The Broken Column, Frida Kahlo, 1944. Vim ao mundo rasgada ao meio. Nunca fui inteira e não acredito em quem seja. Nasci para buscar e me ocupo dessa tarefa com suor e lágrimas. Enxergo a latente completude das árvores, e invejo a capacidade intrínseca de criar raízes e gerar frutos. Curvo-me diante delas como não… Continuar lendo Paisagem
Categoria: Literatura
Eu deveria ser, mas eu sou
Quando eu era pequena, eu não ouvia comandos, ouvia histórias de quem eu era e de quem eu deveria ser. Havia limites para quem eu era e poderia ser, e eles eram dados pelas histórias daqueles e daquelas que viveram antes de mim, e que viviam ao meu redor. O som da infinita repetição de… Continuar lendo Eu deveria ser, mas eu sou
Rua Dr. Barros Cassal
Da janela que dá para o infinito (aquele que está por vir) Vejo o cinza óbvio da cidade (Tão óbvio quando esse verso tolo) Cidade minha da infância, antes tão grande, hoje tão pequena. Vejo esses prédios sufocantes (Me sussurrando segredos, sugerindo rebeldias) Mais ao longe vejo o rio, Que, dizia meu livro de geografia,… Continuar lendo Rua Dr. Barros Cassal
Eu não me lembro
Eu não me lembro de encontrar semelhanças entre eu e você. Eu me lembro de procurar correspondências entre nossos corpos, pois é aí que elas se dão, quase sempre. Mas foi nos lugares menos aparentes que te encontrei em mim. Nos meus pés após o banho, que é quando eles ficam mais esbranquiçados, aproximando-se assim… Continuar lendo Eu não me lembro
Aos 88
– Como foi até agora? – Olha, posso te dizer que tenho pouco a reclamar. Amei de modo intenso. – Amar de modo intenso é o suficiente, então? – É ainda mais que suficiente: é o essencial. O amor se manifesta sempre. As pessoas é que tem dificuldade de deixá-lo invadir. – Falas de qualquer forma de amor? – Sem… Continuar lendo Aos 88
I still see
The knob comes out in my hand when I turn it. I know it does, but I forget and remind myself each time, over. I wonder whether I will ever remember it by heart. The glass door opens when I turn the broken knob, but I am only half way out. In front of me… Continuar lendo I still see
Dear Prudence
Minha Dear Prudence, Não choraste ao sair de mim. Vieste ao mundo discretinha, sem estardalhaço, comportada, mas não com pouca atitude. E assim segues, até hoje. Ser suave é uma difícil arte, e tu a executas com perfeição. Com teu carisma único, cedo conquistaste todos os corações que tiveram o privilégio de te ouvir. “Apaixonante”,… Continuar lendo Dear Prudence
A história
Não te ouço aqui de dentro. Sai! Não dá. Por quê? Tô presa Presa como? É difícil explicar. Tenta. Na verdade não é que é difícil, é constrangedor. Como assim? É que fui eu mesma que me prendi. Se trancou sem querer? Não, fui me deixando... Muda de ideia, dá tempo, sempre dá. Eu admiro… Continuar lendo A história
O retorno do sentir VI
quem eu seria se não fosse essa Eu que ainda bem não sabe quem é mas também pode dizer que sabe quem é aquela que por ali vai trancos e barrancos ora cá, ora lá é ela sim e aquela outra também todas elas quem sou eu?
