
“…por baixo dos significantes, o significado é essencialmente movediço”.
(François Leguile, psicanalista)
O que importa é ter amado
(Vírgula)
Porque, para o amor,
Nunca há ponto final
Site da escritora Clarice Dall'Agnol

“…por baixo dos significantes, o significado é essencialmente movediço”.
(François Leguile, psicanalista)
O que importa é ter amado
(Vírgula)
Porque, para o amor,
Nunca há ponto final

E se…
E se…
E se…
Deitava.
E me espalhava
em cada peça tua.

O mistério
segredo guardado
malfadado
linha da vida
curta e entremeada
vida que segue, o destino
acontecimentos
que levam a lugar
algum

O remédio
é o inevitável
veneno

As tuas mãos pesadas,
simplesmente,
ainda pesam
E as minhas,
seguem curtas demais
para abraçar-te
A dor não fica
tão apenas naquele
corpo pequeno
Arrasta-se…
E, com o passar
dos anos, se exibe
Pois já não quer
calar-se
É uma veste,
ainda que invisível,
que quer fazer
deste corpo maduro nu
Acho que agora
percebo
O pouco que se sabia
Que se sentia
Que se entendia
A culpa já passa
batida
E a vergonha
encolhida
É a dor, que
fingia escondida,
que desvenda
este andar
Nunca é tarde pra
falar
Nunca é hora de
calar
É um fardo
Eterno
Que merece
mirada
Que merece
amparo
Que merece
reparo
Ainda temo a dor
que fica
Deito com teu espelho
vil
E sonho que possas
descarnar-se deste
corpo manchado

Acabou mais uma canção
Nada toca mais
As pessoas vão
Despedidas sempre tristes
A tarde escurece
Ainda algo de radiante quer viver
As pessoas correm
Eu permaneço sentada
Entre o copo e o corpo
A aflição de quem já não pode mais voltar
Não escolhi
Não pedi
Apenas aconteceu assim
Aí chorei e você viu
Mas não importa
A culpa é da cerveja
E dessa tarde morna.

Desperta o meu
beijo
Molha o meu
desejo
Acolhe o meu
anseio
Suga o meu
delírio

Todos os comuns
they do
juntos
festas
supermercados
sorvetes no quiosque do shopping
filhos mal-educados,
vícios insuficientes
cafeína, cocaína, fluoxetina
não exatamente nessa ordem
existe a sua falta
a ausência
a solidão por entre a gente
do poeta de muito tempo atrás
eu me acho tão diferente
but i do too
versos de rimas primárias
precárias
tão comum
mente.

Pequenos olhos coloridos,
tu me fitas
Intenso
Deslumbre
Mestre de amor
e alma
Descansa no meu
peito
Beija minha testa
Doce carinho
Caminho de algodão
Leva-me ao alto
Guarda-me a casa
Transborda meu véu