
Se Seinfeld era a série de TV sobre nada, O Homem Que Passeia é seu equivalente no mundo dos Quadrinhos. Em suas páginas, o japonês Jiro Taniguchi nos apresenta sua visão de mundo, encontrando poesia em meio à banalidade do cotidiano.
A revista traz vários passeios de um homem pela sua cidade, observando o que há ao seu redor e pensando sobre a vida. Diferente da maioria dos roteiros, que partem de uma premissa e têm um objetivo final, as histórias de Taniguchi apostam na beleza do acaso. Curiosamente, as narrativas são contadas com poucos diálogos e muitos momentos de silêncio. Os desenhos em preto e branco falam por si só, nos convidando a dividir os sentimentos que arrebatam o personagem principal.

A falta de um roteiro definido é o que transforma as histórias em verdadeiros passeios. A sensação de estar vagando pelas ruas sem saber o que virá pela frente é vívida. Os acontecimentos de cada capítulo são pequenas surpresas do dia a dia, não são grandes plot twists embasbacantes. Estamos tão acostumados a esperar inúmeras reviravoltas em uma ficção que esquecemos a beleza que existe nas sutilezas da vida real.
As histórias de O Homem Que Passeia são um respiro. Sem deadlines, sem objetivos, apenas a liberdade de colocar o pé no mundo e deixar a vida acontecer.

