Automatic for the People foi o “álbum após o sucesso” do R.E.M. e, como é de costume nesses casos, é uma seleção de músicas para espantar quem não é fã. Muitos artistas, quando chegam à fama, tomam aquele fartão intergaláctico de estar sempre presente na mídia com o mundo atento a tudo o que eles fazem.
O disco seguinte acaba tomando um desses dois caminhos: ele é um repeteco do que já foi feito. Ou ele vai para um caminho totalmente diferente e acaba se tornando um dos discos mais emblemáticos da banda. Automatic for the People é o segundo caminho.
Diferente dos singles alegres que trouxeram fama à banda, o álbum apresenta faixas mais acústicas com melodias tristonhas e arranjos bem elaborados. São músicas para o ouvido degustar. A banda decidiu não fazer turnê do disco, preferiram dar uma sumida mesmo. Mas o álbum virou um clássico que é a cara do R.E.M.
Se o fogo, que queima meus pés, aquecesse meu coração…
Se o fogo, que estala na madeira, rompesse meu corpo. ..
Se o fogo, que invade a lareira, penetrasse em minha alma…
Talvez minha mente não estivesse corroendo todos os ossos do meu esqueleto. Porque assim como o fogo faz da madeira, faço de mim cinzas. Um borralho, que perturba o ambiente em que se queda.
Um belo dia, o produtor Dan The Automator se deu conta de que não havia mais álbuns românticos sendo produzidos no início dos anos 2000. Sentiu que era sua missão criar um álbum de canções que servissem de trilha para aquele momento especial a dois… ou mais. O resultado foi Music to Make Love to Your Old Lady by, uma seleção de músicas num gênero contemporâneo que eu chamo de hip hop romântico.
A banda ganhou o nome de Lovage, uma erva usada para reduzir gases. Como vocalistas, Dan convocou os vocais sexy de Mike Patton (do Faith No More) e Jennifer Charles (do Elysium Fields). Reza a lenda que a primeira coisa que Jennifer gravou foi uma sequência de gemidos que acabou sendo usada na faixa Book of the Month. O disco conta ainda com participações especialíssimas de Damon Albarn (do Blur), Afrika Bambaataa e Kid Koala.
O álbum completou 20 anos e ganhou uma edição caprichadérrima em vinil colorido, incluindo livro de 44 páginas com nova arte, textos, letras e versões instrumentais das faixas.
Em meio ao som contundente das britadeiras, abaixo das buzinas histéricas dos carros, rodeado dos gritos dos transeuntes, o silêncio se achou o máximo.
Não é fácil, mas, também, não é tão difícil. A mãe de dois não nasce tão prematura, mas, com certeza, mais preparada. E, aos poucos, ela aprende que cada filho é único e que essa mesma mãe, também, é diferente para cada um deles. Ela já conhece. E não conhece. Repete. E não repete. Segue ensinando. Segue aprendendo. Ela segue… E não segue. A mãe de dois percebe que, agora, este espaço maior é mais agitado. Tem mais sujeira. Tem mais bagunça. Tem mais correria. Ela ajeita em dobro. Ela alimenta em dobro. Ela prepara em dobro. E, ainda, trabalha, se cuida, se espia, se curte. A mãe de dois se joga, no frio, e torna mais rápido à superfície, até antes de afundar… Ela já sabe que o tempo é um amigo. E a falta – com a nada falta –, que tudo fará. A mãe de dois é, inegavelmente, mais segura e já sabe muito bem batalhar. Ela acredita: em si. E no que fica: nos seus. A mãe de dois faz do segundo, “que se cria”, mais livre, enquanto permanece, no primogênito, o fardo e a beleza da primeira experiência. É um bonito e ambivalente, um tanto antagônico, universo. E, todo sempre, se faz com o mesmo cuidado, o mesmo amor e a mesma intensidade. O mesmo tão desigual vínculo, que ela cria e transforma com cada filho, enquanto se aquece e aperta aquele espaço tão grande e tão bagunçado, por dentro de sua alma aconchegada. O fato é que a mãe de dois pode estar mais cansada, dormir menos e correr mais… Mas ela, também, está mais leve; enquanto divide a culpa, ela se encontra, finalmente, no espelho. A mãe de dois sabe brincar em três. A mãe de dois sabe cantar, trocando de miradas. E segurar em duas, quatro mãozinhas incansáveis. A mãe de dois tem um privilégio, que é só dela – veja bem –, enquanto ela se doa apenas em dobro, recebe beijinhos e abraços multiplicados. Não é fácil! Mas também não é tão difícil. A mãe de dois é sorte.
Em ondas de areia clara e escura, eu surfo. Não fujo do passado, mas passo raspando, passando a mão na areia sem me comprometer. É um afago no eu pretérito, não um colo. Minha prancha segue firme e inabalável. Até eu cair, é claro. Ah, sim, eu caio. Mas como o carinha do Pitfall, eu encontro uma nova vida, pulo a areia movediça e sigo. Porque futuro é isso: uma vida extra. Não é sequência do presente, até porque o presente já era. Futuro é horizonte. É pra lá que eu surfo. Sem enxergar bem o que tem naquela linha distante. Pode ser praia, ilha, pirata ou sereia. Quem sabe uma baleia? Só sei que não é o que ficou pra trás. Poderia ser. Não quero. Quero envelhecer rejuvenescendo. Quero me embriagar de lucidez. Montar num cavalo marinho e brincar de ser mais eu. Eu agora, não eu pretérito. Precisamos todos rejuvenescer. Surfando nas areias do tempo. Caindo. Vida extra. Rumo a uma inalcançável linha que – veja bem – fica logo ali.