
por Marcella Marx
Despedir é também despir-se daquilo que foi, do que partiu e do que permaneceu intacto – talvez porque tenha ficado perto demais dos olhos do querer ou longe do alcance das mãos do pensar.
É ir retirando, ao seu tempo, ou com a urgência do tempo, as camadas mais externas e ir cavando, até alcançar a mais profunda. E assim, leve pela ausência do que antes compunha e pesando a enorme falta das lembranças, caminhar carne exposta em direção à possibilidade de novamente se despir.
