
Da janela que dá para o infinito
(aquele que está por vir)
Vejo o cinza óbvio da cidade
(Tão óbvio quando esse verso tolo)
Cidade minha da infância, antes tão grande, hoje tão pequena.
Vejo esses prédios sufocantes
(Me sussurrando segredos, sugerindo rebeldias)
Mais ao longe vejo o rio,
Que, dizia meu livro de geografia,
na realidade era um lago.
(Sempre preferi chamá-lo de rio)
Vejo os vizinhos e suas sombras cheias de cor e movimento
(Imagino suas histórias, e elas se debatem no meu ser precocemente pré-adolescente)
Da janela que dá para dentro
(De mim)
Vejo todas as aquelas histórias que criei sobre os vizinhos cinza-coloridos.
Vejo uma magrela tímida,
Vejo sua mente fervilhando,
E suas lágrimas se formando
(Sempre sofri pelo que eu não conseguia mudar
– sofro até hoje)
Vejo um movimento intenso de ideias, letrinhas, palavras,
Vejo uma luz imensa:
o brilho ensurdecedor de uma poeta em formação.

Clarice: Lindo. Ponto.
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