E, se minha alma
viajar…
Que seja pelas pedras de fogo.
Ou pela montanha cor de rosa.
Ou pelo verde tão sedento.
Ou pelo vale assombroso.
Ou pelo vento extremoso.
Ou pelas ruínas tão vividas.
Ou pela árvore enfeitiçada.
Ou pela sacada estrelada.
Ou pelas escaleiras fatigadas.
Ou pelas memórias espelhadas.
Ou pela arte das paredes.
Ou pelas beiras caladas.
Ou pelas águas de arco-íris.
Ou pelas asas amarelas.
Ou pelo perfume do encanto.
Que se perca,
eterna,
na minha partida.
Em cada pedaço, que,
até então,
costurou minha pele.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
Ver todos os posts de Isabel Dall’Agnol