
por Marcella Marx
“… Quem quer passar além do Bojador.
Tem que passar além da dor …”
‘Mar Português’, Fernando Pessoa
Nova Zelândia: ilha norte
Em um tempo em que mais é sempre melhor, voltar ao mesmo lugar pela terceira vez e “take my time” pelas trilhas e paisagens da Nova Zelândia, demonstra o que, de uma maneira ou de outra, busco. Fazer o que não é esperado, o que me tira de meu estado de conforto.
Na primeira vez que visitei a Nova Zelândia, fui bem de passagem, mais para encontrar um amigo e pela proximidade da Austrália, gostei. Na segunda, quis apresentar o lugar diferente ao meu companheiro de viagens, Marcelo. Nós dois nos apaixonamos pelo pequeno grande país, e, juntos, voltamos. Dessa vez de barraca e sem pressa alguma, a não ser por aquela imposta pelos 30 dias que alguém que provavelmente nunca tenha feito trilhas e escaladas na vida inventou. Se é desconforto que se busca, a terra do tempo sem previsão, das nuvens de “sandfly”, das centenas de “possums” atropelados por querer (na maioria das vezes) é obrigatoriamente destino. Começamos nossa viagem em Auckland, no aeroporto, onde o motorista de ônibus, sem saber, nos deu a primeira exclamação de bem-vindos, quando saiu do ônibus e empurrou o carrinho de malas, mais para a direita, para que assim ficasse no lugar exatamente correto, onde todos os carrinhos deveriam ficar. O que é certo, é certo, não há meio termo.
Continua.
