Pegou a mão dele. Sentiu que era tão fácil. Estar ali, estar com ele, estar bem. Destino? Nah, nada tão premeditado. Era a magia do acaso mesmo, que costura um coração do Norte a um do Sul. Ultrapassa fronteiras imaginárias e une cordões reais. Amarra dois em um. Mas com a corda solta, com o riso solto, pensamento solto. Um nó mal feito com muito carinho. O braço dele ao redor do outro parecia um laço. Embrulhados para o presente. Enlaçados nos cobertores, sonhavam. Nós se desfazem. Nós, não.
A gente deita. Pra dormir Pra descansar Pra acalmar Pra respirar Pra nascer Pra fazer nascer Pra acordar Pra remediar Pra pirar Pra chorar Pra cuidar Pra amar Pra gozar Pra dançar Pra pular Pra viver Pra morrer
Eu me dei a chance de me olhar no espelho, sem me apontar o dedo a procura de defeitos mergulhei fundo por dentro, senti medo desci até meus mais recônditos escombros, e ali, onde tudo é feio imperfeito, indefeso encarei, eu, aquela eu, tão eu muito mais eu, sou essa, verdadeira mentirosa
Não é o meu tipo. Não cabe na minha vida. Não tem meu número, e eu não ando descalço. Não tem na cor que eu queria. Até tem, mas acabou. Não tá no mesmo nível. Não tá no mesmo tom, e não sou eu o desafinado. Não foi o que a gente combinou. Não dá pro meu bolso. Não tá pro teu bico. Não é o meu dia. Não é da tua conta. Não é do meu feitio, mas…
Sem vida. Seco. Na pele. Desejo. Incita. Imenso. Mergulho. Imerso. Em medo. Arranha. Mergulha. Procura. Descasca a pele, na vida, que teme. E morre. De sede.
dá início ao álbum em clima de festa, com uma batida disco e metais a la Express Yourself, da Madonna. É um convite a entrar na Harry’s House e explorar os cômodos.
Late Night Talking
é a primeira de muitas dedicada à namorada, de quem ele estava distante durante a pandemia. Este álbum foi criado durante o isolamento, então ele fala muito sobre saudade e sobre relacionamentos interpessoais. A distância das pessoas fez ele ter muito claro em sua mente de quem ele realmente sentia falta.
Grapejuice
é uma carta de amor a uma boa garrafa de vinho. Especialmente uma que ajuda a esquecer alguém. Eu só fui curtir a música depois de ler a letra. Baita!
As It Was
começa com um áudio do sobrinho do Harry. Como seu tio não atendia o telefone nunca, o gurizinho deixou uma mensagem: “Pô, Harry, a gente quer te dar boa noite”. A música é filha do a-ha e a letra fala sobre uma deprêzinha por um relacionamento que não é mais como era antes.
Daylight
se comunica diretamente com Late Night Talking. Se naquela faixa, ele conta que passa horas aa fio conversando ao telefone com a namorada, aqui ele se irrita com a chegada da luz do sol, que é um anúncio de que a noite de conversas com sua namorada chegou ao fim.
Little Freak
é um folkzinho pop, aparentemente sobre deixar o ciúme de lado e focar no amor que se tem pela pessoa amada.
Matilda
é uma conversa imaginária que Harry teria com a personagem homônima dos livros de Roald Dahl, que ficou conhecida pela sua versão cinematográfica nos anos 90. A personagem é maltrada pela família e o cantor aproveita a deixa para mandar o recado: família mesmo é a que nos aceita, escolha a dedo a sua.
Cinema
foi feita para a sua namorada, Olivia Wilde, que é cineasta. Uma faixa daquelas para apimentar o clima no quarto.
Daydreaming
tem um clima soul brasileiro dos anos 70, acho que o Harry escutou uns discos antigos do Jorge Ben antes de compor essa música. Mas provavelmente é por conta do sample de “Ain’t We Funkin’ Now” do Brothers Johnson. Quem faz o solo de guitarra aqui é John Mayer.
Keep Driving
… sabe quando um álbum tem 13 músicas e podia ter 12? Pois é.
Satellite
começa como uma baladinha de boas e depois pega no tranco e vira uma música agitada bem gostosinha com um refrão bom de cantar, e, na finaleira, quebra tudo!
Boyfriends
é sobre a irmã dele, que tem aquele péssimo hábito de namorar com gente mala. Mas ele já disse que acaba sendo um pouco sobre ele, e sobre mim, e sobre vocês também. Quem nunca?
Love of My Life
fecha o álbum com uma declaração de amor nua e crua. Mas não é para uma pessoa, mas sim, para um lugar: a Inglaterra, onde Harry nasceu e deixou para morar nos EUA.
escondida, ninguém pode saber, disseram, guarde-a, em segredo, faça de tudo, se remediar, for preciso, basta prescrever, alguma droga que apague a centelha que, por vezes, ainda, reluta em brilhar no olhar e na fala, quando livre você é, mas louco todos dirão, uniformes enquanto, você, diferente, não pode ser você.
Cabô a brincadeira. Cê bancou a cabra-cega, mas agora sossega que o perigo já passou. Passou de mal a pior. Cê quis brincar com fogo e queimou a própria casa. Que descaso, meu amigo. Só olha pro umbigo e acha que é nação. Perdeu o sentido num discurso sem noção. Intenção de bosta que só olha e não encosta, que, do espelho, nada gosta e devolve num borrão. Sua imagem é construída, de borracha, sem tesão. Dá uma olhada à sua volta, não esconda sua revolta que é consigo mesmo, irmão. Repensa essa face, rejeita esse vazio e aceita sua vontade. Sê teu. Sê nosso. Abraça seu cansaço e vem pro mutirão.