Clarice Dall’Agnol

Literatura

Lobster roll

Ilustração: Cassiano Rodka

Porque unívocas,
para o resto da vida,
Inequívocas,
(Entrelaçadinhas),
Unidamente
– Desavergonhadas,
Nas doces conchas
(Fora e dentro),
Grudentas,
Querendo todos os sucos,
Aguardentes
(Aguardando?)


Este texto foi escrito dentro do Desafio da Lagosta, que instigou a equipe do PáginaDois a produzir conteúdo partindo do inusitado tema “lagosta”.

Música

Aretha: dando um novo significado ao R-E-S-P-E-I-T-O

A cinebiografia de Aretha Franklin está nos cinemas com Jennifer Hudson no papel da cantora. Uma das coisas mais interessantes da sua carreira que o filme dá uma pincelada, mas não se aprofunda, é o como ela transformou uma canção machistinha num hino feminista.

“Respect” foi escrita e interpretada por Otis Redding em 1965. A letra falava sobre um cara que chega em casa do trabalho, cansado e tudo que ele pede é que a sua esposa dê a ele um pouquinho de respeito. Tadjiiinho! Ele diz que dá tudo que ela quiser, todo o seu dinheiro, mas, em troca, ele demanda respeito SEMPRE que ele precisar. Respeito aqui significa SEXO. É aquele manjado esquema marido-trabalha-mulher-serve.

Dois anos depois, nossa amiga Aretha pegou essa canção e deu uma recauchutada boniIIta! Em sua versão, a esposa é quem demanda respeito, invertendo os papéis convencionais de marido e mulher. A versão da cantora é praticamente uma resposta à letra de Otis Redding: ela garante que tem dinheiro, que não é isso que ela precisa dele, mas sim que ele saque a sua pistola e… sockittomesockittomesockittome! “Sock it to me”, em tradução livre é “METE LEGAL!”

A música se tornou o grande hit da cantora e lhe garantiu diversos prêmios. Se tem algo que Aretha Franklin conseguiu com essa história toda é uma boa dose de – R-E-S-P-E-C-T – respeito mundial.

Quadrinhos

Oleg, de Frederik Peeters

Escrita pelo quadrinista suíço Frederik Peeters, Oleg conta a história de um escritor passando por uma crise criativa.

Apesar de ser uma narrativa fictícia, a HQ é vastamente baseada na vida de seu autor, um quadrinista casado há vinte anos e com uma filha adolescente. Enquanto acompanhamos a busca de Oleg por uma ideia para seu novo livro, vamos adentrando seu cotidiano e é difícil não se identificar com algumas de suas angústias.

É um retrato da época atual, onde a tecnologia que domina nossa vida contrasta com a falta de informação de pensamentos retrógrados, onde o contato humano se dá mais através de mensagens escritas do que de abraços. “Consumo ilimitado, viagens ilimitadas, conexão ilimitada, destruição ilimitada… o mundo está se acabando por falta de limite”, declara o personagem em uma de suas divagações.

Através dos olhos do escritor, surgem diversos questionamentos sobre o sentido e o valor de tudo aquilo que nos rodeia. Oleg é um homem que se vê desconectado da direção que o mundo toma.
Habita um mundo hiperconectado, mas onde a conexão tomou um novo significado. Ela é distante, vaga, supérflua.

Lançada no Brasil pela Nemo, a HQ é um convite a parar e refletir sobre tudo aquilo que está em nosso entorno, o que buscamos, o que nos pertence e o que nos foi imposto.