Foto: José Calimero O sem fim de tristezaque me habitaé quem me ensinatodos os diasa viver a alegriacomo se fosseInfinita
Categoria: Literatura
Olhos cansados
Foto: Isabel Dall’Agnol Olhos cansados,os fito no vidro eos vejo calados. Olhos cansados,parecem arranhados,em constante emaranhado. Ah! Olhos cansados!Caçoem, enfim.Com o que resta,no fim. Rolem emleito.Enrosquem nofeito.E descansem… Descansem.Fastio.Enfeitem estanoite assombrosa. Derretida…Em mais um dia,que se deseja-se vadio.
O tempo da vida
Ilustração: Ana Nitzan Enquanto criança, eu gostavade observar os mistérios banais.Eram pequenas descobertas do dia-a-dia.A vida era um deleite somente em existir.Como quando eu olhava pela fresta da janela,pela manhã,A luz entrava engraçada,como se fosse um pedaço ou algo de se tocar.E em seu trajeto fazia um belo desenho geométrico,da fresta até o chão.E continha… Continuar lendo O tempo da vida
Movediça
Ilustração: Cassiano Rodka “…por baixo dos significantes, o significado é essencialmente movediço”.(François Leguile, psicanalista) O que importa é ter amado(Vírgula)Porque, para o amor,Nunca há ponto final
Angústia
Foto: Isabel Dall’Agnol E se…E se…E se…Deitava.E me espalhavaem cada peça tua.
A cigana
Foto: José Calimero O mistériosegredo guardadomalfadadolinha da vidacurta e entremeadavida que segue, o destinoacontecimentosque levam a lugaralgum
Cura
Foto: José Calimero O remédioé o inevitávelveneno
Abuso
Foto: Isabel Dall’Agnol As tuas mãos pesadas,simplesmente,ainda pesamE as minhas,seguem curtas demaispara abraçar-te A dor não ficatão apenas naquelecorpo pequenoArrasta-se…E, com o passardos anos, se exibePois já não quercalar-se É uma veste,ainda que invisível,que quer fazerdeste corpo maduro nu Acho que agoraperceboO pouco que se sabiaQue se sentiaQue se entendia A culpa já passabatidaE a… Continuar lendo Abuso
Do pedaço do guardanapo
Foto: José Calimero Acabou mais uma cançãoNada toca maisAs pessoas vãoDespedidas sempre tristesA tarde escureceAinda algo de radiante quer viverAs pessoas corremEu permaneço sentadaEntre o copo e o corpoA aflição de quem já não pode mais voltarNão escolhiNão pediApenas aconteceu assimAí chorei e você viuMas não importaA culpa é da cervejaE dessa tarde morna.
