Eu visto uma cor diferente da que disseram ser minha. Eu visto duas cores. Eu me transformo em várias cores. Eu gosto de todas as cores. Eu quero experimentar todas as cores. Eu não me entendo com cor alguma. Eu tenho medo de vestir a cor que eu quero. Eu troquei de cor. Eu não tenho cor. Eu não sei de qual cor eu gosto. Eu não sei qual cor eu sou. Somos, enfim, todas as cores, ainda quando incolor formos. Somo arco-íris, sem fim. Somos alegria. Somos vibrantes. Somos amor. Somos vida. E eu… Eu tenho o maior orgulho desse incrível e indestrutível arco-íris.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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