
por Clarice Casado
“…
é preciso estar sempre bêbado
é preciso ler Baudelaire
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.”
(Carlos Drummond de Andrade, “Poema da necessidade”)
Pequenas coisas podem se tornar essenciais.
Não é exatamente o tamanho, mas o significado, a intensidade.
Onde se afogam as estrelas,
guardam-se os momentos mais inteiros.
O ocaso da primavera engoliu-te,
como o universo comprime o homem.
De tantos retalhos, apenas um colorido imaginário.
Devolve-lhe tudo:
desde a alma, até a escuridão.
Recolhe os cacos, minúsculos retratos,
espelhos sem reflexos.
