Conhecido por trabalhar com artistas como Caetano Veloso, Los Hermanos, Adriana Calcanhotto e o projeto +2, Kassin lançou recentemente “Sonhando Devagar”, primeiro disco que leva apenas o nome do músico na capa.
Bem diferente do eletrônico experimental de “Free U.S.A.”, primeiro disco solo de Kassin (lançado sob a alcunha de Artificial e cujo show tive o prazer de trazer para Porto Alegre em 2006), este novo trabalho traz uma sonoridade bem brasileira. As canções foram inspiradas em sonhos do músico e foram gravadas em grande parte ao vivo, para dar um ar espontâneo às faixas.
Nas 10 músicas que compõem o disco, Alexandre Kassin deixa claro por que razão ele tornou-se um dos produtores mais requisitados no Brasil. Kassin tem um jeito muito próprio de criar suas canções, misturando diversas referências bem brasileiras com sonoridades contemporâneas. O resultado é uma MPB atual e divertida, onde Tom Jobim toca lado a lado com o Ween.
As letras são despretensiosas e sempre bem humoradas. Situações cotidianas viram música, como é o caso da ligação telefônica frustrada de “Fora de Área” e a impagável “Calça de Ginástica”, que é a “Garota de Ipanema” dos anos 2000 e muito provavelmente a música do ano.
“Nosce te ipsum.”
Inscrição em latim localizada no templo de Apolo em Delfos
Cabe a mim dar possibilidades para que sejas capaz de criar tuas forças e quebrar os muros que impeçam sua passagem e sua visão.
Cabe a ti reconstruir tua própria porta ou janela em meio à destruição, e saber que aquela vista é a sua imagem, e aquela passagem leva ao conhecimento sobre ti.
E seguimos nesta maravilhosa viagem gastronômica por New York City, e a delícia da vez é chinese food! Se eu falo em comida chinesa e você automaticamente pensa em algum dos delivery restaurants gordurentos que existem nas cidades brasileiras, sinto muito, leitor, mas você nunca provou a verdadeira comida chinesa! A cozinha chinesa vem evoluindo ao longo dos 5000 anos de história do país, tendo suas técnicas de preparação atingido padrões altíssimos de qualidade, o que a vem colocando em uma posição importantíssima na cultura chinesa ao longo da História, sendo considerado hoje como Arte e Ciência.
Me apaixonei pela real culinária chinesa em outra cidade que amo, Londres. Fomos a um restaurante fantástico que se chama YAUATCHA, que, por coincidência, fica no Soho londrino . Foi ali que descobri os dumplings e os dim sums. Mas as gostosuras de Londres ficam para outra série de crônicas gastronômicas.
Aqui eu vou falar do MR CHOW. Localizado em um dos melhores pontos de TriBeCa, no n. 121 da Hudson Street, o moderno restaurante chinês abriu sua primeira casa em 1968, em Londres (outra interessante coincidência!). A matriz novaiorquina só surgiu dez anos depois, na 57 Street. A filial de TriBeCa, na qual estivemos, abriu suas portas em 2006. Com filiais também em Beverly Hills, Miami e Las Vegas, o MR CHOW encanta desde a entrada.
Pode-se escolher entre as mesinhas na beira da calçada ou as do salão de jantar propriamente dito. Nós ficamos dentro, porque era o início do verão, e somos loucos por um ar-condicionado; mas os locals lotaram logo as mesas externas. Em um salão aconchegante, com pé-direito alto e todo em tons de preto, branco e prata, de cara você se sente super bem recebido, e pressente que o que está por vir será maravilhoso!
Nota interessante: a seleção musical era perfeita, ao menos para o meu gosto: só rock bom e das antigas, Elvis, Beatles, Clapton, Creedence, Stones.
Um garçom simpaticíssimo veio nos oferecer um drink, e sem pestanejar escolhemos algo com a velha e boa lichia: mais uma vez a fruta se fazendo presente em um restaurante oriental (lembram da última crônica, a do thai restaurant, quando cheguei equilibrada e saí bem desequilibrada nos meus sapatos Louboutin? Lychee drinks to be blamed…!). O garçom então nos deu uma verdadeira aula sobre os vários pratos ali servidos. Nos falou com carinho sobre os tipos de dumplings (espécies de trouxinhas de massa fina e crocante, com recheios diversos) e também sobre as opções de noodles, o macarrão chinês, que em nada se assemelha aos “grudes” que vêm nas caixinhas de papelão dos deliveries.
Escolhemos muita comida. Mas quando digo muita, é MUITA mesmo! Meu marido sempre se impressiona com o quanto sou capaz de ingerir em uma só refeição: ninguém acredita, ao me ver, que como tanto quanto (ou mais) que um homem…! O garçom nos sugeriu muita coisa boa, e escolhemos só iguarias. Como entrada, pedimos os water dumplings, feitos com carne bovina, e os MR CHOW noodles, que é a marca registrada deles. Os dumplings estavam perfeitos, crocantes na medida, com recheio impecável. Os noodles, que levam o nome da casa, eram um show à parte: um molho doce e escuro que constrastava com o salgadinho do macarrão, uma combinação para comer chorando…de felicidade! Como prato principal, pedimos os green prawns, os camarões com verde e delicioso de ervas que os chineses adoram. Um must! O melhor, porém, estava por vir: o fabuloso crispy duck com molho escuro, um negócio do outro mundo…! Super crocante mesmo, ou seja, a camadinha de gordura do pato toda ali, porém, tão tostada, que nem se percebe que se está a comê-la, perfeito, muito menos culpa, montes de sabor, e garantia de êxtase! Precisa ser melhor?
Para sobremesa, infelizmente não houve lugar, mais uma vez… Havia espaço, porém, para o restaurante do dia seguinte, que você conhecerá na próxima crônica de dar água na boca… Wait and see!
If the road ahead seems too dark
and the shadows of your memories
might not allow you to see any presence of light
soon enough…
Listen, smell, touch and taste
and keep always moving forth
Sim, leitores, I did it again: fui para New York City! Já perdi a conta de quantas vezes estive na Big Apple, e toda vez que ponho os meus pezinhos ítalo-brasileiros naquela terra, Oh, my Gosh… It’s pure fun!
Ano passado eu contei a vocês das delícias e excentricidades do SoHo e adjacências. Dessa última vez, fiquei hospedada mais uma vez no boêmio e modernoso bairro, e foi de novo uma experiência única. Assim é comigo em NYC: a cada vez, parece que estou visitando uma nova cidade. Tudo me encanta e me diverte, como se eu estive sentindo tudo pela primeira vez, vendo tudo com olhinhos de criança.
Não sei se já comentei isso com vocês, mas um dos meus maiores prazeres na vida é comer bem. E beber bem. Não consigo dizer qual dos dois me satisfaz mais. Para mim, pelo menos 50% do sucesso de uma viagem baseia-se em boas escolhas de restaurantes. Aprendi a preparar minhas viagens fazendo profundas pesquisas sobre bons lugares para comer, mas aprendi também que optar pelo inusitado também vale muito a pena. Hotéis de qualidade, por exemplo, de regra irão indicar excelentes lugares para comer. Foi o que aconteceu comigo (e com meu marido, companheirão de viagem há séculos) desta vez em NYC.
O The Mercer, nosso hotel favorito em NY, localizado no coração do SoHo, na Mercer com a Prince, só nos deu dicas boas: lugares badalados, modernos, cheios de gente bonita e trendy, com comidas e bebidas deliciosos. E, algo bem importante, para mim: frequentados pelos locals, ou seja, as pessoas que moram em NYC. Eu tenho pavor de restaurantes e lugares lotados de turistas: se alguém quiser me ver de mau-humor em uma viagem, me larga no meio do Times Square, do Champs Elisées ou da Fontana di Trevi…!
Foi em razão desse meu amor pela comida que decidi falar disso dessa vez: restaurantes de NYC, according to Clarice Casado! Fiz uma divisão para fins “gastronômico-didáticos”, entre orientais e ocidentais, e nesta crônica, inicio pelo Oriente. And here we go!
Queríamos muito comer em um thai de NY. Adoramos esse tipo de comida, e, por incrível que pareça, nosso restaurante thai favorito no Brasil não fica em São Paulo, mas em Porto Alegre, o Koo Pee Pee. Pois bem, fui pedir uma indicação de thai restaurant para o nosso jantar à uma das simpáticas meninas da recepção do Mercer, a Vilmarie, que nos conhece há um tempão. Veio ela, com sua voz de veludo, me falar no KITTICHAI. Pertinho do hotel, na Thompson Street, “walking distance”, afirmou ela. E lá fomos, eu me equilibrando corajosa nos meus sapatos Louboutin, me sentindo uma personagem de Sex and the City, mas com marido!
O KITTICHAI agrada desde a entrada, porque é um lugarzinho à meia-luz super aconchegante, que fica dentro do hotel boutique 60 Thompson. A decoração tem a cara do Oriente, e as mesas são super próximas, lembrando um bistrô francês, mas nem isso nos tirou a felicidade lá dentro. Os garçons, muito atenciosos, todos com jeito de que nasceram e se criaram no SoHo, fazem de tudo para fazer com que você se sinta na sala da casa da sua avó tailandesa.
Escolhemos um drink com vodca, lychee (lichia) e lemongrass (capim-limão) que era de enlouquecer de tão bom. A lichia é muito usada na culinária oriental, pelo que tenho notado. Começamos a observar o que o resto do pessoal estava comendo, para ver o que tinha mais saída: os locals por certo deveriam saber o que era mais gostoso por ali. Como entrada pedimos as baby back ribs with Mekhong whiskey barbeque sauce (costeletas de porco com molho picante de whiskey). Umas costelinhas perfeitas, macias e spicy na medida certa. Nota dez! Os pratos principais seguiram na mesma linha de perfeição. Meu marido pediu shrimp with sweet pepper (camarão ao molho de pimenta doce), que tinha uma aparência linda e um sabor melhor ainda. Eu escolhi uma coisa divina: scallops with coconut (vieiras ao molho de leite de côco), uma mistura fabulosa…! Sou grande fã de vieiras, acho que é um dos frutos do mar mais delicados e de sabor peculiar. Tudo isso regado ao tal drink, do qual infelizmente não tomei nota do nome. Íamos pedir uma champagne, bebida que acho que casa perfeitamente com comida oriental, mas a bebidinha de lichia e capim-limão caiu tão bem com o toque spicy da thai food, que seguimos nele até o final.
Sobremesa, infelizmente não encontrou espaço. E voltamos caminhando de volta ao hotel, felizes e satisfeitos, eu já não mais tão equilibrada nos Louboutins – mas estávamos em NYC, afinal, cidade onde ninguém se importa com o que o outro está usando, fazendo, comendo ou bebendo!
E tem mais delícias gastronômicas novaiorquinas na próxima crônica, aguardem!
João,
Estou mesmo ansioso por saborear teu poema e relembrar as belas tardes em sua companhia. Queria mais uma vez me desculpar por ter levado meu charuto na viagem, sei que não gostas… mas foi mais forte do que eu. Tu bem sabes que um bom vinho leva-me fatalmente a um bom charuto cubano, de minha reserva especial.
Finalmente segui teu conselho e pedi uma extensão do prazo ao meu editor. Estou impacientemente esperando sua resposta, só assim conseguirei dedicar-me com mais calma à Ana. Há algumas semanas que ela andava ausente em meus pensamentos e visões, parece porém que durou pouco minha bonança. Ana retornou de suas andanças ao meu inconsciente ontem, e, sem ser convidada, já ziguezagueia pela casa usando aquela camisola azul rendada que em muito lembra a de mamãe. Mas, o que estou aqui a delirar…?
Meu velho amigo, obrigado por ouvir meus devaneios.
No mais vou bem e disposto!
Nos encontramos…
Vinícius
Eu não consigo lembrar o que eu fazia nos momentos em que não havia nada a fazer antes de começar a usar o Facebook. Radical, né? Super. Eu não estou falando das clássicas “horas vagas”, não. Nas horas livres, eu ainda passeio e brinco com os meus filhos, faço ginástica, leio um bom livro, vou a restaurantes com o meu marido e com as minhas amigas. Eu estou falando daquelas horas chatinhas em que você tenta, mas realmente não encontra nadinha pra fazer: parada no trânsito, esperando o filho de pé na porta da escola, dentro do elevador lotado que pára em seis andares… Esse tipo de coisinha, sacou?
Pois é, esta crônica vai então para os meus amigos do Facebook, e para todo mundo que aderiu a esse louco vício que é o Face. O FB não escolhe idade, e nem classe social. Não analisa religião, posicionamento político ou orientação sexual. O FB, mesmo com toda essa liberdade, é respeitoso pra caramba. Se há algum tipo de abuso ou desrespeito, podem eles ser reportados à central ou algo assim. Nunca vi abuso algum, ao menos até agora.
O Face, ao contrário do que se pensa, não é apenas mais um brinquedinho cibernético para desocupados. Nada disso. Conheço muita gente ocupada que utiliza o FB regularmente, e nem por isso deixa de trabalhar ou estudar. Afinal, hoje em dia muita gente tem um smartphone ou um tablet ou um laptop. Ou seja, pode-se acessar o FB de qualquer lugar. Qualquer lugar mesmo. E é por isso que ele é a rede social mais popular do mundo: é dinâmica, é constante, gira, como a vida.
O Facebook aproxima quem está distante (e nem precisa ser em cidades diferentes), provê diversão por meio de seus joguinhos, conta histórias e piadas, informa, divulga arte, cinema, entretenimento, curiosidades, reportagens, música, ideias, tudo. Impressiono-me toda vez que ouço alguém falar mal do Facebook: não admito! Quem dá contra é porque não conhece. Há medida para tudo. O FB é apenas mais um tipo de atividade cibernética, da melhor qualidade. E os posts do pessoal no FB são, para mim, como “suspirinhos em voz alta”. E ponto final.
E isso porque ainda nem falei dos “tipos facebuquianos”, grande tema, mas isso fica para a próxima crônica, amigos…!
Enquanto isso, curtam, curtam, like, like and like…!
Sua impossibilidade de fazer música o trouxe a possibilidade de fazer poesia. Defini-se como um escritor de linguagem e do inconsciente. E enquanto fala vai se revelando. Constrói seus escritos por meio de sua impaciência, insanidade e diz: “Quero levantar o tapete e dar luz a tudo que estava nas trevas”. Ele quer ser o louco, o anti burocrático. E ele fecha os olhos por alguns instantes. A tensão entre o Eu e o mundo o fascina, e afirma que é somente nessa tensão que as coisas avançam. Ele pretende expor os dramas humanos e coloca seu próprio Eu nessa luta. E ele parece morder algo incessantemente. Seus olhos sempre meio fechados nos mostram o que diz: “Expressar a dificuldade de expressão e assumir seu espanto diante da vida.” Sim, concordo com ele. Ele diz ser ansioso; uma sintaxe que não acaba mais, e talvez essa característica o faça ter interesse pelas coisas miúdas, aquelas que apenas passam, dia após dia. E ele arruma os óculos grandes, redondos e marrons. Ele retorna à questão do Eu, inflamado, e assume, quase que para meu próprio conforto: “Todos os livros tratam de um mesmo assunto”. E ele cruza as pernas pela décima vez. Nesse momento, começa a ler um de seus textos e incorpora a personagem com tal intensidade que é difícil permanecer na sala. Aquele homem de voz afônica, rouca, pequena, minúscula. Uma voz das entranhas em forma de lamento, chorada. E ele fecha os olhos miúdos e e fica longos períodos em silêncio, como se estivesse mergulhando cada vez mais naquele imaginário. Gosta de Clarice, Nelson Rodrigues, Bolaño: “se o poeta se mistura, o leitor terá que misturar-se”.
E termina: “Eu não escolhi ser o escritor que sou… são contingências”.
“- Mamãe, você pede para o vovô levar uma rosa cor-de-rosa para a bisa?
– Claro que peço.
– E como é que ela vai saber que fui eu quem mandei?
– Ela vai saber.”
As flores deixadas para os mortos em seus túmulos sempre foram para mim um grande mistério. Isso me intriga desde pequenininha.
O diálogo que transcrevi logo acima foi travado entre mim e minha filha Angelina, de cinco anos, há pouco menos de um mês. A “bisa” de quem ela fala é a minha avó, Zenyra, que perdemos há quase um ano, em 21 de julho de 2010.
Angelina queria mandar uma flor para a bisa, o que é perfeitamente normal, levando-se em conta que adorava a minha avó. O problema foi saber o que responder quando ela me perguntou como a bisa saberia que foi ela quem mandou a flor. Levar flores para os mortos é um hábito comum na cultura ocidental. É uma homenagem aos que se foram. O porquê das flores? Não saberia dizer. E não estou querendo pesquisar no Google agora, não. É tarde. Mas desde pequena eu ficava pensando, “Como é que os mortos vão saber que seus entes queridos estão lhe levando flores, se eles estão mortos? Se estão embaixo da terra, dentro de um caixão?”. Claro que sempre havia a hipótese, na minha cabecinha infantil, de os mortos estarem vendo aquele gesto bonito lá do Céu. Será que eu de fato acreditava no Céu? Não sei. E até hoje não sei se existe algo depois daqui. Ninguém sabe, afinal.
Mas eu precisava muito escrever hoje isto, porque há exatamente um ano, minha avó estava doente e já desenganada no hospital, e aquele foi o período mais sofrido para mim, até hoje. Fiquei cara a cara com a iminência da morte pela primeira vez em minha vida adulta, e a sensação não foi nada boa. Aqueles dias que antecederam a morte de minha avó foram extremamente angustiantes e geraram em mim momentos de lembranças, questionamentos e resoluções sobre a vida, de um jeito tal, que depois de tudo passado, nunca mais fui a mesma.
Quando a morte veio, soberana e ditatorial, anunciando-se, toda metida a besta, por meio de um telefonema, eu tive a certeza de que minha vida tinha mudado para sempre. Nos dias que se seguiram, um turbilhão de sentimentos invadiu-me de maneira violenta, sacudindo-me no âmago, naqueles cantinhos do ser que não gostamos muito de limpar e nem de revolver. Quando dei por mim novamente, eu era uma outra Clarice, uma outra mulher: eu era uma mulher que minha avó gostaria por certo de ter conhecido, ela que foi sempre tão serena de si e de suas decisões. Eu era alguém tocada pelo dedo tolo e pelo sopro desaforado da morte: eu era alguém mais forte e decidida. Depois disso, só me restava seguir a viver, mais intensamente do que nunca, com a certeza de que qualquer preocupação à toa seria um simples desatino. O hoje é sempre o que importa, e o amanhã é apenas um mero detalhe.