Na busca, desesperada,
de encontrá-la, ele…
Rascunhou em cadernos.
Abraçou as palavras que ficaram.
Percorreu pelas imagens que sobraram.
Fotografou os próprios lábios.
Procurou amigos em paredes.
Brincou com a sombra do seu corpo.
Inventou pernadas pela avenida.
Sussurrou o socorro da solidão.
Olhou através do relógio da esquina.
Pedalou até o desfiladeiro.
Contemplou o risco livre entre o céu e o mar.
Orquestrou pétalas em rosas.
Assobiou a canção mais bonita.
Perseguiu o pôr do sol.
Dançou com uma estranha.
Entorpeceu-se com a lua.
Trocou beijos por encanto.
Deitou-se com o frio.
Tatuou-a no canto do seu olhar.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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