
“Sou mansa, mas minha função de viver é feroz”
(Clarice Lispector)
Um espelho não reflete o que não existe:
Me declaro mansa,
E então me contrarias,
dizendo que mergulhada em prazer,
de mansa nada tenho
(E eu gosto).
Balanço as tuas estruturas,
tal qual ventania vinda do sul,
Que afronta,
E tu enfrentas,
Mesmo sabendo que sou toda segredos e manhas.
Me dizes, porém, que a bagunça é sempre boa,
“Marasmo não faz bom marinheiro”.
Te ouço atenta,
(Minha mente já pressentindo versos).
Soprando em mim,
O poema vem com força,
Inunda-me
Preenche-me,
avassalador.
Escorre por todos os meus cantos,
Me deixa sem saída,
Saciada,
Me encanta,
Me encantas,
Te acolhe,
Te acolho
(E eu uso os pronomes do jeito que eu quiser).
