
“Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir.”
(Bíblia, Velho Testamento, Juízes, 16)
És apenas um emaranhado
de cinza e ideias
e instintos e desejos,
sobre o qual tenho o poder de seduzir e controlar.
Não me fala com o que devo (ou não) sonhar,
Porque ainda assim te direi
“Pois vou”.
Apresento-te a minha versão desconstruída,
deslavada,
desaforada: a melhor delas.
Não banques o rebelde:
A senhora de tudo agora sou eu. Adapta-te.
Agora corto toda a tua força pela raiz.
E entrego-me, inteira, somente a mim mesma.
De mim não espero mais nada além de flores,
travestidas em algumas
pequenas felicidades certas, com seu perfume
me sussurrando segredos.
Transcendo, apenas.
Aguardo a calmaria das águas futuras,
E o sal que se perdeu
nos desentendimentos –
esse fica para temperar
outros tempos
(e acertos).
