Clarice Dall’Agnol

Cinema

Caminho da Liberdade

por Pedro Cunha

“Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.”

Antônio Machado, poeta sevilhano.

Peter Weir é um cineasta cuja obra compõe um conjunto bem interessante. Em 1990 foi injustiçado no Oscar, quando concorreu com “Sociedade dos Poetas Mortos” (Dead Poets Society, 1989) e perdeu o prêmio de Melhor Filme para mediano “Conduzindo Miss Daisy” (Driving Miss Daisy, Bruce Beresford, 1989) e o de Melhor Diretor para Oliver Stone com o ótimo “Platoon” (1989). Em 1998 Weir fez um dos filmes mais instigantes dos anos 90, que passou um tanto subestimado na época, na minha opinião. “O Show de Truman” (Truman Show, 1998) antecipou muitas das críticas que viriam aos reality shows e faz, principalmente nas magistrais cenas finais, uma serie fantástica de reflexões sobre livre-arbítrio e a existência humana. Além disso foi o filme que convenceu muita gente (a mim, inclusive) que Jim Carrey pode ser um excelente ator.

 

“Caminho da Liberdade” traz novamente algumas dessas questões. O roteiro é baseado numa espantosa história real: durante os anos 1940 um grupo de prisioneiros foge de um gulag soviético na Sibéria. Para escapar dos domínios soviéticos eles atravessaram a Sibéria em direção à Mongólia. Chegando lá e descobrindo que a Mongólia havia tornado-se também socialista, seguem caminhando. Atravessam o deserto de Gobi e o himalaia para pedir asilo na Índia, depois de terem marchado por fantásticos seis mil e quatrocentos quilômetros, atravessando os rigores do frio, do deserto, da montanha e da fome. Seria forçado, não fosse real.

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A parte boa do filme de Weir são os momentos em que os personagens (e nós mesmos) nos perguntamos: afinal, por que continuam? O que leva alguém a se submeter às mais duras e rigorosas condições de sobrevivência (im)possíveis? Alguns dos personagens do filme tentam responder a pergunta. O protagonista é o polonês Janusz (Jim Sturgees, o mesmo de “Across the Universe), que obstinadamente busca encontrar sua esposa para dizer para ela que não a culpa pela delação (forçada por tortura) que levou à condenação dele. Não a busca pela liberdade, mas a busca de perdoar foi o que fez Janusz liderar um grupo multietnico na travessia da Ásia. No grupo destacam-se as figuras de um criminoso comum russo, Valka (Colin Farrell) e de um enigmático norte-americano (Ed Harris, que já havia trabalhado, e bem, com Weir em “Show de Truman”). A grandiosidade da jornada é mostrada também pelo show de fotografia do filme: um festival de tomadas abertas, grandes planos mostrando a infinitude do gelo, do deserto ou da montanha em contraponto com a pequenez humana. Só essa ambientação e a fotografia já fazem do filme um daqueles que a gente pode ver no “mudo”, não fosse isso um pecado com uma trilha sonora bastante bem construída.

 

O pecado do diretor, para mim, é não aprofundar nas outras histórias do grupo. O ritmo lento do filme permitiria que se fizesse isso, mostrando um pouco do que fazia com que aqueles homens (e aquela mulher) caminhassem tão obstinadamente, sem desistir. Com a exceção do protagonista, conhecemos muito pouco daqueles personagens, o que contribui para que o envolvimento com o filme seja menor do que poderia ser. Além disso o tom da crítica política do diretor, em especial no final do filme, fica um pouco forçado demais.

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“Caminho da Liberdade” é um filme para se ver com tempo, porque é daqueles que cansa. Mas não deixa de ser uma experiência interessante.

Música

E o mundo se rende ao ukulele

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

O ukulele parece estar encontrando o seu espaço na música atual. O pequeno instrumento havaiano parece ter deixado de ser apenas um objeto cenográfico em filmes de surfe para aparecer no colo de grandes músicos.

Como tocador do instrumento, fico feliz em ver cada vez mais artistas conhecidos se rendendo à sua sonoridade delicada e divertida. Eu me apaixonei pelo som do uke (apelido carinhoso do instrumento) escutando o som da banda belga “The Ideal Husband”, sobre a qual  escrevi aqui no P2 um tempo atrás. Desde então, vi ele aparecer nas mãos de artistas como Zach Condon do Beirut, Amanda Palmer (que gravou um EP de covers do Radiohead tocadas no ukulele) e até Sir Paul McCartney, que presta uma bela homenagem a George Harrisson tocando “Something” em seus shows da turnê Up and Coming.

O mais recente caso de amor com o ukulele é o do músico Eddie Vedder. Conhecido por seu trabalho como vocalista da banda Pearl Jam, o compositor estreou sua carreira solo em 2007 com a trilha sonora do filme “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild, de Sean Penn). Hoje (31/05) o cantor está lançando o seu segundo disco solo, intitulado “Ukulele Songs”.

Com 16 faixas e 35 minutos de duração, o CD é um excelente exemplo de como a sonoridade e a simplicidade do instrumento podem resultar em belas composições. O disco inclui canções inéditas, covers e algumas músicas do Pearl Jam, como a faixa de abertura “Can’t Keep”.

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Vedder soube explorar bem o potencial do ukulele, variando a forma de tocá-lo, evitando que o álbum se tornasse repetitivo. Ora dobrando sua voz, ora o ukulele, ora os dois, o músico criou arranjos belos e simples para canções antigas, como a bela “Sleepless Nights”.

As faixas são basicamente voz e ukulele, mas o músico adiciona alguns ingredientes para dar um sabor especial a algumas músicas, como “Longing to Belong”, que é pontuada por um violoncelo, e “Light Today”, acompanhada de um tranquilo quebrar de ondas. Já na cover de “Tonight You Belong to Me”, o tempero a mais é a doce voz da cantora Cat Power, que faz um charmoso dueto com o cantor. O disco termina com Eddie Vedder sussurrando uma versão um pouco debochada do clássico “Dream a Little Dream”, lembrando a todos que, acima de tudo, ukulele é sinônimo de diversão.

Literatura

Pequeno ensaio sobre a coragem de não responder a e-mails

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Não discordo do fato de que o e-mail, ou correspondência eletrônica, tenha vindo para o bem da humanidade. Desde meados da década de 90 do século XX, no Brasil, se assiste ao boom da Era Digital, que trouxe consigo a facilidade da correspondência rápida por meio do e-mail. Eu amo o e-mail.

O que tenho percebido, porém, nos últimos dois ou três anos, com o uso a cada dia maior dos smartphones, é a paranoia coletiva que se instaurou com relação à nossa correspondência eletrônica de cada dia. Sou uma vítima desse aflitivo mal, e por isso, posso falar sobre isso com autoridade!

Você já parou para pensar quanto tempo leva de seu curto dia para responder a sua pilha gigante e virtual de cartas eletrônicas? Pode ter certeza de que a resposta incluirá sempre algo em torno de mais de trinta minutos, no mínimo. Parece pouco? Mas não é.

A vida no cyberspace cria-nos hoje este inconveniente: tudo parece urgente e para já, para logo, para aquele exato momento. O sujeito envia-lhe um e-mail, e, de regra, espera uma pronta resposta. Principalmente quando se trata de assuntos de trabalho. Por óbvio que é preciso responder a requisições de um chefe ou de um cliente importante, porém, é necessária muita cautela. Como a comunicação eletrônica é fácil, rápida e indolor, a coisa flui super naturalmente, e o sujeito mais cara-de-pau pode ser capaz de consumir um dia de trabalho inteiro sugando informações do pobre interlocutor cibernético.

Tenho ouvido vários comentários de alunos e de pessoas que comigo convivem sobre essa loucura da enxurrada de e-mails a serem respondidos todos os dias. As pobres pessoas mal conseguem trabalhar, pensando em tudo que precisam responder…
A pergunta que coloco agora, leitor, portanto, é a seguinte: essa doideira toda é realmente necessária? Ou estamos virando verdadeiros fiscais do trabalho e da vida pessoal alheia por meio dos aparatos de comunicação virtual – e aqui incluo obviamente as redes sociais, como o aclamado Facebook, que também possuem pelo menos maneiras de comunicação quase instantânea: a Wall, o “muro” onde todo mundo publica suas opiniões, conversas e divulga e compartilha o seu estado de espírito no momento; as mensagens, que são espécies de e-mails dentro do Facebook, e o chat, instrumento de comunicação em tempo real. Mas o Facebook é um capítulo à parte, com história que pretendo contar em outra crônica.

Voltando aos e-mails, dia desses, conversando com meu marido, ouvi dele uma sábia assertiva (como de regra o são todas as assertivas dele): há e-mails que não precisam ser respondidos. Como? I’m sorry, what, baby? Sim, há e-mails que servem apenas para informar o destinatário de algo, ou servem para contar-lhe uma história ou um fato ocorrido. Ou seja, de acordo com a teoria dele, somente e-mails que contêm perguntas ou solicitações necessitariam de respostas. Isso mesmo. É simplérrimo, mas não é genial?

Desde aquele dia, eu passei a fazer uma rigorosa seleção entre as cartas eletrônicas que recebo, para ver as que efetivamente precisam de resposta. Se a pessoa apenas me responde algo, sem perguntar coisa alguma que necessite de resposta, eu simplesmente leio, e sigo minha vida. Porém, claro, há as exceções. Há pessoas que contam histórias super interessantes, que, mesmo sem conter pergunta alguma, merecem um comentário! Óbvio que seu critério vai ser puramente subjetivo, mas, e quem se importa?

Acredite, leitor, a metodologia funciona, e muito bem! Eu estou economizando um tempo precioso e estou super tranquila com minha decisão. Sem culpas e sem constrangimentos: experimente, vale a pena. Use esse tempo economizado em respostas inúteis em coisas úteis: leia um livro, passeie com seu cachorro, brinque com seus filhos, saia para almoçar com seus amigos, tome um café com sua mãe, vá ao cinema com seu marido, enfim, aproveite a vida, companheiro!

Literatura

Eu, eu, eu (Um poema sobre Eu)

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Só penso em Eu.
Quando acordo: Eu. Quando durmo: Eu também.
Ao longo do dia, sinto o mundo a se curvar.
Quando subo num banco, é Eu num altar.

Quando penso em nós, só dá Eu.
É melhor para os dois o que é bom para Eu.
O que é meu é propriedade intocável de Eu.
E o que é seu também deveria ser.

Quando Eu deseja silêncio, o universo deve se calar.
Porém se o barulho provém de Eu, ai de quem reclamar.
Eu é grande, Eu é pai. Eu é a salvação!
Eu salva. Mas salva quem? Salva Eu. E mais ninguém.

Ninguém me dá ordens, só respondo a Eu.
Eu é meu pastor e nada me faltará.
Tem gente que acredita em outros.
Mas, para mim, só há um.
Este Único. Ego Urgente.
Esfinge Utópica.
Eu, eu, EU!

EntendeU?

Literatura

Naquele dia de verão – Parte 2

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imagem: Cassiano Rodka

por Marcella Marx

Sim, o porteiro estava certo quando nos disse que era impossível sair.
Olhei para fora e vi um rio, por onde desciam livremente, armários embutidos, calotas, placas de carro, sacos enormes de lixo e tudo o mais que se pode imaginar. Entrei em pânico, não queria olhar na direção do meu carro, atrasava o inevitável. Até que minha aluna irrompeu sem dó: “Meu Deus! Olha o seu carro!”
Aí, meus olhos afundaram naquela cena: meu carrinho atravessado na rua e boiando. Todo o lixo do mundo parecia descer e bater nele, sem dó. Tive que me segurar para não jogar as sandálias e sair remando para socorrê-lo. Fui impedida pela fala reconfortante do porteiro: “Nossa… mas aqui sempre alaga, você não sabia?” e ainda disse mais: “Se eu soubesse que o carro era seu, teria ido avisar!” Nesses momentos, as pessoas que soltam o “SE” deviam pensar que correm risco de vida. Afinal, de que adianta um comentário como esse? Estava me devorando por dentro, mas quem me visse devia achar que, em vez de um, eu tinha uns cinco carros na garagem, tamanho era o meu auto controle e ar blasé.
– Alô, amor, oi tudo bem? Nosso carro tá boiando!
– Cê tá brincando…
– Não, não tô não.
– Mas… como assim boiando?
– Boiando boiando, assim mesmo.
– Onde tá a água?
– No capô e subindo.
Olhei para meus pés e minha sandalinha nova também estava embaixo d’água.
A chuva foi cessando, começou a garoar. Odeio garoa, acho sem personalidade, insossa. Ao menos que venha com o ressurgir do sol e o grand finale: um belo arco-íris. Essa, apenas marcou o início da noite, num dia de verão. A água escorreu, voltou pra dentro do solo, dos bueiros, córregos, rios e mar.
A rua foi inundada por pessoas que num grande mutirão recolhiam todo aquele lixo. Um pequeno exército de desconhecidos em movimento automático, como se já estivessem acostumados e preparados para aquela função pós chuva.
Em pouco tempo, só alguns poucos se lembrariam para sempre daquele dia de temporal!

Cinema

Por Asgard! Thor (Kenneth Branagh, 2011)

por Pedro Cunha

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Aquele que erguer o martelo, se for digno, receberá o poder de Thor

Quando os Estúdios Marvel anunciaram Kenneth Branagh como diretor de “Thor” eu me inclui entre os muitos que acharam a escolha acertada, porém inusual. Branagh se tornou célebre como diretor de adaptações de Shakespeare para o cinema, como “Henrique V” (Henry V, 1989), Muito Barulho Por Nada (Much Ado About Nothing, 1993) ou Hamlet (1995). Além dos filmes shakesperianos Branagh também se notabilizou por uma série de filmes “sérios”, digamos assim. Eu ainda acho “Voltar a Morrer” (Dead Again, 1991) o melhor trabalho do diretor. Nada melhor, diziam muitos, do que um diretor de clássicos shakesperianos para fazer um filme sobre mitologia nórdica. A grande questão que me incomodava era outra, porém: “Thor” seria um filme sobre mitologia nórdica ou um filme sobre quadrinhos? E sendo um filme sobre quadrinhos, conectado, conforme já sabíamos, com as franquias do Homem de Ferro e do Hulk, será que Branagh ia: 1) entender isso? E 2) dar conta do recado?

Tendo finalmente visto o filme, posso responder as perguntas. A primeira eu respondo com um categórico “sim”, ele entendeu isso. “Thor” funciona em harmonia com os dois “Homens de Ferro” e com o segundo “Hulk”, os filmes dos Estúdios Marvel. Já a segunda pergunta… bom, não tenho tanta certeza assim.

O roteiro de “Thor” é a clássica história de redenção: um deus, um príncipe arrogante prestes a se tornar rei. Banido do seu reino e desprovido de poder em função da ira de seu pai e de tramoias ardilosas do irmão invejoso ele parte numa jornada de purgação onde deve mostrar-se novamente digno de usar seu título, suas armas e suas insígnias. Jogado na Terra, onde vai passar pelo seu “Caminho de Santiago”, Thor conhece pessoas, faz amigos e começa a entender a vida dos mortais, inclusive construindo uma relação com a pesquisadora Jane Foster. Simples, você diria. Pois é, eu concordo. Quase um clichê. Com algumas coisas funcionando melhor e outras pior…

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Thor tenta resgatar o martelo Mjolnir no início do filme: ainda não, filhinho. Tem mais duas horas de filme antes disso… 

Falando, primeiro, do que eu acho que funcionou: Os atores principais. Anthony Hopkins provou ser uma escolha acertadíssima para Odin, o Pai de Todos. Aliás fazia tempo que eu não via o Hopkins tão bem em um papel. Ele me lembrou Marlon Brando em “Superman – O Filme” (Superman, Richard Donner, 1978). Tom Hiddleston, um ator de 30 anos sem muitos filmes no currículo foi uma aposta feliz de Branagh para viver Loki, o Deus da Trapaça e o irmão invejoso de Thor. Disse o ator que buscou muita inspiração na trama de Hamleth, um escandinavo e shakesperiano ponto de encontro entre a história de Thor e os filmes do diretor. Mas mesmo que esses dois coadjuvantes fossem bem, nada funcionaria se Thor não convencesse. E Chris Hemsworth, o Capitão Kirk da nova série Star Trek (Star Trek, JJ Abrams, 2009), convence como Thor. Além de ter o “physique du rôle” Hemsworth pegou a essência do personagem. Ainda temos Renée Russo, uma atriz da qual eu gosto muito (Máquina Mortífera 3 e 4, Be Cool – O Nome do Jogo), que infelizmente teve seu papel de Frigga (esposa de Odin e mãe de Thor) bastante secundarizado no filme. E ainda tem a Jane Foster de Natalie Portman. Quer dizer, né. Depois de “Cisne Negro” (Black Swan, Darren Aronofsky, 2010) cada vez que eu enxergar a Portman na minha frente vou esperar uma atuação naquele nível. Mas em Thor… bom, nas palavras dela própria, ela fez o filme para desestressar, para desanuviar a cabeça. E é bem a impressão que passa. Seu desempenho não compromete, mas não é nada extraordinário.

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Hemsworth, Hopkins e Hiddlestrom estão bem no filme. Mas o tapa-olho podia ser menos photoshop, não?

Ainda na linha das coisas que eu gostei no filme: as alusões aos quadrinhos. Certas coisas que passam batidas para quem não acompanha as HQ’s estão lá só para homenagear esses fãs, como a Manopla do Infinito que aparece em Asgard no início do filme e a participação de Clint Barton, o Gavião Arqueiro, em determinado momento (com um visual bem ultimate, diga-se de passagem. Quem lê os quadrinhos entende o que eu quero dizer). Gostei também dos Três Guerreiros, Fandral (Josh Dallas), Hogun (Tadanobu Asamu) e Volstagg (Ray Stevenson). Heidmall, o guardião da ponte do arco-íris, talvez seja o meu personagem preferido do filme. O fato de terem escolhido um ator negro (Idris Elba) para interpretá-lo (assim como um asiático para fazer Hogun) foi uma ousadia interessante do diretor, e teve resultados bem legais.

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Hogun, Fandral e Volstagg: os Três Guerreiros em sua versão de cinema e…


… na versão em quadrinhos. 

Mudando um pouco de assunto, vamos agora falar um pouco daquilo que eu não achei tão legal assim. A começar, as caracterizações visuais de Asgard e dos asgardianos. Tudo bem que Asgard é conhecida como a “Cidade Dourada”, mas precisava ser tão… brega? Achei que a charada da representação de guerreiros medievais tinha sido morta por Peter Jackson na trilogia “O Senhor dos Anéis”, com aquele visual meio “sujo” e irregular… mas Branagh optou por um visual “Cavaleiros do Zodíaco”. Com exceção do próprio Thor, parece tudo um grande desfile de Carnaval…

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Sala do trono de Asgard. Mas bem que alguém podia gritar “Mê dê sua força Pégasooooooo…” 

Além disso, o roteiro anda rápido demais. É o mesmo problema que eu senti em “Homem de Ferro 2” (Iron Man 2, Jon Favreau, 2010). Thor desce à Terra para uma jornada de redenção, em busca de voltar a “ser digno”. E essa jornada dura… três dias! Parece tudo muito raso, simples e pueril. Para o meu gosto, videoclipe demais e filme de menos. Mas enfim, tem muito fã que está gostando bastante, pelo que tenho lido na net. Falando em fãs, o que a maioria não gostou (e eu me incluo aí) foi da luta do Thor com o Destruidor. A reclamação principal é que foi muito fácil derrotar o monstro/guardião asgardiano. E de fato, nos quadrinhos o Destruidor é bem mais difícil de ser parado do que foi no filme.

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Thor encara o Destruidor: nem destruiu tanto assim… 

Thor funciona perfeitamente como filme de diversão, apesar de ser mais raso do que “Homem de Ferro 1” e “O Incrível Hulk”. Tem muito mais o tom de “Homem de Ferro 2”, o que eu acho bem uma pena, mas enfim. Nos deixa com um time respeitável de Vingadores para o filme de 2012: temos o Homem de Ferro (Homem de Ferro 1 e 2), o Hulk (O Incrível Hulk), o Máquina de Combate (Homem de Ferro 2), a Viúva Negra (Homem de Ferro 2), Thor (Thor) e o Gavião Arqueiro (Thor). Além desses ainda chega o Capitão América, provável líder da equipe, e a supervisão dos agentes Coulson (o ex-marido da Old Christine) e Nick Fury (Samuel L. Jackson). Confesso que tenho muito medo de “Vingadores” (previsto para 2012) ser uma bomba. Mas, quem viver verá…

PS 1: Não assista “Thor” em 3D. É completamente dispensável.

PS2: Se quiser saber mais sobre filmes de heróis e dos Estúdios Marvel, tem aqui, ó: http://paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=35

PS3: Dia cinco de maio agora fez um ano que eu estou publicando textos aqui no PáginaDois! Gostaria de agradecer, novamente, ao Rodka, à Clarice e a todo mundo que faz parte da turma. É ótimo estar com vocês!

Música

O toque singular de Marcelo Camelo

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por Cassiano Rodka

Com seu segundo álbum, “Toque Dela”, Marcelo Camelo deixa claro que criou um estilo só seu. Desde a marchinha jazzística de “A Noite”, que inicia o disco, dá para perceber que já existe uma sonoridade que é muito característica do compositor. Não é só MPB ou rock ou jazz. É um pouco de tudo isso em uma mistura que equilibra perfeitamente o experimental com o melódico. Nas letras, o cantor parece se preocupar mais com o som das palavras do que com o seu sentido, deixando que o ouvinte se encarregue de interpretar as canções dentro de sua própria compreensão. Se em “Sou”, seu primeiro disco, Marcelo versava sobre a solidão, em “Toque Dela”, ele parece ter encontrado o seu par. Provavelmente resultado do namoro com Mallu Magalhães, que aparece mais uma vez fazendo participação especial ao microfone. Dessa vez, mais de canto, ela empresta sua voz para o coro de “Vermelho”. Todas as faixas do álbum estão disponíveis para serem escutadas no VEVO do cantor. Vale conferir! E logo logo tem show em Porto Alegre (12/05) e São Paulo (26/05). Não percam!

Abaixo, separei quatro das minhas preferidas.

Literatura

Estilhaços

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Confere a tua força
Ninguém mandou pensarem
que eras perfeito.
Não valem os sons
Não valem as lutas
Passa longe das noites cruas.
De todas as dúvidas
a nossa ainda reina –
absoluta.
Não te procures no vento,
que é do tempo parente.
Resume-te, apenas.
Se te permites as lembranças,
o mergulho é sem volta.
A escolha é só tua:
sempre se pode permanecer
no escuro.
Da luz, não esperes nada.
Tudo o que se acalma termina?