Lá está ela. Toda agasalhada de verde e marrom. Coberta de um vermelho ardente. Enquanto retângulos cor de laranja e uma fita branca seguram a janela vazia. Refletida, no vidro, está a ausência. Não há vida afinal? Mas e aquela falta que também se faz presente…? Não seria vida no final? E o verde e o marrom que rodeiam a casa…? Não seriam o suficiente para acalentar a sua alma? E as cores…? Que ainda sangram eloquentes… E o gato, escondido no fundo do galho…? E a memória que fica daquele conto que narrava a minha avó. Daquela casa… Toda rodeada de flores! A casa abandonada ainda vibra. Ainda faz morada. Ainda enche e se faz toda cheia. De cor. De memória. De sopro. De vida.
O texto de hoje foi inspirado na fotografia acima como parte do Desafio Piras lançado pela nossa colunista Brunna Stock.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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