria refinada, a delicadeza no persuadir, a inteligência sofisticada e o fantástico poder de ser livre, sempre, mesmo dividindo a vida com alguém.

Literatura

Sobre sapatos

sobre-sapatos_P2.jpg
imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Para falar de sapatos precisarei mencionar os pés. Chatos, finos, gorduchos, assimétricos, com calos, unha encravada, ou sem, inchados e cansados. Meu fascínio por pés começou ainda criança. Gostava de repará-los, encará-los, para que me traduzissem alguma coisa daquele dono. Quando não o conhecia, ali estava nosso primeiro encontro e tinha certeza de que já podia dizer uma meia dúzia de palavras sobre aquela personalidade. Para os que já conhecia, utilizava-os como minha maneira secreta de descobrir algo camuflado, impossível de atinar de outra maneira.
Na última semana, uma amiga me contou que doações de sapatos nos Estados Unidos não são bem aceitas. Fiquei intrigada. Depois me lembrei da sensação de calçar sapatos de um estranho, coisa que há muito não faço. Mas ela estava bem fresca em minha memória, e eu imediatamente entendi porque aquele povo não aceita sapatos usados. Nada melhor que pisar num sapato que não é o seu para adentrar um mundo novo, cheio de dores e delícias que não são suas, mas que te fazem refletir sobre sua própria existência. Pena, nem todos estarem preparados.

Literatura

A dança da Baderna

a-danc%cc%a7a-da-baderna_p2
imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Entra no palco e brotam as palmas
Sobe na ponta e desponta em cores
Desce na planta do pé e aflora

Chuta pra longe os conservadores
Cospe na cara dos bons costumes
O seu concerto é desconcertante

Abre seus braços e redemoinha
Cria uma beleza deveras ousada
Ouve-se nas fileiras: “Que depravada!”

Do lundum ao arabesque
Do grand jeté à umbigada
Quem nasce do caos não é bem falada
E quem fala demais não sabe de nada

Cinema

Blue Jasmine

Blue Jasmine 01.jpg

por Pedro Cunha

Sem sombra de dúvidas Allen é um dos cineastas mais prolíficos (se não o mais) de sua geração. Desde “O Que Há, Tigresa?” (What’s Up, Tiger Lilly?, 1966) ele já dirigiu quarenta e dois longas para o cinema. O nova-iorquino lança um filme por ano, religiosamente, desde 1982. E ele não apenas dirige: ele é também roteirista, produtor e responsável pela trilha sonora de seus filmes, além de atuar em boa parte deles. Claro que nessa linha de produção, alguns pontos são mais altos e outros mais baixos. Quer dizer, é muito fácil ser um diretor de obras-primas quando se tem seis filmes em quarenta e quatro anos (sim, Terrence Malik, estou falando de você), mas esse não é o caso de Allen. Esse trabalho de “monge” do cinema já gerou algumas obras-primas e algumas coisas mais esquecíveis, com certeza. Mas acho que o grande mérito da carreira de Allen é ter muito mais pontos altos do que baixos, mesmo com a “fúria produtiva” que ele tem.

A origem de Woody Allen são os clubes de comédia de Nova Iorque, onde foi inventada (para o bem e para o mal) a stand up comedy. Tiradas espirituosas, humor rápido e frequentemente autodepreciativo (não essa bosta de Rafinhas et caterva). Os primeiros filmes de Allen, na longínqua década de 60, são comédias escrachadas, beirando o pastelão. “Bananas” (1971), “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar” (Everything You Always Wanted to Know About Sex But Were Afraid to Ask, 1972), “A Última Noite de Bóris Grushenko” (Love and Death, 1974) são alguns dos filmes da primeira década do diretor que apresentam um humor inteligente, intelectualizado mas também muitas vezes, como eu já disse, próximo ao pastelão. A própria escolha dos títulos no Brasil indicava que Allen tinha que ser vendido como comédia escrachada e pronto. Tanto que o filme que o consagrou e lhe rendeu seu primeiro Oscar (e onde já se percebia uma pequena guinada na maneira de conduzir o filme) foi batizado no Brasil de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, enquanto o original se chamava… “Annie Hall” (1977)

Poster image from Interiors (1978), directed by Woody Allen.
“Interiores”, com Diane Keaton, é o primeiro filme “sério” de Allen” 

Quando Allen lançou “Interiores” (Interiors, 1978), logo após sua consagração com “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (ARGH! Eu ODEIO esse título!!) pouca gente entendeu. “Interiores” é o primeiro filme sério de Allen, muito inspirado no trabalho de um dos cineastas preferidos de Woody, o sueco Ingmar Bergman. No ótimo livro “Conversas com Woody Allen”, do jornalista Eric Lax, o diretor se queixa da reação das pessoas. Ele conta que perguntava o que as pessoas tinham achado do filme e a resposta invariavelmente era a mesma: “Ah, é ótimo, mas não parece um filme seu!”. O rótulo de comediante é um rótulo difícil de se desgrudar e não é à toa que hoje, 35 anos depois de “Interiores”, ainda haja quem se surpreenda com um filme sério de Woody Allen – e já são vários! Alguns dos melhores: “Memórias” (Stardust Memories, 1980), “Maridos e Esposas” (Husbands and Wives, 1992) e “Match Point” (2005). O mais engraçado disso é quando se vai ao cinema e se vê as pessoas rindo em momentos que na verdade são absurdamente trágicos e tristes, apenas porque estão sugestionadas a rir já que “é Woody Allen, então tem que ser engraçado”.

Vi essa reação no cinema muitas vezes ao assistir “Blue Jasmine” (2013), o “Woody Allen desse ano”. O filme conta a história de duas irmãs adotivas que tomaram caminhos diferentes na vida e que se veem forçadas a conviverem depois de muito tempo. Uma delas era a “bem sucedida”, que deixara para trás seu passado provinciano e casara-se com um magnata das transações financeiras de Wall Street, indo morar na zona mais nobre de Nova Iorque e tendo uma vida de dondoca, organizando recepções para o marido, aconselhando o enteado que vai estudar em Harvard e ignorando solenemente a origem aparentemente meio trambiqueira do dinheiro do marido. A sofisticação desse mundo fica clara no fato da personagem ter escolhido, inclusive, trocar de nome: segundo a própria personagem, o “suburbano” Jeanette não a teria levado a lugar algum. Foi com o sofisticado Jasmine que ela conseguiu sua ascensão social (e voltou as costas para a antiga família também).

Já a segunda irmã, Ginger, é empacotadora de supermercado e mora no subúrbio de San Francisco. Foi casada com um trabalhador da construção civil, com quem teve dois filhos e de quem se separou. Atualmente namora um mecânico, com quem tem planos de morar junto, já que “seus filhos precisam de uma referência masculina”. São, as duas irmãs, dois opostos, que o diretor já anuncia nos nomes: a delicadeza da fragrância do jasmim e a ardência do gengibre (ginger).

Blue Jasmine 02.jpg
Ginger (Sally Hawkins) e Auguie (Andrew Dice Clay): os bregas suburbanos 

A trama do filme começa a se desenrolar quando da falência do marido de Jasmine, o que a obriga a pedir ajuda para a sua irmã (a mesma irmã que antes ela fazia força para manter de fora da sua vida). A convivência entre as duas irmãs com modos de vida tão diferentes poderia ser o mote de mais uma comédia de Woody Allen, mas a escolha do diretor não foi essa. Allen desenvolveu o roteiro e a montagem do filme de maneira que transforma uma história em duas, já que conta, ao mesmo tempo, a tentativa de recuperação de Jasmine e como aconteceu a derrocada de seu marido, essa parte sob a forma de flashbacks de Jasmine. O filme tem três atos bem claros, construídos e divididos, o que colabora para termos uma história muito bem contada.

O trabalho dos atores ajuda, e muito, a contar bem a história. O canastrão Alec Baldwin faz o marido de Jasmine, um playboy financista que vive no jet set nova-iorquino e constantemente trai a esposa com secretárias, personal trainers, babás e quem mais estiver por perto (ou seja, Alec Baldwin faz o papel de Alec Baldwin). Sally Hawkins, que já havia trabalhado com Allen em seu último filme sério, “O Sonho de Cassandra” (Cassandra’s Dream, 2007) vive a suburbana Ginger e dá para a personagem o tom correto. Ginger, ao contrário de Jasmine, não conseguiu “subir na vida”. A grande sacada do filme é que, apesar disso, Ginger é a irmã feliz, enquanto Jasmine é a desequilibrada. Merecem destaque também Bobby Cannavale, como Chili, o namorado atual de Ginger, e principalmente Andrew Dice Clay que faz Auguie, o ex-marido de Ginger e pai dos seus filhos.

Blue Jasmine 03.jpg
Não fosse por mais nada, Jasmine (Cate Blanchett) valeria o filme

E se estamos falando de elenco… bom, aí há Cate Blanchett. Blanchett é uma das grandes atrizes da sua geração. Já ganhou um Oscar (como Atriz Coadjuvante em “O Aviador” (The Aviator, Martin Scorsese, 2004) e teve três outras indicações (e não me conformo com ela ter perdido uma das vezes para… Gwyneth Paltron! SHAME ON YOU, ACADEMIA!). Além de ser uma excelente atriz, Allen fez o filme para ela. “Blue Jasmine”, desde o título, é um estudo de personagem. O filme dedica-se a analisar Jasmine, sem condescendência ou pena. É quase uma necropsia, onde a personagem vai se revelando camada atrás de camada. Um dos grandes talentos de Allen é saber escolher o ator correto para o papel correto, e nesse sentido Jasmine e Blanchett foram feitas uma para a outra. Jasmine faz referência a uma das personagens mais celebradas da dramaturgia norte-americana, a Blanche Dubois de “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tenessee Williams. É uma mulher esgotada, desesperada e apelando à bondade de qualquer um que esteja por perto. Jasmine parece sempre estar muito próxima de um colapso nervoso e a interpretação de Blanchett consegue nos dar essa exata impressão. Interpretar um colapso nervoso, com gritaria e objetos arremessados pelo cenário é muito fácil, já estar sempre a um passo dele… exige uma atuação rica, porém contida. Jasmine parece sempre a um milímetro da explosão e é incrivelmente verossímil nisso. Os vários tiques e expressões mostram uma atuação construída com muita intensidade nos detalhes. Há uma única cena em que a personagem extravasa, e aí Blanchett mais uma vez é perfeita. O ponto alto do filme são as inúmeras cenas onde Jasmine fala consigo mesma, andando pelas ruas de San Francisco. A proximidade da insanidade (não a insanidade em si) é assustadoramente real. Nesse ponto é que Auguie, o personagem de Andrew Dice Clay, é uma bela sacada: ele faz, em alguns pontos chaves do filme, o papel do coro, oferecendo questionamentos e contrapontos ao personagem principal da tragédia. Jasmine foi um presente de Allen para Cate Blanchett, embora poucas vezes um personagem tenha sido tão “maltratado” por um roteirista ou diretor.

Desde 2005 Woody Allen abandonou Nova Iorque e já filmou em Londres (algumas vezes), Paris, Barcelona e Roma. Algumas vezes caiu na armadilha dos cartões postais clichês, como em “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e em outras abraçou esses clichês com tanta força e convicção que o resultado foi lindo, como em “Meia Noite em Paris” (Midnight in Paris, 2011). Em “Blue Jasmine”, San Francisco aparece de relance. Allen deixa a cidade em segundo plano, já que não há espaço em primeiro plano para nada que não seja Jasmine. Acho que a escolha foi acertada, já que diferentemente dos filmes de Barcelona, Paris ou Roma esse filme é sobre Jasmine, não sobre a cidade.

Na soma dos fatores, “Blue Jasmine” agrada, e muito. Andei lendo que ele é “o melhor filme sério de Woody Allen desde “Match Point”, e concordo com a ideia. Só o que me irrita (e aí a culpa não é do diretor) são as pessoas desesperadamente querendo rir enquanto Jasmine vai sendo moída em pedacinhos pela vida.

Literatura

Fantasia

fantasia
imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Borboletas brotam em árvores,
enquanto flores voam pelo céu
cor de fogo.

Meus pés caminham pelo
chão de algodão doce.
Passam, colorindo
um arco-íris.

Uma nuvem, carregada
de palavras, passa por mim
e começa a molhar.

Posso sentir a alegria.
Posso sentir a harmonia.
Posso sentir o amor.

As pessoas dançam,
enfeitando as avenidas.
E, entre beijos e abraços,
celebram a vida.

A lua, cheia de notas
musicais, se ergue,
pintando o imenso céu
de brilhante.

Todos acompanham
sua melodia,
em um ritmo acelerado
de paz.

Tambores soam risos.
Violões vibram esperanças.
Trompetes sopram sonhos.

Aqui, nesse mundo, que
sequer tem nome…
Aqui, na vontade da minha
ávida imaginação.