
Para o Vito, alimento dos meus escritos desde 1999.
Se eu tivesse todas as respostas, filho, seria para ti que as daria primeiro. E também para a Angelina, por certo.
Não as tenho, porém, pois elas não existem de modo absoluto (ao menos não em um só formato).
Existem algumas poucas certezas e inúmeras dúvidas, dependendo que como este mundo resolve nos encarar.
Algumas respostas (as melhores) estão nos olhares que trocamos, e nas músicas que ouvimos, e nos livros que lemos, e nos filmes que assistimos, e nas histórias que tecemos e escutamos ao longo da vida.
As respostas, ao contrário do que se pensa, nem sempre aliviam e resolvem tudo. Muitas vezes, elas podem ser o alimento das angústias, e essas últimas não existem sem razão. Existem para provocar revoluções internas, e para nos fazer amadurecer e viver mais completos. Existem para nos tornar mais fortes, mais autênticos, mais sábios e mais confiantes.
Quisera eu saber o que te responder, sempre. Quisera eu ser a dona das verdades, a detentora de todos os saberes e das soluções mágicas. Não sou. Levei quatro décadas para concluir que sobre minha vida, acontecimentos, e também sobre os que me cercam não tenho controle algum. Podemos pressentir algumas coisas e planejar outras, mas prever e acertar o futuro é humanamente impossível.
O que eu tenho, enfim, é apenas uma pequena sabedoria acumulada nos muitos anos que ouvi pessoas e suas histórias. Sobre angústias, e amores, e desilusões, e incertezas, e certezas, também. Apenas algumas certezas.
Assim, a melhor lição que posso te dar é, meu filho, que vivas o hoje, intensa e plenamente. Sempre. O depois, virá, digamos, apenas depois.
