Mas, com certeza, me orgulho de cada batalha vencida.
É um complexo nexo que nos une, entre o que fomos, o que somos e o que sempre seremos; com a certeza de que tudo vencemos.
E, a este ponto, aprendi a respeitar todos aqueles dias em que não gosto de ti, e sinto que realmente te odeio, que desejo o divórcio, e fantasio, mesmo que por segundos, a tua morte – meio menos oneroso de te ver sumir da minha frente, ainda que tão egoísta –, pois tamanha é a raiva que me fazes sentir.
Eu respeito, sim, esses dias – quase os admiro! Porque é através deles, e tão somente deles, que se torna tão possível e um tanto inerente, por ti, me apaixonar mais uma vez. E, em ti, coabitar eternamente.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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