Sonho.
Dentro
e fora.
De mim.
No vidro,
reflito.
Reflete
minha alma,
nua.
Entrego.
Desejo.
Esmero.
Temo ausência
sem essência.
Cheiro.
Invento.
Rejeito.
Quero isso
e disso.
Pingo.
Tinto.
Amanhã.
Sempre.
Para,
sempre.
Desde que
me perca.
Imenso.
Penso.
Grito.
Parto.
Não há tempo
que passe.
Infinita
solidão.
Deixa.
Ilusão.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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