
Para a Laurinha, mulher-menina, que torna tudo mais leve.
Seu maior medo
era ter pra sempre saudades
de tudo que não viveu.
Her greatest fear
was to miss forever
all the things
she’s never experienced.
Site da escritora Clarice Dall'Agnol

Para a Laurinha, mulher-menina, que torna tudo mais leve.
Seu maior medo
era ter pra sempre saudades
de tudo que não viveu.
Her greatest fear
was to miss forever
all the things
she’s never experienced.

por Marcella Marx
Maria tinha uma grande amiga pra quem contava e com quem dividia quase tudo. Mas Maria não a chamava de melhor amiga. Maria não gostava de rótulos para pessoas. A menina mais bonita, o menino mais alto, o mais rico, a mais inteligente. Maria tinha medo de adjetivos porque eles sempre eram ou bons ou ruins, e Maria acreditava que muitas vezes as coisas podiam ser boas e ruins ao mesmo tempo, ou mais do que apenas boas e ruins. Por quanto tempo o que era bonito permaneceria bonito? Em quanto tempo o alto encolheria? (e mesmo se ele não encolhesse, outros mais altos fariam ele parecer ter encolhido). E quando a riqueza fosse insuficiente? Quanto tempo até alguém cometer um erro?
Maria sabia que a amiga ficava triste por não receber da boca de Maria o título de melhor amiga. Se a amiga parasse de perder seu tempo com a tristeza e prestasse atenção, perceberia que, apesar de Maria não falar, o corpo de Maria falava. A amiga era a primeira pessoa para quem Maria ligava em qualquer caso, acontecimento bom ou ruim. Os pés de Maria a levavam até o telefone, seus dedos giravam os números que sua memória sabia de cor, seu ouvido esperava os toques até o “alô”, para então sua boca falar. Na escola, a amiga e Maria contavam uma para a outra da dor de barriga que ambas tinham tido na noite anterior.
– O que você comeu? perguntou Maria.
– Macarronada. E você?
– Frango à passarinho, respondeu Maria, e, em silêncio, Maria pensou que talvez elas fossem agora uma a extensão da outra. Não eram mais amiga e Maria, o time, mas amigamaria, a mesma jogadora.
A amiga foi atingida por uma bolada na cabeça, mas foi em Maria que o galo nasceu e doeu.
– Quer uma bala, Maria? Perguntou o médico na saída da consulta.
Maria balançou a cabeça dizendo que sim.
– Qual sabor você prefere?
– Morango, disse Maria por entre os dentes.
A palavra saiu de sua boca sem que Maria tivesse mandado ela sair, e mesmo fazendo força e travando os dentes.
Morango era o sabor favorito da amiga, não de Maria. Maria gostava de bala de limão. Do sabor azedo e da sensação que o azedo do sabor deixava pelo seu corpo, começando com as bordas de sua língua e terminado com um leve sacolejar do corpo inteiro. Maria colocou a bala de morango na boca e não sentiu mais nada. Nada não. Maria não se sentiu Maria e, por isso, achou que não sentia nada.
A bala ficou guardada no canto da boca até Maria chegar casa. Ela subiu as escadas até o banheiro e guardou a bala em cima da pia enquanto escovava os dentes. Depois, colocou a bala de volta na boca, foi para seu quarto e se deitou.
– Boa noite, Maria, durma bem, disse sua mãe, fechando a porta.
Do escuro, Maria respondeu:
– Boa noi (a bala passou pelo buraco da garganta) te (e foi nadando pra dentro de Maria).
Por seu olho esquerdo desceu uma lágrima. Maria estava feliz de sentir as paredes de seu esôfago conduzindo a bala para baixo. Era ela de novo, a Maria que sentia.

por Isabel Dall’Agnol
Agasalha-te
no meu abraço.
Com teu silêncio.
Derrama
tuas lágrimas.
Deixa…
E eu as aqueço.
Assisto mais
do que pensas.
Encobrir é socorro.
Despir é repouso.
Canta pra mim.
Ensina o teu teatro.
Conduz-me
ao espetáculo.
Verdade.
Não há retalho.
Meu amor
é a tua cura.

Qual o teu limite?
Meu limite é o teu,
dividido em imensos pedacinhos:
ir caçar na lua,
por exemplo.
Impede-me, se puderes…

por Marcella Marx
In secret, camouflaged by the deepest dark of nights,
she dreams of kissing her own lips.

À luz de vela,
Minha sombra e a dela
Em uma só aquarela.
por Pedro Cunha
Todo ano nós já sabemos o que vai acontecer. Todo ano vemos os melhores (e os piores) vestidos. Todo ano vemos as injustiças e as consagrações. Todo ano torcemos e damos palpite. Todo ano a mesma coisa. E adoramos CADA UM deles. Sim, é chegada a hora da premiação da Academia. É a hora do Oscar 2016.
A edição desse ano da festa de gala do cinema norte-americano foi marcada, desde muito cedo, por protestos e boicotes. A hashtag #OscarSoWhite levantou um importante debate sobre representatividade na Academia e na própria indústria cinematográfica estadunidense. Mais uma vez os atores, diretores e roteiristas negros foram esquecidos. Bons filmes como “Beasts of no Nation” (Beasts of No Nation, Cary Fukunaga, 2015) e “Um Homem Entre Gigantes” (Concusion, Peter Landesman, 2015) foram solenemente ignorados. “Creed: Nascido Para Lutar” (Creed, Ryan Coogler, 2015) só foi lembrado em Melhor Ator Coadjuvante por Sylvester Stallone e “Straight Outta Compton: A História do NWA” (Straight Outta Compton, F. Gary Gray, 2015) levou indicação apenas para roteiro. Em dois filmes com muitos negros envolvidos foram lembrados Stallone e os roteiristas brancos, ironicamente. Samuel L. Jackson, Idris Elba, Will Smith, Michael B. Jordan e tantos outros poderiam ter sido lembrados e foram deixados de lado. A própria Academia acolheu as críticas e promete tomar medidas para aumentar a diversidade tanto nas premiações quanto nos próprios filmes em si. Vamos esperar para ver no que vai dar.
Enquanto isso… vamos às nossas tradicionais previsões!
MELHOR FILME

A Grande Aposta (The Big Short, Adam McKay)
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, Steven Spielberg)
Brooklyn (John Crowley)
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, George Miller)
Perdido em Marte (The Martian, Ridley Scott)
O Regresso (The Revenant, Alejandro Gonzáles Iñárritu)
O Quarto de Jack (Room, Lenny Abrahamson)
Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, Tom McCarthy)
Disputa mais acirrada dos últimos anos. Ano passado era 50%-50% (e eu errei, heh). As premiações prévias sérias (BAFTA, DGA, PGA, SAG…) estão muito divididas entre “O Regresso”, “A Grande Aposta” e “Spotlight: Segredos Revelados”. Não será surpresa a vitória de nenhum desses filmes. Palpitando, eu acho que “O Regresso” vai vencer. O filme cresceu na hora certa. Mas se eu fosse escolher… eu dividiria o prêmio entre “Mad Max” e “O Quarto de Jack”.
MELHOR DIRETOR

Lenny Abrahamson – “O Quarto de Jack”
Alejandro G. Iñárritu – “O Regresso”
Tom McCarthy – “Spotlight: Segredos Revelados”
Adam McKay – “A Grande Aposta”
George Miller – “Mad Max: Estrada da Fúria”
Pelas premiações o prêmio deve ser de Iñárritu. Ele entra como favorito (e eu estou confiando nisso e no voto casado para justificar o meu chute em “O Regresso”). O senão é justamente o CRIME que foi a vitória de Iñárritu sobre Richard Linklater ano passado. Só dois cineastas já conseguiram ganhar o troféu de Melhor Diretor dois anos seguidos e um deles foi John Ford! Talvez isso tire a vitória de Iñárritu, e aí McKay passa a ser o favorito. Por ironia, se não tivesse ganhado ano passado a vitória de Iñárritu esse ano era mais provável. Mas ainda assim vou chutar Iñárritu. Se eu fosse dar o prêmio? Não precisa nem pensar: George Miller.
MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett – “Carol” como Carol Aird
Brie Larson – “O Quarto de Jack” como Joy “Ma” Newsome
Jennifer Lawrence – “Joy” como Joy Mangano
Charlotte Rampling – “45 Anos” como Kate Mercer
Saoirse Ronan – “Brooklyn” como Eilis Lacey
Saoirse Ronan está bem em “Brooklyn”, assim como Cate Blanchet está (como sempre) bem em “Carol”. A indicação de Jennifer Lawrence é injustificada. Essa vaga poderia ser, por exemplo, de Charlize Theron, por “Mad Max: Estrada da Fúria”. Charlotte Rampling tinha grandes chances de levar a estatueta mas se complicou com declarações polêmicas sobre o #OscarSoWhite e detonou a própria candidatura, o que deve jogar o prêmio no colo de Brie Larson (no que não há nenhuma injustiça, já que ela está sensacional no filme).
MELHOR ATOR

Bryan Cranston – “Trumbo” como Dalton Trumbo
Matt Damon – “Perdido em Marte” como Mark Watney
Leonardo DiCaprio – “O Retorno” como Hugh Glass
Michael Fassbender – “Steve Jobs” como Steve Jobs
Eddie Redmayne – “A Garota Dinamarquesa” como Lili Elbe / Einar Wegener
Enfim, chegou a vez dele. Será uma surpresa muito, MUITO grande se DiCaprio não levar esse ano, depois de perder quatro vezes entre 1997 e 2014. Acho que ele ganha e vou ficar muito surpreso se não ganhar.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Jason Leigh – “Os Oito Odiados” como Daisy Domergue
Rooney Mara – “Carol” como Therese Belivet
Rachel McAdams – “Spotlight: Segredos Revelados” como Sacha Pfeiffer
Alicia Vikander – “A Garota Dinamarquesa” como Gerda Wegener
Kate Winslet – “Steve Jobs” como Joanna Hoffman
Talvez uma das categorias mais fáceis da noite. Alicia Vikander levou quase todas as premiações e surge como a coisa boa a ser salva de “A Garota Dinamarquesa”. Por mais que Kate Winslet seja uma das minhas atrizes preferidas e que Rooney Mara esteja sensacional em Carol (mas ela não é atriz coadjuvante, o estúdio a indicou aqui para que não concorresse com Cate Blanchet na categoria de Melhor Atriz), eu entregaria o prêmio para a sensacional atuação de Jennifer Jason Leigh no filme de Tarantino.
MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christian Bale – “A Grande Aposta” como Michael Burry
Tom Hardy – “O Retorno” como John Fitzgerald
Mark Ruffalo – “Spotlight: Segredos Revelados” como Michael Rezendes
Mark Rylance – “Ponte dos Espiões” como Rudolf Abel
Sylvester Stallone – “Creed: Nascido Para Lutar” como Rocky Balboa
Christian Bale mostrou em “A Grande Aposta” mais uma vez a sua incrível capacidade de se transformar completamente para fazer um personagem. Tom Hardy foi indicado pelo filme errado: ele poderia ter sido indicado por “Mad Max: Estrada da Fúria”. Mark Ruffalo é uma das forças do excelente “Spotlight: Segredos Revelados”. Mas no momento em que conseguiu a improvável indicação Sylvester Stallone se tornou o franco favorito para vencer. É um homem da indústria, está nela há muito tempo, tem muitos amigos e voltou, quarenta anos depois, ao personagem que o lançou. Ganha, justamente, Stallone.
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Ponte dos Espiões” – Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen
“Ex Machina” – Alex Garland
“Divertida Mente” – Pete Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley e Ronnie del Carmen
“Spotlight: Segredos Revelados” – Josh Singer e Tom McCarthy
“Straight Outta Compton: A História do NWA” – Jonathan Herman, Andrea Berloff, S. Leigh Savidge e Alan Wenkus
Acho que aqui “Spotlight: Segredos Revelados” leva tranquilamente. É um excelente roteiro, um filme de jornalismo clássico que nos deixa tensos do início ao fim. Ficaria positivamente surpreso se premiassem “Straight Outta Compton: A História do NWA” na única indicação que o filme recebeu.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“A Grande Aposta” – Charles Randolph e Adam McKay por The Big Short de Michael Lewis
“Brooklyn” – Nick Hornby por Brooklyn de Colm Tóibín
“Carol” – Phyllis Nagy por The Price of Salt de Patricia Highsmith
“Perdido em Marte” – Drew Goddard por The Martian de Andy Weir
“O Quarto de Jack” – Emma Donoghue por Room de Emma Donoghue
Quem leu o livro diz que adaptar “A Grande Aposta” foi insano. Na medida em que o resultado foi positivo, o filme torna-se favorito para vencer nessa categoria também.
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

“Anomalisa”
“O Menino e o Mundo”
“Divertida Mente”
“Shaun the Sheep Movie”
“Omoide no Marnie”
Por mais que torçamos (e seria tão lindo) Por “O Menino e o Mundo”, a Pixar vai levar mais uma vez. “Divertida Mente” é um baita filme e foi sucesso de crítica e público. Leva fácil.
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

“El abrazo de la serpiente” (Colômbia)
“Krigen” (Dinamarca)
“Mustang” (França)
“Saul fia” (Hungria)
“Theeb” (Jordânia)
O desafio para os concorrentes nessa categoria é conseguir que o seu filme seja assistido. Nesse sentido “Saul fia” (no Brasil, “O Filho de Saul”) saiu-se bem e deve levar o prêmio. Será grande a surpresa se não for o vencedor na categoria.
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Thomas Newman – “Ponte dos Espiões”
Carter Burwell – “Carol”
Jóhann Jóhannsson – “Sicario”
John Williams – “Star Wars: O Despertar da Força”
Ennio Morricone – “Os Oito Odiados”
Chegou a vez dele. Na verdade já deveria ter chegado faz mais de quarenta anos! Será uma das maiores comoções da noite quando Ennio Morricone for buscar a sua estatueta.
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It” por “Cinquenta Tons de Cinza” – The Weeknd, Belly, Jason Quenneville e Stephan Moccio
“Manta Ray” por “Racing Extinction” – J. Ralph e Antony Hegarty
“Simple Song #3” por “Youth” – David Lang
“Til It Happens to You” por “The Hunting Ground” – Diane Warren e Lady Gaga
“Writing’s on the Wall” por “007 Contra Spectre” – Jimmy Napes e Sam Smith
Acho que dá Lady Gaga. Que seja qualquer um, menos a música horrível do Sam Smith!!
MELHOR FOTOGRAFIA

“Carol” – Ed Lachman
“Os Oito Odiados” – Robert Richardson
“Mad Max: Estrada da Fúria” – John Seale
“O Retorno” – Emmanuel Lubezki
“Sicário” – Roger Deakins
Lubezki está indicado pela oitava vez (a quarta nos últimos cinco anos). Ganhou os dois últimos (com “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância” em 2015 e com “Gravidade” em 2014). Deve ganhar novamente. Uma pena não premiarem o trabalho de Seale, que fez de “Mad Max: Estrada da Fúria” um dos filmes mais lindos dos últimos tempos.
MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

“Mad Max: Estrada da Fúria”
“O Centenário que Fugiu pela Janela e Desapareceu”
“O Regresso”
Vai ganhar “O Regresso”. Torço por Mad Max. Não vi o outro filme.
MELHOR MONTAGEM

“A Grande Aposta” – Hank Corwin
“Mad Max: Estrada da Fúria” – Margaret Sixel
“O Regresso” – Stephen Mirrione
“Spotlight: Segredos Revelados” – Tom McArdle
“Star Wars: O Despertar da Força” – Maryann Brandon e Mary Jo Markey
O melhor trabalho de montagem do ano, “A Grande Aposta”, deve sair premiado. A velocidade do filme, a quebra da quarta parede e a fluidez do trabalho de Corwin devem garantir-lhe a estatueta.
MELHORES EFEITOS VISUAIS

“Ex Machina”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”
Acho que será o prêmio de consolação de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Poderiam acabar achando por bem dar alguma coisa para o novo Star Wars, também. Mas o mais engraçado seria se “O Regresso” ganhasse e DiCaprio, num zebrão, perdesse o de melhor ator: no fim das contas o urso teria ganhado, enfim.
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

“Ponte dos Espiões”
“A Garota Dinamarquesa”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
A Academia costuma preferir trabalhos de época bem feitos (como “Ponte dos Espiões e “A Garota Dinamarquesa”) a filmes futuristas e tecnológicos (como “Mad Max” e “Perdido em Marte”). Mas acho que DiCaprio e seu urso (“O Regresso”) vão acabar levando nessa categoria também.

Meu falo interior
me fala:
Seja homem, guria…
Mas se for demais pra ti,
podes chorar,
porque lágrimas e amor não têm sexo.

Nevermen é a união de três cantores: Mike Patton, do Faith No More (Mr. Bungle, Fantômas e 200 outras bandas), Adam “Doseone” Drucker, do cLOUDDEAD (Subtle, 13 & God e 200 outros projetos) e Tunde Adebimpe, do TV on the Radio.
A ideia surgiu há pelo menos dez anos quando Patton gravou com Doseone uma música para seu projeto Peeping Tom. O disco era composto por colaborações de Patton com diferentes artistas em cada faixa do álbum. A partir daquela colaboração, os dois começaram a cozinhar a ideia de formar uma banda. Doseone sugeriu chamarem Tunde Adebimpe para criar um trio de vocalistas. Patton, que curtia o trabalho do vocalista do TV on the Radio, topou na hora.
Inicialmente, a ideia do trio era compor as canções apenas com vocais. Mas os músicos foram experimentando com samples, batidas e instrumentos e, assim, o som do Nevermen foi tomando forma.
O trio deu início às composições gravando cada um em sua casa diferentes ideias. Um enviava para o outro e, aos poucos, as músicas iam sendo moldadas. Dessa forma, foram surgindo naturalmente os papéis de cada um na banda: Doseone ficou com as letras, Adebimpe com as melodias e Patton com os arranjos.

Sem definir exatamente que caminho tomariam, os três músicos acabaram se encontrando em uma encruzilhada de hip hop, música eletrônica, doo-wop, rock e pop. O som do Nevermen tornou-se algo bem peculiar, ao mesmo tempo experimental e radiofônico. O grupo ficou tão satisfeito com o resultado que resolveu levar o material para a estrada.
Ao vivo, a banda pretende se apresentar com vários sintetizadores e aparatos eletrônicos acompanhados de um baterista, Jordan Dalrymple, que toca com Doseone na banda Subtle. Vai ser um desafio, pois as as canções não foram criadas com esse intuito em mente.
Recentemente, uma das canções ganhou um videoclipe animado criado pela artista japonesa Sarina Nihei. Enquanto a banda não confirma presença no Brasil, divirtam-se com “Mr Mistake”.