Ao meu querido tio Tonico, que me ensinou muito sobre o churrasco e deixou seu sabor em todos os outros que experimento.
Luz apagada. E a menina canta por sua mãe de dentro do saco daquele velho que mete medo.
E a formiga, que foi malcriada, teve qual fim no fim?
Silêncio no fundo do mar. E como é que ele consegue aguentar?
E os beliscos… No meu nariz. Nos seus dedos.
Dedos que balançam. Dedos que dançam. Dedos que se encontram.
A gargalhada é alta mesmo. E o escambau. São histórias e historietas.
Ele sempre preenche. E se faz presente. Ainda quando ausente.
Porque a carne ainda pinga. No fogo, que arde. Na cinza, que invade. Na noite, embaixo das uvas. No dia, em uma garagem. Em um salão. Em um saguão. Em todo canto, mesmo de canto.
Sim, o cheiro do assado… É o aroma que nos une. Para sempre.
E que vejo. Em mim. Naquela criança. E nesta também.
É o espelho. Dele. É aquele que sempre, para sempre, se fará em mim, presente, por sua presença, ainda que ausente.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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