Clarice Dall’Agnol

Cinema

Oscar 2019: Os Chutes Finais

Domingo é o grande dia. Vamos, portanto, vestir nosso melhor gala, tirar o pó da cartola e nos prepararmos para a grande cerimônia (que, como sempre, será grande). A Academia criou a grande polêmica do ano antecipando que algumas categorias bem tradicionais (Edição, Fotografia) não teriam suas premiações televisionadas, acontecendo durante os intervalos. A reação foi tão negativa que a Academia aparentemente voltou atrás. Vamos ver no domingo como eles arranjam. Dentre as atrações da noite teremos um Oscar sem host fixo (o que sinceramente não empolga nem desempolga ninguém mais) e nos últimos dias foi confirmada a performance do Queen, além da já anunciada de Lady Gaga e Bradley Cooper. Enfim, no domingo estaremos na frente da TV e em tempo real no twitter (@prof_pedro) comentando dos looks no tapete vermelho até o prêmio de Melhor Filme.

Agora, sem mais delongas, vamos aos nossos chutes palpites do ano:

Melhor Filme

Depois das mudanças que a Academia promoveu no sistema de votação essa se tornou uma categoria muito difícil de prever. Nos últimos anos tivemos surpresas e até reviravoltas (La La Land que o diga, não é mesmo?). Para esse ano, entre os oito indicados, “Nasce Uma Estrela” (A Star Is Born, Bradley Cooper, 2018) deu pinta que poderia levar quando foi lançado, mas foi perdendo força com o passar da temporada de premiações. Para “Pantera Negra” (Black Panther, Ryan Coogler, 2018) e “Bohemian Rhapsody” (Brian Synger, 2018) só o fato de estarem indicados já é uma vitória: o primeiro pelo subgênero de Super-Heróis, tradicionalmente esnobado pela Academia, e o segundo por todas as controvérsias envolvendo o Diretor. “A Favorita” (The Favourite, Yorgos Lanthimos) é um filme com cara de Oscar, mas sua campanha nunca chegou a decolar. A seu favor a indicação de Lanthimos na categoria melhor diretor.

                Na reta final da corrida dois filmes despontam como favoritos: “Roma” (Alfonso Cuarón, 2018) e “O Guia” (Green Book, Peter Farelly, 2018). “Roma” venceu o Globo de Ouro e o Bafta e foi um filme dito “artístico” mas que teve um grande alcance, graças ao fato de ser distribuído pela Netflix e estar literalmente dentro da casa de todo mundo. O filme obteve dez indicações, incluindo Diretor (Cuarón), Atriz (Yalitza Aparicio), Atriz Coadjuvante (Marina de Tavira) e Roteiro Original. Algumas coisas pesam contra “Roma”: a Academia costuma torcer o nariz para filmes não falados em inglês, é um filme em preto e branco e muita gente na Academia tem sérios problemas com a distribuição da Netflix. Ainda assim, é o mais listado como favorito pelos especialistas.

                “O Guia” venceu o Globo de Ouro (lembre que são duas categorias de Melhor Filme lá…) e o PGA, o prêmio do Sindicato dos Produtores. Esse prêmio é considerado o mais preciso em termos de previsão para o Oscar, já que tem o mesmo intrincado sistema de votação que o Oscar de Melhor Filme. O longa de Farelly é um road movie com excelentes atores que trata de um assunto contemporâneo (racismo) mas não de maneira contundente (como faz o excelente “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee). O filme, que alguns pejorativamente chamam de uma refilmagem de “Conduzindo Miss Daisy” (Driving Miss Daisy, Bruce Beresford, 1989), ganhou força na reta final das premiações. E vale lembrar que “Conduzindo Miss Daisy” levou o Oscar em 1990.

VAI LEVAR: Vou cravar o azarão aqui: Vai levar “O Guia”. Minha segunda opção seria “Roma”.

MEU VOTO: “Infiltrado na Klan”, sem dúvida.

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Melhor Diretor:

                Com o aumento no número de indicados e a mudança no sistema de votação da categoria Melhor Filme a dobradinha ficou mais difícil e tornou-se comum a vitória de filmes e diretores desemparelhados. Para esse ano nenhuma ausência foi mais comentada que a de Bradley Cooper, que de fato fez um ótimo trabalho em “Nasce Uma Estrela”. Bacana a indicação de uns nomes mais fora da caixa, como o Yorgos Lanthimos (por “A Favorita”) e Pawel Pawlikowski (por “Guerra Fria”, indicado a Filme de Língua Extrangeira). Nessa categoria, no entanto, não deve haver surpresa.

VAI LEVAR: Alfonso Cuarón. Ganhou o DGA e quase todas as premiações possíveis.

MEU VOTO: Provavelmente votaria no Spike Lee.

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Spike Lee, que deveria ganhar, apontando para quem provavelmente vai ganhar.

Melhor Atriz:

                Numa categoria com algumas surpresas nas indicações (Lady Gaga por “Nasce Uma Estrela” e Alitzia Aparicio por “Roma”), temos Olivia Colman brilhando em “A Favorita”. Todas elas poderiam, em outros anos, estar disputando a estatueta. Mas não em 2019. A monumental Glenn Close nos premia talvez com a maior atuação de sua carreira (e que carreira!) em “A Esposa” e vai levar o prêmio numa conjunção rara: um prêmio que fará justiça às atuações do ano e à história da atriz.

VAI LEVAR: Glenn Close.

MEU VOTO: Glenn Close.

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Glenn Close, na plenitude

Melhor Ator:

                Esse ano a categoria evidenciou, mais do que nunca, que ganhar o Oscar é uma corrida de longa distância onde o que importa mais, muitas vezes, é a campanha feita pelo indicado. Nesse sentido Rami Malek fez tudo certinho e ganhou TODAS as premiações possíveis, mesmo não tendo a melhor atuação da temporada. Sem esforço podemos dizer que todos os outros quatro indicados (Christian Bale por “Vice”, Bradley Cooper por “Nasce Uma Estrela”, Willem Dafoe por “No Portal da Eternidade” e Viggo Mortensen por “O Guia”) fizeram trabalhos melhores que o dele. Mas Malek vai levar em parte pela sua campanha e em parte pelo carisma imenso de Freddie Mercury também.

VAI LEVAR: Rami Malek.

MEU VOTO: Christian Bale, incrível como Dick Cheney.

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Como resistir a esse sorriso?

Melhor Atriz Coadjuvante:

                Numa categoria cheia de boas atuações e queridinhas da Academia poderia ser difícil fazer uma previsão. Rachel Weisz já ganhou um Oscar por “O Jardineiro Fiel” (The Constant Gardener, Fernando Meirelles, 2005) e Amy Adams chega na sua sexta indicação (e deveriam ter sido sete, não me conformo que em 2017 ela não tenha sido indicada por “A Chegada”) sem ainda ter ganhado uma estatueta. A vencedora, no entanto, deve ser Regina King por “Se a Rua Beale Falasse” (If Beale Street Could Talk, Barry Jenkins, 2018), que acabou sendo esnobado em outras categorias.

VAI LEVAR: Regina King

MEU VOTO: Amy Adams. Já passou da hora dessa mulher ganhar.

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Regina King no filme de Barry Jenkins

Melhor Ator Coadjuvante:

                Sam Rockwell ganhou ano passado merecidamente e esse ano mais uma vez está incrível como George W. Bush em “Vice”. Adam Driver vai ganhar num futuro muito próximo, mas acho que não esse ano. Está excelente em “Infiltrado na Klan”, mas o engajamento político do filme pode atrapalhar. Mahershala Ali, que já ganhou em 2017 por “Moonlight” (Barry Jenkins, 2016), ganhou todas as premiações da temporada e desponta como o grande favorito. Se alguém pode surpreendê-lo, acho, é Sam Elliot em “Nasce Uma Estrela”. É um veterano muito querido na Academia e pode ter aqui sua única chance de levar, o que costuma sensibilizar a Academia.

VAI LEVAR: Mahershala Ali.

MEU VOTO: Olha… Mahershala, Rockwell ou Elliot seriam bons votos. Não sei mesmo.

Mahershala Ali as Dr. Donald Shirley in Green Book, directed by Peter Farrelly.
Não é Eddie Murphy em “Um Príncipe em Nova Iorque”. É Mahershala Ali em “O Guia”.

Melhor Roteiro (Original e Adaptado)

                As duas categorias de roteiro costumam ser o prêmio de consolação dos bons filmes que não conseguem os principais prêmios da noite. Por isso Despontam como favoritos “Infiltrado na Klan” na categoria Roteiro Adaptado e “A Favorita” em Roteiro Original. Acho difícil surpresas aqui. Se houverem, poderia ser “Roma” no Original (Se o filme de Cuarón levar um caminhão de prêmios) e “Se a Rua Beale Falasse” no Adaptado (pelo mesmo critério do prêmio de consolação.

VAI LEVAR: “Infiltrado na Klan” (Roteiro Adaptado)

                       “A Favorita” (Roteiro Original)

MEUS VOTOS: “Infiltrado na Klan” e “A Favorita” mesmo.

Melhor Fotografia

Vai ser uma grande surpresa se Cuarón e “Roma” não levarem. Além de ter feito um trabalho primoroso, Cuarón é Diretor e também Diretor de Fotografia do filme, o que é raro. Um filme dito “artístico” vai ser premiado, com justiça, pelas suas qualidades… artítsticas.

VAI LEVAR: “Roma”

MEU VOTO: “Roma”

Outras Categorias:

Obviamente “Roma” vai levar Filme Estrangeiro. Será uma grande surpresa se “Homem-Aranha no Aranhaverso” não levar Melhor Animação. Design de Produção deve ir para “Pantera Negra” e Figurino para “A Favorita”. Mas podem ir os dois prêmios para um desses ou pode inverter também. Efeitos Visuais deve premiar “Vingadores: Guerra Infinita” para prestigiar o caminhão de grana que a Marvel vem colocando nas bilheterias. Maquiagem e Cabelo será justamente de “Vice”. Montagem deve ser o prêmio de “Bohemian Rhapsody”, já que os montadores “salvaram” o filme depois da defenestração de Bryan Singer. A Melhor Canção da noite sem dúvida será “Shallow” e a melhor Trilha Sonora será a de “Se a Rua Beale Falasse” (com boas chances para “Pantera Negra” também.

Literatura

Instruções para um coração confuso

Instruções para um coração confuso
imagem: Cassiano Rodka

Rasga esse medo e deixa o coração bater.

Escuta a melodia do teu desejo e dança. Sente o bumbo do teu peito e cai no ritmo desse pulso. Impulsivo ou verdadeiro? Verde até ficar maduro. Me dá o controle, perde o teu por completo. Encaixa tua vontade na minha, vamos do quarto à cozinha. Te despe da incerteza, baixa essa calça, derruba as coisas da mesa.

Não perca tempo, perca-se nele.

Eu tô aqui e tu também. Só vem. Olha no olho, sente essa chama. Sem culpa, sem tralha, derruba essa muralha. Uma parede de desculpas não te mantém seguro, mas preso. Te liberta desse peso. Mente aberta, coração solto. Uma tarde, um vinho, não aguarde um carinho. Toma as rédeas dessa febre. Arde.

Sente a brisa e voa longe,
assume a forma de gaivota.

A vida passa como o vento, sem tempo pra arrependimento. Não perde a tua passagem. Embarca no trem e curte essa viagem. Vem comigo, chega junto. Se nosso destino é o mesmo, senta aí do meu lado e vamos. Dá a mão, pende a cabeça no meu ombro, sente o balançar do vagão. Deixa ser como será. Ou não saberás como seria.

Se a morte há de chegar um dia,
devolve à tua vida a poesia.

Literatura

No manguezal 

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imagem: José Calimero
 
– Como o mangue fede, mãe… tá podre?
– É o cheiro da morte das folhas, das raízes e dos insetos. 
– E por que morrem, mãe?
– Pra dar lugar a outras vidas. No mangue, nascer não existe sem morrer primeiro.
– Quem nasce? 
– Nascem outras plantas, com raízes que levitam como estas. Nascem seres de todos os tons, do marrom ao vermelho. Eles crescem cavando a lama, dia e noite, perfurando milhares e milhares de vezes para construir suas casas.
– Por que eles têm que construir milhares de vezes?
– O mar sobe e alaga toda a construção. O mar desce, e eles recomeçam. 
– Não cansam?
– Não se dão conta que cansam, vivem para cavar.
– Mas o mangue fica no rio ou no mar? 
– Ele fica entre o mar e o rio. Não é nem só mar, nem só rio. Precisa do encontro do salgado do mar e do doce do rio pra viver. 
– Entendi, o mangue é um pouco mãe.
Quadrinhos

Cara-Unicórnio: um herói em busca da própria identidade

Cara-Unicórnio-Volume01

A vida de David mudou no dia em que foi picado por um unicórnio radioativo. Transformado em uma criatura meio homem, meio quadrúpede, ele se vê na condição de assumir seu papel de herói e aprender a usar seus super-poderes.

Utilizando o universo dos super-heróis, o quadrinista Adri A. aborda diversas questões LGBTQ+, como a descoberta e aceitação da sexualidade, o preconceito enfrentado no dia a dia e a vontade de se tornar um ativista. A metáfora é clara: David se descobre gay e embarca em uma jornada de auto-compreensão, tendo que reencontrar seu lugar no mundo.

Cara-Unicórnio - Como Virar um Cara-Unicórnio

O volume 1 de Cara-Unicórnio apresenta as quatro primeiras histórias do herói, começando com sua origem em “Como Virar um Cara-Unicórnio”. Nela, conhecemos a hilária Tia Elle, que mora com o herói e para quem ele revela sua nova identidade pela primeira vez. Os diálogos entre os personagens são muito naturais e engraçados, tornando a história fantástica um pouco mais próxima da realidade.

Em “O Caso da Bolsinha”, o Cara-Unicórnio sai em busca de oportunidades para exercer seu recém-descoberto papel de herói. Como todo principiante, ele não sabe bem por onde começar e acaba cometendo umas gafes.

Cara-Unicórnio - O Caso da Bolsinha.png

Diferente da maioria dos heróis, o Cara-Unicórnio leva uma vida normal, comete muitos erros e tem contas a pagar. Na terceira história do livro, “Coisas Certas a Dizer”, vemos o personagem em busca de emprego. A entrevista para ser parte de um supergrupo brinca com todas as inseguranças típicas dessa situação na vida real.

O livro termina com “Jantar Romântico”, onde nosso protagonista tem que enfrentar o temível Chupa-Amor em pleno Dia dos Namorados. Além de ser desajeitado como super-herói, vemos que nosso amigo também não tem lá muito jeito com o romance.

Cara-Unicórnio - Dando uma Mãozinha

O capítulo cinco do Cara-Unicórnio foi lançado na CCXP 2018 como uma revista independente e é uma continuação direta das histórias anteriores. Em “Dando uma Mãozinha“, reencontramos muitos dos personagens do primeiro volume, conhecendo cada um mais a fundo e obtendo várias revelações em uma só história.

De uma forma leve e muito bem humorada, o autor Adri A. nos leva pela jornada de autodescoberta de um cara gay. Sua jornada desajeitada mostra como um jovem de 22 anos enfrenta a intolerância, aprende a ajudar os que estão na mesma situação e amadurece em um ambiente muitas vezes hostil. Nada mais justo que enxergar esse sujeito como um super-herói.

Cara-Unicórnio Adri A CCXP 2018
Rodka com o autor Adri A. na CCXP 2018.
Cinema

Oscar 2019: análises e previsões (Parte Um)

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Na medida em que se aproxima o fim de fevereiro, os cinemas vão sendo inundados pelos filmes indicados ao Oscar. Se a cerimônia longuíssima e a premiação podem ser contestadas de diversas formas (não entregar ao vivo os prêmios de fotografia e edição?? Fala sério, Academia!!), esse ainda é um efeito positivo: muitos filmes bons que talvez tivessem vida curta ou sequer entrassem em cartaz ficam nas salas tempo suficiente para que possamos vê-los como foram concebidos, na tela grande com o som adequado.

Kendrick Lamar e SZA interpretam “All The Stars”, uma das indicadas a Melhor Canção Original

A atual temporada (como quase todas) tem muitas coisas interessantes e conversa bastante com o seu tempo. Desnecessário falar sobre a importância de “Pantera Negra” (Black Panther, Ryan Coogler, 2018), por exemplo. Num momento em que estamos saturados de filmes de heróis, a Marvel consegue colocar um gás na sua mega franquia com um filme extremamente contemporâneo: “Pantera Negra” não é só um filme sobre um herói negro, mas tem também personagens femininas fantásticas e profundas e um vilão bastante tridimensional, contrariando a maioria dos filmes do gênero. Além de tudo, é um desbunde visual. As sete indicações do filme se justificam: Edição de Som, Mixagem de Som, Figurino, Design de Produção, Canção Original, Trilha Original e Melhor Filme. Na premiação do sindicato dos atores dos EUA, o SAG, Pantera Negra destronou alguns dos favoritos e levou o grande prêmio da noite, o de Melhor Elenco. Ainda acho que não tem fôlego para ganhar o prêmio de Melhor Filme, mas deve nadar de braçada nas categorias técnicas, e o deslumbre visual de Wakanda merece.

Bradley Cooper e Lady GaGa cantam “Shallow”, a favorita na categoria “Melhor Canção”

Este ano temos dois musicais em destaque: a refilmagem de “Nasce Uma Estrela” (A Star Is Born, Bradley Cooper, 2018) e a cinebiografia de Freddie Mercury e do Queen, “Bohemian Rhapsody” (Bryan Singer, 2018). Em “Nasce Uma Estrela”, quarta versão da mesma história, Bradley Cooper se mostra um diretor competente (além do bom ator que é) e reconta a história do astro decadente e auto-destrutivo que encontra meio por acaso um diamante bruto de talento para ser lapidado (a cantora Ally, encarnada por Lady GaGa, uma das boas surpresas do ano). O filme obteve oito indicações: Mixagem de Som, Roteiro Adaptado, Fotografia, Canção Original (Shallow), Atriz (Lady GaGa), Ator (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Sam Elliot) e Melhor Filme. Causou alguma estranheza a não-indicação do filme na categoria “Trilha Original”, já que é um musical e se sustenta muito em cima das canções. Sam Elliot, veterano e muito querido no meio, é o favorito na categoria Ator Coadjuvante.

Rami Malek emociona a todos nós com a recriação do show no Live Aid

O “Filme do Queen”, como é chamado no Brasil “Bohemian Rhapsody”, tem diversos problemas. Bryan Singer sequer terminou de dirigir o longa, debaixo da chuva de acusações de assédio e pedofilia que o envolveram. As polêmicas do diretor, porém, não arranharam a trajetória do filme que se saiu muito bem nas bilheterias. Ao que parece as ligações afetivas das pessoas com as canções do Queen e com a figura de Freddie Mercury fizeram com que as pessoas adorassem o filme apesar dos problemas que ficam à vista numa análise menos emocional. A questão é que o filme é FEITO para ser emocional, e assim ele funciona. O filme foi indicado nas categorias Edição, Edição de Som, Mixagem de Som, Melhor Ator (Rami Malek) e Melhor filme. O filme, por incrível que pareça, tem problemas de edição. A indicação nessa categoria se justifica pela recriação perfeita do show no Live Aid, que foi muito bem feita e encerra o longa. A atuação de Rami Malek (Mr. Robot) como Freddie Mercury levanta a discussão de até que ponto ele está atuando ou imitando. O público não liga para esse debate e AMOU Malek no papel. Ele vem levando todas as premiações possíveis: Spirit, Globo de Ouro, BAFTA e SAG. É um dos favoritos para levar o Oscar junto com Christian Bale. O prêmio de melhor filme, para mim, não seria uma zebra completa: da maneira como a votação é feita hoje, muita gente pode colocar “Bohemian Rhapsody” em terceiro ou quarto lugar na sua lista de preferências e, a partir daí, o filme poderia vencer.

Continuaremos com os principais indicados brevemente!

Literatura

Writer Unblocked

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imagem: Cassiano Rodka
Para os meus amados companheiros do PáginaDois, que sabem que hoje a cultura neste país significa resistência. 
Entrei de roupa no chuveiro,
seguindo os conselhos de Bibi e Calimero, e os desafiei a escreverem sobre isso.
Tocava Garbage na minha caixa psicodélica,
Lembrei da Brunna e do Cassi dançando no Ocidente,
E dancei sozinha e encharcada,
Aquela água fria lavando alma,
corpo e o ano que passou.
Hoje Pedro publicou sobre o Homem-Aranha,
E ontem Marx mandou no grupo do P2 um cartoon fofo do Snoopy espalhando amor contra o sinistro governo de Mr. Bullshit.
A Bel me mandou áudios agora, ouvi ao fundo o chorinho do Vicente, e mandei que ela voltasse a escrever.
Nosso sarau é diário, é digital, é cultural, é arte em forma de protesto.
Sou eu aqui sem ideia, fazendo poema esquisito e descritivo, em prosa.
Sou eu tentando sair do “writer’s block”,
Eu fugindo dos últimos dois meses,
Tentando me encaixar no novo formato,
Este formato
Ainda sem forma
Do ano que acaba de começar.
(Acho que ficou uma merda, mas espantei o bloqueio…).
Literatura

História de Maria: força

história de maria - força
imagem: José Calimero
Maria não acreditava na própria força. Achava que extraía sua coragem do mar. Atribuía sua audácia ao vento. Sua maleabilidade à chuva. Creditava sua resiliência ao nobre pinheiro plantado no jardim. E sua ambição reluzia constante em forma de chama quente, na pequena vela de cabeceira.
Quando alguma delas lhe faltavam, Maria culpava o mundo sem dó, nem, muito menos, piedade.
Literatura

A maratonista

maratonista
imagem: José Calimero
 
eu estou quase lá
muito, muito perto mesmo
“tá ficando quente”
como se diz de brincadeiras de achar
 
eu me vejo chegando
olho para trás
nada ou ninguém no meu encalço
nem me lembro de quando abri essa distância
ao longo do percurso
 
só sei que estou prestes a ultrapassar a minha chegada
e de todas as mudanças e fugas
planos, sonhos e desejos
sou eu ainda que estou correndo
a mesma, que por muitas vezes,
achou ter queimado a largada