
por Marcella Marx

Site da escritora Clarice Dall'Agnol

por Marcella Marx


por Isabel Dall’Agnol
Voa feito poeira
na pele da gente.
Já não vejo sentido,
e nem ligo.
Como pôde, assim,
comigo?
Cadê meu abrigo?
Desencarrilha
em um abismo.
Mistério.
Inferno.
Agarra em outro,
pois passou a tua vez.
De vez.

por Clarice Casado
Para a Cláudia Petlik Fischer,
que tem me mostrado vários caminhos.
Resilience 1. the ability of people or things to feel better quickly after something unpleasant, such as shock, injury, etc.
(Oxford Dictionary for Advanced Learners)
Tomei contato há pouco com o conceito de resiliência. A primeira vez que ouvi a palavra, foi em inglês: “resilience”. Soa bonito, né? Em ambas as línguas. Tem aquele “l” bem líquido que deixa qualquer palavra bem saborosa.
A resiliência, leitores, talvez possa ser interpretada como um “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, meu amigo!”, misturado com o “Just do it”, notório slogan da Nike. Mas estou simplificando muitíssimo, obviamente! Claro que não é só isso. Fui dar uma pesquisada um pouco mais profunda, e resiliência é um conceito oriundo da física, que é hoje também aplicado na psicologia e estudado pela neurociência (desculpem-me meus amigos psicólogos e psiquiatras se estou a ser simplista: é a minha leiga e “artística” interpretação…!)
O sujeito resiliente precisa reunir uma série de características: ser positivo, manter o controle em situações estressantes, saber enxergar o problema pelo lado de fora e tentar buscar serenamente alternativas. Pelo que li, o velho e bom pensamento positivo está presente de maneira muito forte em todo cara resiliente: ele simplesmente transforma o negativo em positivo, e aí está a mágica do negócio. Mas não há neste pensamento positivo nenhum cunho de auto-ajuda. Não. Aqui, para o sujeito resiliente, o pensar positivamente é devido a conexões bem feitas pelo cérebro. Desse modo, é tudo totalmente científico, nada esotérico. Focar seus pensamentos e memórias sempre no lado bom dos acontecimentos e comportamentos; concentrar-se nas silver linings, como dizem os falantes de inglês. Nem tudo que brilha é metal precioso, mas cada um de nós pode esculpir sua vida de maneira a que ela venha a sê-lo. Resumindo: nosso cérebro pode ser “treinado” para pensar positivamente. Basta ter a intenção.
Parece simples, mas não é. A humanidade é pessimista. Por vezes, tenho a impressão que as pessoas torcem pelo ruim, pelo negativo. É ou não é, leitor?
Num dos caminhos que faço todos os dias, vejo sempre um senhor, morador de rua, que rege, empolgadíssimo, uma orquestra imaginária. Aquilo me perturba ao ponto de ficar imaginando mil coisas: será que um dia ele foi um maestro atuante e respeitado? Como foi sua vida? O que o levou a morar na rua? O que o move a reger uma orquestra imaginária todos os dias? Ele ouve sua música imaginária? Ele vê seus músicos? Percebe quem está fora do tom? Consegue ser feliz assim? Hoje, conhecendo um pouco mais sobre o significado de resiliência, sei que uma coisa é certa: aquele maestro é um cara resiliente, por certo. Faça chuva ou faça sol; frio ou calor, ele está sempre ali, regendo sua orquestra. E o faz com um afinco e amor ao ofício raros de ser ver em nossos dias. Não sei responder ainda a nenhuma das minhas perguntas sobre o maestro, mas gosto de pensar que as respostas são todas positivas.
Há quem nasça resiliente? Não sei. Uma coisa é certa, porém: a vida pode tornar-lhe resiliente. Suas experiências no mundo, sua profissão e suas vivências pessoais podem moldar-lhe de modo a ser resiliente. Ou não. Se o seu caso é o da negativa, faça algo para mudar, porque, pelo que li, tudo depende da sua atitude. Guiar seu próprio pensamento no sentido positivo. Acredite, leitor, não é tão difícil assim, porque eu já comecei a tentar. Trate de arrumar a sua própria orquestra imaginária para reger, e vá em frente. É uma vida só, e ela pode ser bem longa.

por Marcella Marx
Maria recebeu o diagnóstico: você tem que aprender a construir camadas, a se envolver em seus véus – estar presente estando ausente.
Camadas, véus, ausente… As palavras se redundavam dentro de Maria, como aquele som recorrente de sua voz batendo nas paredes das cavernas ou nas rochas das montanhas, e voltando ao seu encontro – tornando a lhe dizer.
Apesar de Maria adorar ser várias e também ela mesma, encontrava dificuldade ao procurar se esconder. Sua nudez lhe deixava cicatrizes pelo corpo todo: arranhões, hematomas, inchaço, nervos à flor da pele, super sensibilidade exagerada, zumbido agudo nos canais auditivos, falta de ar e coração em descompasso. Sintomas que Maria conhecia, estavam impressos em seu corpo.
Se você não se vela Maria… corre riscos. Mais palavras preenchendo Maria.
Mas ela gostava de correr riscos. E como gostava. Saia de propósito de casa quando o primeiro dia de frio aparecia, só pra sentir ele de perto, congelando seus ossos e viver a mudança das estações na pele. Planejava esquecer o guarda-chuva em casa para apreciar a água tocando e escorrendo pelo seu corpo. Partia nos últimos segundos para brincar de apostar corrida com o tempo. Ao ver uma pessoa morando na rua, Maria se enxergava ali, em seus olhos e experimentava um traço daquela possibilidade. Em suas viagens, Maria perseguia para além de seu conforto.
Maria usava máscaras do lado do avesso e vestia véus repletos de rasgos e outros defeitos.
Seu corpo era o retrato de sua vida – menos ou mais vivida.

por Cassiano Rodka
Não pare. Não agora. Não nunca. Restam sabe-se lá quantas paradas, mas o trem segue. Não desça no local errado. Acostume-se com o balanço da vagão. Não siga a maioria, cada um tem a sua estação.
Voe alto sem medo do calor do sol. Suas asas aguentam mais do que você imagina. Mantenha o coração adiante, a cabeça como um segurança. Quando cair, levante.
Chore. Não se impeça de vivenciar nada do que você está passando. Deixe o sentimento abraçar você e lhe despir do seu próprio peso.
Faltam sete paradas.
Não fuja do que você não entende. Olhe. Aprenda. Ouça. Experimente. Não engula tudo o que lhe alimentam. Cuspa o que não lhe apetece. Encontre os seus gostos. Saboreie.
Abra a janela. Alimente seus olhos com o que há lá fora. Inspire-se. Aprecie o que os outros produziram. Divida com eles o que você criou. Ninguém sabe fazer do seu jeito. Alguém precisa do que você inventa. Inspire.
Mais duas paradas.
Não arraste o cadáver do passado no meio da sala. Não alimente zumbis. Mantenha o seu cérebro seu.
Acostume-se com os predadores. Jamais se conforme em ser uma presa. Na água, nade dos tubarões. No ar, voe dos falcões. Na terra, fique longe dos filhos da puta. O mundo está cheio deles. Identifique-os. Afaste-se. Apenas deixe que eles lembrem você do valor dos que lhe amam. Costure-se neles.
Chegamos.
Você está na parada certa. Desça. Olhe ao redor e reconheça o valor de estar ali naquele momento. Respire aquele ar. Saboreie aquele silêncio. E ponha-se a caminhar.
Fora da estação, o sol já está se pondo.

por Pedro Cunha
Imagine que você tem a vida ideal. Alice Howland tinha. Ela era um exemplo de vitória do sonho americano. Esposa exemplar de um médico bem sucedido tem uma filha formada em direito e um filho estudando medicina. A terceira filha é a “rebelde”, que quer ser atriz e a quem a mãe tenta convencer a cursar uma faculdade para buscar uma carreira segura. Não bastasse a família bem estruturada, Alice também é extremamente bem sucedida na vida profissional. Cientista e pesquisadora, ela leciona linguística na tradicional universidade de Columbia, em Nova Iorque.
E se de uma hora para a outra você ficasse sabendo que iria perder tudo o que lhe era mais precioso?
“Simplesmente Alice” conta a história de uma linguista de 50 anos diagnosticada com Alzheimer precoce e a sua luta conta o imparável avanço da doença. Assistimos a degradação da mente de Alice, aquilo que ela sempre mais prezou, e como isso afeta, corrói e destrói mesmo os seus relacionamentos mais próximos, como os que ela tinha com o marido e os filhos.
Richard Glatzer e Wash Westmoreland contam uma história triste adaptada por eles mesmos do livro homônimo de Lisa Genova. A opção dos diretores/roteiristas é apresentar a história pelo ponto de vista da própria Alice e eles são muito felizes nesse intento. Alguns detalhes sutis chamam a atenção, como a utilização constante do primeiro plano direto em Alice, deixando tudo mais o que está em cena desfocado, para transmitir a sensação de desconforto e desacomodação da personagem. Da mesma forma temos a presença constante de espelhos, que Alice busca constantemente e podemos entender como uma metáfora pelo fato dela estar perdendo a si própria e precisar constantemente se reencontrar e se identificar. O roteiro tem algumas dificuldades de manter a linearidade e algumas passagens de tempo mal explicadas, mas preferi entendê-las como propositais, mais uma tentativa de nos colocar no ponto de vista de uma personagem sofrendo do Mal de Alzheimer. Os diretores certamente quiseram passar todo o peso de quem sofre de uma doença degenerativa, assunto que eles entendem, uma vez que Glatzer faleceu no último dia 10 de março de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma pesada doença degenerativa, e que Westmoreland era seu marido, tendo acompanhado-o até o final. A doença de Glatzer (a mesma do físico Stephen Hawking) pode ser entendida como o inverso da doença de Alice, uma vez que as funções cerebrais permanecem intactas enquanto o corpo passa por uma degeneração severa, ao passo que no Alzheimer o que ocorre é o inverso.
O filme é centrado em Alice e a escalação de Julianne Moore para vivê-la não poderia ter sido mais feliz. A atriz de 55 anos vive talvez o momento mais brilhante de sua sólida carreira e “Para Sempre Alice” rendeu sua quarta indicação ao Oscar, dessa vez com direito a levar a estatueta para casa pela primeira vez. Moore havia sido indicada pela primeira vez em 1998 como Melhor Atriz Coadjuvante por “Boogie Nights” (Idem, Paul Thomas Anderson, 1997) e em seguida em 2000 como Melhor Atriz por “Fim de Caso” (End of Affair, Neil Jordan, 1999). Em 2003 ela conseguiu ser indicada tanto como Melhor Atriz por “Longe do Paraíso” (Far From Heaven, Todd Haynes, 2002) quanto como Melhor Atriz Coadjuvante por “As Horas” (The Hours, Stephen Daldry, 2002). Julianne Moore está com 55 anos e encontrou em Alice Howland uma personagem em busca de uma grande atriz. Uma atuação caprichada e rica em detalhes consegue sutilmente nos mostrar a decadência de Alice, que é mental, mas se reflete claramente no físico. A postura e as expressões de Alice vão mudando durante o filme. De uma professora respeitada da Universidade de Columbia a uma pessoa que mal consegue balbuciar palavras soltas em menos de um ano, a espiral decadente torna-se pior pelo fato de Alice ser uma intelectual esclarecida o suficiente para saber como era o caminho que seguiria e o quão irreversível esse caminho era.
As relações familiares vistas pelo paciente são a outra tônica do filme, a começar pela relação de Alice com seu marido, cuja carreira está consolidada e que tem uma dificuldade muito grande de acompanhar o que está acontecendo com a esposa, que ele tanto admirava. A impressão que fica no filme é que o personagem de Alec Baldwin é bastante insensível e até duro com a esposa. A minha leitura, mais uma vez, é a de que esse é o ponto de vista da própria Alice, que não lembra de muitas coisas, que se confunde no tempo e que não consegue ter a dimensão do quanto o seu problema afeta todos ao seu redor. É interessante analisar a mudança na relação de Alice com suas duas filhas. Entendemos que ela sempre teve uma ligação mais forte e mais tranquila com a filha mais velha, enquanto a relação com a caçula era tumultuada pela insegurança da mãe de querer uma carreira “mais segura” para a filha enquanto essa preferia seguir seus próprios caminhos. A partir do diagnóstico podemos perceber um gradual afastamento da primogênita, uma vez que a relação das duas era calcada pela intelectualidade. A moça, advogada, mantinha um contato constante com a mãe através de um jogo de palavras cruzadas pelo telefone celular. Na medida em que o intelecto de Alice se deteriora, a filha e a mãe acabam se afastando. Ao mesmo tempo a filha mais nova fica cada vez mais importante, e é interessante perceber que ela consegue se aproximar mais da mãe na medida em que Alice vai se despindo do seu intelecto e ficando cada vez mais emocional. A relação das duas torna-se mais próxima do que jamais fora. Kristen Stewart, a eterna Bella da Saga Crepúsculo, é uma grata surpresa no papel de Lydia Howland, a filha mais nova.

O trabalho de fotografia e edição em tornar borrado e sem definição o mundo de Alice foi sensacional
“Para Sempre Alice” é um filme triste e bastante incômodo, já que o Mal de Alzheimer é um problema que pode acometer a qualquer um de nós ou de nossos parentes, mas ao mesmo tempo é uma lembrança do quão sólidas ou fugazes podem ser as pontes que construímos com outras pessoas durante nossas vidas.

por Isabel Dall’Agnol
Ainda espero
tuas palavras
sufocadas.
E fantasio
com a tua cortina de dedos,
balançando nas minhas costas.
Há momentos
em que posso sentir.
É quase como
se estivesse aqui.
Desmancha
meu curso.
Parte o peito
em dois espaços.
Indago
o envelhecido.
Procuro pela sorte.
Antes eu tivesse
perdido.
Prefiro mentir
que não és
bom para mim.
E serias?
Não esqueço
de cada passo
ou de cada dia.
Ainda seguro
a magia.
Pedindo teu socorro.
Pedindo que te apague.

Uma voz esganiçada de quem está entrando na adolescência, riffs de guitarra agudinhos e violões folk punk. Quem assistia Lado B nos anos 90 provavelmente identifica essa descrição como o som do Superchunk.
O vocalista e guitarrista da banda, Mac McCaughan, esteve recentemente em São Paulo tocando músicas do grupo e de seu outro projeto, o Portastatic. Prestes a lançar seu primeiro disco solo, Mac também apresentou duas músicas novas que estarão em “Non-Believers”, uma viagem à era do pós-punk (resenha no P2 em breve!). Diferente do álbum (que tem muitos sintetizadores e diversas camadas musicais), o compositor fez uma apresentação intimista, apenas ele e uma guitarra. A decisão de fazer o show com uma guitarra e não com um violão foi certeira, deixando o set mais enérgico, mas sem perder o clima desnudo das canções.

Dando prioridade ao repertório do Superchunk, Mac agradou aos discípulos de Fábio Massari, que cantaram junto alguns dos principais singles da banda, como “Driveway to Driveway”, “Crossed Wires” e “Me & You & Jackie Mittoo”. As duas músicas novas, “Lost Again” e “Only Do”, deixaram clara a influência de bandas como Joy Division e New Order no disco solo do cantor. Mac elogiou a música brasileira (ele já gravou um EP só com covers de artistas daqui) e contou que havia sido avisado sobre como o público do Brasil costuma saber cantar as músicas nos shows. Convidou todos a fazerem backings em “Digging for Something” e deixou a arena do Centro Cultural São Paulo.
Enquanto as pessoas já se levantavam para deixar o local, Mac voltou ao palco para cantar mais duas faixas do Superchunk, “Detroit Has a Skyline” e “Slack Motherfucker”, acompanhado de muitas vozes da plateia, é claro. O show terminou numa vibe muito boa, deixando aquele doce gostinho de quero mais.

por Clarice Casado
“O meu erro foi entregar a minha vida a este mundo que não encosta com o meu”.
(Mia Couto em Vozes Anoitecidas)
O que foi feito do mundo?
Essa é a pergunta que está em mim há vários dias. Ela pediu hoje para sair de mim e vir deitar-se no papel. Está cansada. Desiludida. Abalada. Cansada de permanecer sem resposta. Desiludida porque ninguém se importa em respondê-la. E abalada, porque teme que, se respondida, venham respostas cheias de ódio, preconceito e intolerância.
Levamos tanto tempo para construir os conceitos de tolerância e aceitação da diversidade (de raças, de credos, de sexos, de pensamentos), para destrui-los; sim, aniquilá-los tão rapidamente. Faça o teste, leitor: tente iniciar um assunto polêmico com seus conhecidos, ou amigos, ou por vezes até família. Ninguém mais quer debater pelo amor ao argumento consistente, pelo prazer de uma discussão bem elaborada. Não. Todos querem brigar. Xingar. Espernear. Gritar, por vezes. Meu pai me ensinou a nunca esperar nada de ninguém. Para nunca me decepcionar. A tarefa é árdua. O conselho, porém, é perfeito. O problema da humanidade atualmente é que talvez todos esperem atitudes e pensamentos específicos dos que os cercam, e se aqueles não correspondem às suas expectativas, ficam as criaturas furiosas, tais quais crianças mimadas.
Não sou especialista em sociologia, e nem em psicologia, mas doze anos como professora ensinaram-me a observar as pessoas, entender suas atitudes, seus comportamentos, suas dúvidas, suas angústias, seus bons e maus momentos. Entender que somos todos iguais por fora, mas muito diversos por dentro. Não viemos das mesmas famílias e nem dos mesmos lugares, não tivemos as mesmas experiências, não acreditamos nas mesmas coisas, não tivemos o mesmo tipo de educação, não gostamos das mesmas músicas, ou filmes, ou poemas. Ou, pode ser que sim. Em minha jornada como professora, encontrei algumas pessoas muito parecidas comigo, e várias outras bem diferentes de mim. Sempre procurei vibrar com as semelhanças e também com as diferenças, pois penso que aprendemos demais com o que é de nós diverso. Foi assim que me construí como mestra: ouvindo e respeitando; compartilhando e evoluindo. O meu microcosmos das aulas, creio eu, reflete o grande cosmos das relações sociais. Assim como os microcosmos de qualquer pessoa.
Hoje, no grande cosmos desta multicultural sociedade em que vivemos, podemos nos manifestar mais livremente do que nunca, o que é fantástico, principalmente em um país como o Brasil, que viveu sob a égide de uma ditadura tirana e inaceitável por longos vinte anos. Porém, o que está ocorrendo, em minha modesta opinião, é um extravasamento demasiado da parte ruim que há dentro de cada um de nós. Ninguém é perfeito. Houve um tempo em que costumávamos guardar nossos piores pensamentos e/ou julgamentos para nós mesmo. E aqui vou utilizar-me de um clichê, mas ele é inevitável: nossa vida digital intensa está nos transformando em pequenos (ou grandes) monstros de preconceito, ódio e intolerância. E esses comportamentos estão sendo inevitavelmente transferidos aos nossos filhos, sobrinhos, netos, alunos. Aos jovens. Não estou generalizando, entretanto temo que uma grande maioria de nós esteja sendo sugada (talvez sem retorno) por uma espiral louca e desenfreada de informações desencontradas, inventadas e sem origem, que surgem principalmente nas famigeradas redes sociais. Elas vieram para o bem, e acho que ainda podem fazer “o bem”, mas seus manipuladores não sabem mais como conduzi-las. Ali, vomitam-se ideias sem sentido a todo o momento. Ali, os seres humanos estão mostrando seus piores instintos. Aqueles que deveriam ficar guardados para sempre. Aqueles que em nada contribuem, a nós, adultos, jovens e crianças supostamente pensantes.
Mais amor? Não, não seria do meu feitio esse pensamento, no melhor estilo John Lennon: love and peace, my friends! Adoro os Beatles, mas sempre fui mais o Paul McCartney: carisma, criatividade e inteligência. Acho que querer que as pessoas se amem um pouco mais é pedir muito, e seria um pedido muito inocente. Talvez mais tolerância, mais aceitação, menos ódio. Acho que isso eu posso pedir. Não esperar. Mas pedir, acho que ainda é possível.