Clarice Dall’Agnol

Quadrinhos

Skyward, de Joe Henderson e Lee Garbett

Um belo dia, a Terra perde a sua força gravitacional. Nada mais é atraído para o chão pela gravidade. Se bobear, tu sai voando e já era. As pessoas têm que se adaptar a essa nova realidade, então elas aprendem a se movimentar pela cidade de uma nova forma, se relacionar uns com os outros de uma maneira diferente e, é claro, que alguns encontram formas de explorar essa situação. Willa nasce no ano em que isso acontece. A história inicia quando ela completa vinte anos, e nós acompanhamos a vida de uma pessoa que cresceu com o mundo assim. Dentro desse cenário peculiar é que se desenvolvem os acontecimentos de Skyward. A história foi escrita por Joe Henderson, que é o showrunner da série Lúcifer da Netflix, e ilustrada lindamente por Lee Garbett, que já desenhou Batman, Capitã Marvel, entre outros. Eu li quando a Image lançou a HQ em 2018 e reli agora que a Devir lançou essa edição em três volumes contando a história completa. O roteiro é muito bem escrito, os personagens são cativantes e… tem tudo pra virar série. 

Literatura

Um brasileiro

Ilustração: Cassiano Rodka

Ele era um cara inteligente e sempre fazia questão de avisar isso a todos de antemão. Sabia tudo sobre tudo, inclusive coisas que nunca tinha ouvido falar. Se a coisa existia, ele sabia. Suas decisões eram baseadas nesse profundo conhecimento e o levavam sempre ao oposto da razão. Quando estava doente, não tomava remédio. Desafiava a doença a se retirar sozinha. Sempre que pensava no futuro, olhava diretamente pro passado. Era tão reconfortante saber exatamente o que aconteceria. Ele buscava a paz, então iniciou uma guerra. Quem perdeu, é claro, foi ele. Pois sempre que atirava, era na direção oposta ao inimigo.

Literatura

De jeito nenhum

Me sinto uma máquina de escrever em um mundo de computadores. Sou uma VHS em uma casa que não tem vídeo-cassete. E não estou rebobinada. Tenho um quê de caixinha de CD rachada. Às vezes, acordo meio relógio-cuco. Sem ninguém ter me dado corda. Mas quando me olho no espelho – espelho quebrado que sou – vejo algo mais. Enxergo uma máquina que segue escrevendo. Uma fita que contém memórias não reveladas. Carrego um catálogo de músicas dentro de um coração lacerado. E mesmo quando acordo sem corda, tenho algo valioso: tempo. E esse, eu não perco de jeito nenhum.