Junho é o mês do Orgulho. Apesar da gente aqui no PáginaDois ter orgulho das nossas diferenças e da nossa diversidade durante o ano inteiro, é muito bacana perceber como, nos últimos anos, o cinema e a produção de mídia têm se voltado muito mais para a realidade LGBTQIA+, o que é excelente: uma produção audiovisual mais diversa significa mais histórias, com diferentes relatos e vozes distintas. É muito bom PARA TODO MUNDO, que ganha com uma infinidade de narrativas. E é melhor ainda para quem consegue se ver representado nas telas de forma real e não como uma caricatura ridícula para alívio cômico.
Para celebrar essa diversidade toda, vamos a três dicas de filmes que podem ser assistidos atualmente nas plataformas de streaming no Brasil:
Retrato de Uma Jovem em Chamas (Portrait de la Jeune Fille en Feu, Céline Sciamma, 2019)
O quarto longa da diretora francesa Céline Sciamma foi aclamado pela crítica. Venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi indicado a inúmeras outras premiações. No século XVIII, a jovem aristocrata Héloïse (Adèle Haenel) tem seu casamento arranjado pela própria família. Marianne (Noémie Merlant), uma pintora, recebe a missão de pintar o retrato de Héloïse para que seja mandado para o seu futuro marido. A tarefa não vai ser tão simples quanto Marianne imaginava, uma vez que Héloïse não quer casar e nega-se a posar para o quadro. Marianne então vai ser apresentada como uma nova aia para aproximar-se de Héloïse e trabalhar no quadro em segredo. O filme faz uma reflexão sobre a criação artística e os atos de olhar e ser olhado. Sciamma faz sua obra mais madura num filme belíssimo, do qual ela também é roteirista.
Fanfic (Fanfik, Marta Karwowska, 2023)
Quer algo numa língua diferente? Recentemente estreou na Netflix o longa polonês “Fanfic”. A diretora e roteirista Marta Karwowska mostra adolescentes se descobrindo num ambiente escolar. As agruras, dores e delícias do “coming of age” desse longa nos mostram que adolescer não é muito diferente na Polônia do que é no Brasil ou em outras partes do mundo. Ainda que os jovens tenham uma tranquilidade de fluir (entre gêneros, entre orientações sexuais) e experimentar hoje em dia, a idade da descoberta não deixa de ser dolorida em função disso.
Corpolítica (Pedro França, 2023)
O Brasil é o país do Carnaval, da música e da sensualidade. E também é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ por ano no mundo. Por que, apesar disso, as pessoas queer ainda estão tão pouco representadas na política? É essa pergunta que motiva a investigação do diretor Pedro França no documentário “Corpolítica”. Uma fala poderosa é dita por uma menina no trailer: “Um corpo que nasce mulher, preta, LGBT… ele já nasce político”. É nesse tom que Pedro França conduz seu documentário. “Corpolítica” está em cartaz nas principais capitais brasileiras!
