Literatura

48 e ½

Foto: Vanilson Coimbra

Tal qual marítima vampira,
Atendo o teu pedido faminto,
E em busca das melhores ostras,
vou.
Tua voz em mim sussurra,
“é preciso explorar bem para escolher”.
E é a voz quem decide,
Sabendo que a fome é minha,
também.
Me dizes, com olhos sedentos,
“Você é um vulcão,
transborda”.
(Ouço essas tuas frases e ardo, 
nosso enlace dura horas,
além da carne).
Sinto meus dentes acomodando-se em tua nuca:
(sal e jasmim).
Sorvo, lambo os lábios, satisfeita, e teu líquido me faz alucinar.
Sob uma noctiluca invernal,
em caminho de pedras labiríntico,
sinto intensa vertigem, 
e avisto:
As conchas delas, em furta-cor, me atraem, me roubam,
Mostrando-me o caminho.
Quero o viço,
quero o brilho, quero o sumo, quero a energia, 
quero a certeza da perfeição. 
quero sugar-lhes a juventude,
e assim renovar-me, 
ressurgir, 
tecer as tramas 
– que poucos entendem. 
Quero viver.

Deixe um comentário